A iniciativa está integrada no projeto Rede de Escolas Associadas à UNESCO, na qual o CENFIM se associou em 2013.
A rede foi criada em 1953 e já conta com dez mil escolas associadas em todo o mundo. Em Portugal 66 escolas já se associaram à iniciativa e seis estão em processo de adesão.
Fátima Claudino, representante da Comissão Nacional da UNESCO em Portugal, indicou que o organismo dá ferramentas às escolas associadas para “trabalhar pela ideia da cultura da paz” em prol de uma educação de qualidade, partilhando objetivos de desenvolvimento humano e satisfação das necessidades de formação dos jovens e adultos no seu setor de atividade.
O principal objetivo da iniciativa é “transformar consciências através da informação e sensibilização de situações concretas de diferença que venceram a exclusão e atingiram o sucesso”, explicou Cristina Botas, diretora do Núcleo das Caldas da Rainha do CENFIM.
“Histórias de vida” reais
O segundo painel do seminário “Histórias de vida” contou com a presença de Carlos Mota, treinador de natação, com a participação em quatro jogos paralímpicos.
“Trabalho com pessoas catalogadas como pessoas diferentes”, disse o treinador, com mais de quinze anos de carreira. Em apenas quatro anos, Carlos Mota treinou três atletas paralímpicos com mais de sete mil horas de treino e dez mil quilómetros nadados.
Leila Marques Mota, ex-nadadora paralímpica, portadora de uma malformação congénita no antebraço direito, deu a sua receita para a vitória à plateia de jovens que a ouvia com atenção. “Nós somos os nossos maiores adversários”, disse. A ex-nadadora paralímpica teve a sua primeira participação aos quinze anos, em Atlanta, onde garantiu o oitavo lugar. “Foi nesse momento que decidi o que queria fazer da minha vida. Superar-me enquanto atleta e pessoa”, declarou. Durante doze anos Leila pertenceu a uma equipa paralímpica, mas nunca deixou de parte o sonho de vir a ser médica. Com o apoio da família, dos colegas e amigos, licenciou-se em medicina em 2008 e é hoje a presidente de Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência.
Nuno Vitorino também contou a sua história de vida. Ficou tetraplégico aos 18 anos, depois de um amigo ter disparado uma arma de fogo que o atingiu. Um acidente que deixou Nuno numa cadeira de rodas e mudou radicalmente a sua vida.
O ex-nadador paralímpico pertenceu à equipa de Leila Marques Mota e representou Portugal em campeonatos europeus e mundiais.
Nuno licenciou-se há três anos em Relações Internacionais e é presidente da Associação de Surf Adaptado. “Se não fosse o acidente eu não era a pessoa que sou hoje”, afirmou. Amante de desportos radicais, Nuno tem como missão “motivar os outros a superarem-se mesmo que seja difícil”, manifestou.
O caldense João Jorge é o único aluno invisual da Escola Secundária Raúl Proença. Aprendeu Braille na primária enquanto os colegas aprendiam o alfabeto. A frequentar o 12º ano, considera-se “um aluno razoável” e sonha vir a ser telefonista. Colaborou com o jornal da escola, “Hermes”, e desenvolveu um projeto para colocá-lo em Braille.
Na sessão de abertura do seminário, Elisabete Moita, em representação do Instituto de Segurança Social, defendeu que iniciativas como esta “trarão frutos no futuro, pois são as escolas que têm que assumir este papel de sensibilização dos mais novos em prol de uma mudança de atitude”.
O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, considerou que os temas debatidos são importantes para os futuros profissionais. “Não vale a pena ser-se bom técnico se não soubermos estar em sociedade”, disse o autarca.






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