Q
Speak

Caldas da Rainha dá seguimento a projeto de intercâmbio de línguas e de culturas

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
Hugo Menino de Aguiar lançou o Speak em Leiria como um projeto integrado da Associação Fazer Avançar (AFA) e replicaram-no em outras cidades. Caldas da Rainha foi em 2014 projeto piloto para essa replicação através da parceria com a Ordem do Trevo. Dado o seu sucesso, este ano o projeto está a funcionar em 4 cidades: Leiria, Caldas da Rainha, Coimbra e Lisboa.
Hugo Aguiar deixou a Google em Dublin para se dedicar ao Projeto Speak

A Ordem do Trevo, em parceria com a AFA, volta a fazer a diferença nas Caldas da Rainha com este projeto social de referência, com inscrições abertas até final de janeiro no site www.speaksocial. Vão decorrer turmas de inglês, português, francês e russo. As aulas iniciam a 2 de fevereiro e terminam a 24 de abril e realizam-se no Centro da Juventude das Caldas da Rainha.

O mentor do Speak descreveu o projeto ao JORNAL DAS CALDAS.

JORNAL DAS CALDAS: O que é o Speak?

Hugo Menino de Aguiar – O Speak é um intercâmbio de línguas e de culturas onde pessoas, de diferentes origens, aprendem e ensinam línguas e culturas. São estas pessoas que quebram preconceitos, barreiras, que fazem amigos, que promovem e disseminam a valorização pela diversidade cultural.

As aulas, com 4 a 15 alunos, decorrem num registo descontraído, em que é tão importante aprender as bases da língua como ganhar sensibilidade para ariqueza da cultura. É muito importante a troca de experiências entre os alunos – procuramos que cada turma seja o mais internacional possível.

J.C.: Os professores do Speak são voluntários?

H.M.A – O preço de participação é de 13€ por curso mais 12€ de caução, que é devolvida caso frequentem 10 das 12 aulas previstas. Cada curso tem a duração de 12 semanas, 1 aula por semana de 90 minutos. Os participantes do Speak ainda têm acesso gratuito aos eventos. Os estrangeiros que frequentem a língua portuguesa pagam apenas o valor da caução.

O projeto Speak neste momento está a acontecer nas cidades Leiria, Caldas da Rainha, Lisboa e Coimbra, tendo tido já 1200 participantes, de 42 nacionalidades, e cerca de 50 voluntários para apoio da equipa.

J.C.: Qual a missão do Speak?

H.M.A – O Speak existe para resolver ou contribuir para a resolução, em escala, de um problema social bem identificado: a exclusão sociocultural, um problema transversal a várias cidades de Portugal e do Mundo. Este problema social existe devido a várias causas como a incompreensão cultural, ignorância ou estigmas. As consequências deste problema são diversas: xenofobia, criminalidade, desemprego e muitas outras.

O intercâmbio de línguas foi criado para atacar as causas principais do problema (falta de oportunidades de encontro social e barreira linguística entre pessoas de origens diferentes) e transformar as pessoas que sofrem no dia a dia com o problema em parte fundamental da solução.

J.C.: Qual a importância das Caldas da Rainha na estratégia do Speak?

H.M.A – O problema social existe – há imigrantes em situação de exclusão / isolamento. Há 2126 imigrantes registados nas Caldas da Rainha (4.10% da população das Caldas), e certamente que muitos estão bem integrados mas há outros que, infelizmente, não. Faz sentido existir o projeto nas Caldas da Rainha. Além disso, o Speak é também para que os participantes aprendam mais sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre as culturas e sobre as línguas – conhecimentos fundamentais para os desafios do mundo e do mercado de trabalho.

Foi nas Caldas da Rainha que o Speak testou a replicação (antes de Coimbra e Lisboa). Foi um passo importante mas o caminho nas Caldas da Rainha ainda está no início.

J.C.: Porquê a ligação forte entre o Speak e a Ordem do Trevo?

H.M.A – A Ordem do Trevo é a organização que implementa o SPEAK Caldas. É uma organização de intervenção social com provas dadas nas Caldas da Rainha, conhece o terreno e tem excelentes voluntários.

Sucesso nas Caldas

O presidente da Ordem do Trevo, José Viegas, fez um balanço positivo da primeira experiência do Speak nas Caldas da Rainha, que decorreu o ano passado, considerando que é “um excelente conceito com resultados francamente animadores”. “Com turmas de português, inglês, francês, alemão e russo a funcionar no Centro da Juventude, e uma turma alargada de ingleses na Foz do Arelho a aprender português, atingimos um número próximo dos 50 alunos. Pretendemos consolidar estas línguas e acrescentar outras como o mandarim”, disse José Viegas.

O Speak insere-se no planeamento e conceito da Ordem do Trevo. Dada a sua abrangência e intervenção, potencia estímulos, colmata necessidades sociais nesta área da sociabilização, da aprendizagem e da integração.

A partilha de cultura e línguas entre os participantes, é já um caso de sucesso de empreendedorismo social.

Testemunha do Speak

Midodji Gaglo de 34 anos, é aluno de português e professor voluntário de francês doSpeak nas Caldas. É natural de Togo e veio para Portugal há oito meses. “Enquanto andava a procura de alguém que me ensinasse português, cruzei-me com oSpeak. Para além de aprender a língua, aprendo sobre a cultura do país, disse. Os seus alunos de francês ajudam-no a praticar o português e agora sente-se mais próximo de Portugal e já não tem vergonha de falar em português e a sua palavra preferidaé“beijinhos”.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Últimas

Sem resultados

Artigos Relacionados