Q
Dizem os comentadores de “Pontos de Vista”

Falta ligação entre autarquias das Caldas e Óbidos

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Passado um ano da tomada de posse dos novos elencos autárquicos das Caldas da Rainha e Óbidos, os vereadores do PS no município caldense consideram que é preciso “acabar com a política de costas voltadas entre os dois municípios”. “Não se compreende que se revele mais fácil estabelecer cooperação com cidades estrangeiras do que com os concelhos vizinhos”, lamentam os vereadores. Confirma-se este afastamento ou tem havido uma aproximação? O que pode ser feito? Foram questões comentadas na última emissão de Pontos de Vista” (uma parceria MAIS OESTE RÁDIO/JORNAL DAS CALDAS). Edgar Ximenes, do MVC, defendeu que Óbidos e Caldas deviam constituir um único município e até lhe chamou “Terras da Rainha”. “Mas é ficção, porque nunca haverá coragem para uma coisa dessas”, referiu. No seu entender, a colaboração entre os dois municípios iria reforçar a capacidade negocial, a começar pelo Hospital das Caldas, em que “parece que andamos a lutar sozinhos e temos mais apoio de Peniche do que de Óbidos”. Também “devia haver entendimento na questão do parque empresarial, em vez de cada concelho querer ter o seu”.
Manuel Nunes, do PS, Edgar Ximenes, do MVC, Vítor Fernandes, do PCP, António Cipriano, do PSD, Alexandre Cunha, do BE, e Rui Gonçalves, do CDS

“O relançamento do Hospital Termal e do seu produto tem de ser trabalhado na vertente turística com Óbidos”, defendeu, adiantando que devia igualmente existir uma ligação entre os transportes urbanos Obi (de Óbidos) e Toma (das Caldas).

“Não há a hostilidade que havia. Neste momento os autarcas não estão de costas voltadas, mas ainda não houve sinais evidentes de uma parceria que é absolutamente fundamental”, defendeu.

Manuel Nunes, do PS, recordou um debate há alguns anos na comunidade intermunicipal do Oeste entre Fernando Costa e Telmo Faria, anteriores presidentes das Câmaras das Caldas e Óbidos. “Sentia-se a tensão a sala”, declarou. “As populações de Óbidos têm grande ligação às Caldas mas não se percebe a não existência de uma estrada entre os dois concelhos com duas vias e ciclovia e só um circuito de transportes urbanos”, manifestou.

Para Rui Gonçalves, do CDS, “as coisas valem por aquilo que se vê e as intenções não contam”, pelo que “sinais de aproximação não existem”.

“Só há uma maneira, que é agregar os municípios, porque enquanto isso não acontece os equipamentos acabam por estar subaproveitados e os contribuintes pagam mais”, disse, dando exemplo de sinergias que podiam ser criadas no parque tecnológico e na lagoa, onde “o acordo para separação dos dragados foi um entendimento à força”.

Vitor Fernandes, do PCP, não tem dúvidas de que “não há aproximação nenhuma, mas enquanto houver guias turísticos a dizer que Caldas é uma localidade perto de Óbidos vai ser difícil”.

“Há realidades que obrigavam que houvesse aproximação, como o Hospital, Hospital Termal, cuidados primários de saúde, Linha do Oeste, turismo e zonas industriais, em que fazia todo o sentido terem políticas e objetivos comuns”, considerou.

António Cipriano, do PSD, acha que “não há relação conflituosa, mas no passado houve uma relação mais fria”. Entende que a aproximação “está a ser gradual”, apontando que a questão da Lagoa é um exemplo. “Há uma relação pessoal boa entre os dois presidentes de câmara, não há rivalidade entre eles, como aconteceu no passado, e isso permite chegar a entendimentos”, opinou.

“Também achava bem um município que agregasse Caldas e Óbidos, e não me importava nada que a assembleia municipal ficasse em Óbidos e a câmara nas Caldas”, disse.

Alexandre Cunha, do BE, comentou que “há uma aproximação aparente mas tem de haver resultados. As eleições já foram há mais de um ano e dragagens na Lagoa só de balde de plástico e ancinho. Uma das coisas mais prometidas foi uma draga em conjunto e no entanto não se vê nada”.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados