Por outro lado, apontou, “noutras cidades na Europa fizeram-se dezenas de reuniões com comerciantes, industriais e habitantes para fechar ao trânsito”, considerando que tem havido falta de envolvimento da população nestas decisões.
De qualquer forma, no seu entender, “deve-se fechar porque é uma balbúrdia, pois temos de nos andar a afastar dos carros, dos vasos e das pessoas”.
Vítor Fernandes, da CDU, admitiu que “é um problema complicado”. É que, por um lado, “esta rua foi requalificada para claramente fechar ao trânsito e ser pedonal, senão não fazia sentido tirarem o tapete que tinha e porem pedra”. Contudo, interrogou: “Uma pessoa que entra nas Caldas da Rainha e quer ir para Óbidos, por onde vai?”.
Assim, para além de criticar “a falta de planeamento”, chega a uma conclusão: “Se fecharem a rua para preservar o centro histórico, tem de se encontrar uma via fácil e estruturante para escoar o trânsito”. No final da discussão na rádio, Vítor Fernandes declarou ter ficado convencido de que a rua deve fechar ao trânsito.
António Cipriano, do PSD, reconheceu que ainda não tem uma opinião fechada. “Oiço argumentos válidos para os dois lados. Por um lado, é uma artéria principal no centro da cidade. Os comerciantes dizem que pelo facto de os carros passarem, as pessoas sempre vão vendo as montras, por sua vez, alguns clientes dizem o mesmo quando o trânsito está parado por causa do Toma. Mas por outro lado, a verdade é que do centro das cidades devem ser retirados os carros, e que devem ser para as pessoas circularem. É importante que se faça o debate”, afirmou.
Edgar Ximenes, do MVC, indicou que a rua aberta ao trânsito “foi um mal necessário porque já não havia por onde circular pela cidade, o que derivou das obras de regeneração urbana”.
Por isso, entende que “seja qual for a posição deve-se pensar num cenário de obras completas e tudo a funcionar corretamente”.
Defendeu também que este “não deve ser um problema exclusivo do comércio e não devem ser os comerciantes da rua a decidir ou a influenciar, como aconteceu com um abaixo-assinado dos comerciantes que levou à reabertura da rua”.
O representante do MVC desmistificou os argumentos de que as pessoas sempre podem ir vendo as lojas ao passarem de carro: “Uma pessoa passa e vai ficando irritada porque o trânsito está sempre a ser interrompido. Por outro lado, para os peões e comerciantes é um crime ambiental, porque vão apanhar com o tubo de escape a descarregar, o que envergonha qualquer cidade moderna. Não há vantagem para o negócio com o prejuízo para a qualidade e vida”
“Tenho imensa saudade daquele período em que a rua esteve fechada ao trânsito e a alegria com que as pessoas passeavam e apenas se desviavam do Toma e dos veículos de emergência”, confessou.
Para Edgar Ximenes, “todo o sentido das obras de regeneração urbana é a restrição do trânsito automóvel e a devolução da cidade aos peões. Também devem ser sempre autorizadas as cargas e descargas em horas próprias”.
Com a construção do parque de estacionamento na Praça 25 de Abril ganha-se mais um argumento para a rua não estar aberta ao trânsito em geral. “As pessoas vão ser desviadas para o parque de estacionamento e depois podem aproveitar para passear a pé”, referiu.
Rui Gonçalves, do CDS-PP, concordou com a ideia de que “só para cargas e descargas”, para que as pessoas “possam andar mais descansadas, sendo mais seguro andar com as crianças”.
“O centro da cidade é para as pessoas e não para os carros”, comentou, apontando que “as cidades modernas dão prioridades aos peões e às bicicletas”.
“A posição do CDS é de que não concorda com esta forma aleatória e casuística de tratar uma rua de cada vez. Tem de haver um plano geral de mobilidade e de trânsito, e uma lógica integrada. Mas para o CDS deve-se manter o trânsito na rua enquanto não haver alternativas. A minha posição é que não deve haver trânsito, porque as alternativas existem, uma vez que as rotundas de entrada na cidade resolvem se estiverem bem sinalizadas”, disse Rui Gonçalves.
Partilhou também da opinião de que quando o parque da Praça 25 de abril estiver a funcionar, se a Rua Heróis da Grande Guerra estiver fechada, os automobilistas serão encaminhados para esse estacionamento.
Estacionamento na Praça 25 de Abril vai aumentar carros noutras ruas
Há no horizonte outras preocupações que extravasam a questão da Rua Heróis da Grande Guerra. Por exemplo, quando o parque da 25 de abril estiver a funcionar, mais carros irão começar a passar pela Avenida 1º de maio, uma das zonas de saída. Por consequência, a avenida paralela – a da Independência Nacional – também ficará com mais tráfego, logo, mais poluição. De referir que no centro dessa avenida está um parque infantil. E todo o resto do circuito para sair do centro da cidade ganhará um fluxo automóvel a que já não estava habituado, como é o caso de artérias como a Rua dr. Miguel Bombarda, Rua Coronel Andrada Mendoça, Praça 5 de Outubro, entre outras.
A solução de ampliar a Rua da Estação, em negociação com a Refer, podia permitir criar ali dois sentidos de trânsito, um dos quais para escoar o tráfego da Avenida 1º de maio, embora a saída pelo Bairro da Ponte seja sempre uma possibilidade.
Há ainda a questão da Rua 31 de janeiro, entre a Praça de Touros e a rotunda junto ao hotel Cristal, onde atualmente há dois sentidos de trânsito devido às obras do parque de estacionamento. Como ficará depois?
Por último, quem estiver na zona do CCC e quiser sair para o sul da cidade, encontrará, como acontece agora, dificuldades. É que afunilar o trânsito no topo da praça da fruta, pelas ruas estreitas até ao largo termal, é precisamente levar os carros até ao centro histórico. Sem falar da Rua de Camões, atualmente fechada para obras. Em que sentido deverá funcionar quando reabrir? Interrogações que são mais do que suficientes para um amplo debate sobre a mobilidade na cidade das Caldas.







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