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Homens da rádio comentam notícias do Jornal das Caldas

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

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O programa Pontos de Vista, às quartas-feiras, às 19h, na Mais Oeste Rádio, em 94.2 FM, convidou três homens que estiveram ou ainda estão ligados ao mundo radiofónico para comentar notícias do Jornal das Caldas.
Nuno Oliveira

Nuno Oliveira, que durante vários anos se dedicou ao meio radiofónico, é atualmente diretor executivo da agência On Time Comunicação, que edita uma revista de promoção turística com o mesmo nome. O convidado comentou a notícia da demora de entrega de cartas por parte dos CTT, revelando que ele próprio se sente prejudicado. “Nos últimos três meses já fui três vezes tentar obter o meu correio mais rapidamente, porque me poderia prejudicar, quer a nível dos negócios, quer na vida pessoal. É uma coisa que está a transtornar muito as pessoas”, disse, considerando “importante” a moção aprovada na assembleia municipal das Caldas da Rainha a repudiar o atraso no serviço de entrega de correspondência postal. As obras de regeneração urbana e os incómodos que têm causado nas Caldas mereceram a observação: “A Câmara tem feito um grande esforço para que prejudiquem o menos possível as pessoas e esperemos que compensem e que possam beneficiar os comerciantes”. Nuno Oliveira deixou uma sugestão: “Era importante pensar num local para os autocarros e até a Câmara ter guias para receber as pessoas e indicar os principais pontos da cidade”. Os 98 anos do Caldas mereceram a recordação: “Eu também joguei no Caldas, fui infantil, iniciado e juvenil, e só não continuei porque fui estudar para o seminário”, contou. A foca “Martinha”, atração em São Martinho do Porto, fez também lembrar outra história que levou centenas de pessoas à praia: “Foi a história da queda de um meteorito, a 1 de abril, dia das mentiras. Fui fazer reportagem nesse dia. Entrevistei pessoas que atestavam que era verdade, mas o que viram foi a explosão para provocar o buraco na areia”. A notícia das Tasquinhas na Expoeste foi igualmente comentada. “É um meio de promoção fantástico da nossa região e um ponto de encontro de pessoas que não se veem há algum tempo”, sublinhou. Depois de abordar outras notícias, Nuno Oliveira falou do seu percurso pessoal, nomeadamente dos tempos do seminário. “Podia ter sido padre, faltavam dois anos para ser sacerdote mas depois achei que não era a minha vocação e enveredei por outro caminho. Mas ainda à segunda-feira, quando posso, vou jogar futebol com os padres no Externato de Penafirme”, relatou. Nuno Oliveira tem a experiência de ter contatado de perto com os três últimos patriarcas de Lisboa. De D. António Ribeiro lembra o episódio em que foi encarregue de ir comprar comida para cardeal, que se encontrava alojado no seminário de São José, no Estoril. “Fui levar-lhe a comida e estava tão atrapalhado que quando fui bater à porta nem reparei que estava aberta. Depois mandou-me entrar e durante uma hora tive uma conversa interessante sobre a minha vocação”. Sobre D. José Policarpo, recordou que “era uma figura carismática, muito brincalhona, sempre com pressa que a gente comesse para ele poder fumar o seu cigarro”. “Era uma pessoa com bons conselhos e empenhada que fossemos bons cristãos, não importando se chegássemos a padres ou não”, apontou. O atual patriarca, D. Manuel Clemente, “foi meu professor e dou-me muito bem com ele”, indicou.

“A zona vip nas festas da Foz era uma seca”

Ricardo Lemos começou a fazer rádio em 1994. Atualmente é técnico de vendas da Nos e mestre de reiki. “O que me chamou a atenção, porque me aborrece, é a questão da capacidade de resposta do nosso sistema de saúde”, disse, a propósito da notícia “Fisioterapia obrigatória nas Termas”, que tem a ver com a imposição que abrange os utentes do Serviço Nacional de Saúde, que são encaminhados para a unidade de fisioterapia do Hospital Termal sem poderem dirigir-se a entidades privadas com convenção, evitando que se esteja à espera de ser atendido. “Há uma falta de coordenação tremenda”, lamentou. A festa dos anos 80 e 90 na Foz do Arelho levou-o a dizer ter tido pena de não ter ido, por achar que o tempo não estava bom. “Foi com alguma pena que vi as fotografias nas redes sociais e vi o que perdi”, lamentou. Elogiou, no entanto, o facto de não existirem “pulseiras VIP”. “É mais bonito assim. E para além disso, quando eu estava na Assembleia Municipal [deputado pelo PSD] tinha acesso fácil à zona VIP e era uma seca. Estávamos ali a olhar uns para os outros. Para me divertir tinha de ir para fora da zona VIP. A única vantagem é que era mais económico no bar, mas como não sou pessoa de beber muito também não noto grande diferença. A zona VIP era só para satisfazer alguns egos e ainda bem que acabou”, comentou. Ricardo Lemos acha que fazem falta na Foz estabelecimentos de diversão noturna de referência, como era o caso da Green Hill. “Dantes vinham pessoas de fora, até de Lisboa”, recorda. Mas, admitiu, “já não se sai tanto à noite, porque há muita oferta para ficar em casa, começando pelas televisões, onde se pode estar entretido uma noite inteira a ver filmes”. A notícia da Feira d’Avenida mereceu o elogio à Papelaria Vogal, entidade organizadora. “Este estabelecimento teima em ser um dos grandes agentes culturais nas Caldas. É um exemplo do que é ser comerciante. Tem iniciativas que fazem com que pelos lados da Avenida as coisas se vão agitando”, referiu. Falando sobre o incontornável tema das obras de regeneração urbana, que tem merecido várias notícias, Ricardo Lemos reconheceu que houve uma retirada massiva de lugares de estacionamento. Contudo, argumentou que “existem ainda estacionamentos na zona urbana” e que não há parquímetros. “Há cidades com a dimensão das Caldas que têm parquímetros por todo o lado”, fez notar. Defendeu, no entanto, que os parques do CCC e da 5 de Outubro deviam manter a hora e meio de estacionamento gratuito que vigora enquanto durarem as obras na cidade ou até haver validação de bilhetes através de compras no comércio tradicional. “Fazer compras num estabelecimento podia levar a oferecer horas de estacionamento ao cliente, com o apoio da autarquia”, sustentou, sublinhando que “existe um centro comercial que já oferece duas horas de estacionamento aos seus clientes”. A notícia de que o Governo deu ordem para avançar com intervenção na Linha do Oeste foi lida com alguma desconfiança. “É ver para crer, porque isto diz-me muito pouco. Parece-me que já ouvi isto em algum lado”, afirmou. Sobre a ligação ferroviária entre o Oeste e a Galiza, defendida pela Óbidos.Com, considerou ser “lirismo”. “Não acredito que venha a acontecer”, manifestou.

“Em várias ruas da cidade acabamos por acertar nos buracos”

Raul Gomes ainda permanece ligado ao mundo da rádio, depois de anos com programas na Rádio Litoral Oeste. Saiu da emissora e criou a rádio Motard FM, na internet, com estúdio montado nos Silos, nas Caldas da Rainha. Trata-se de uma rádio que, como o nome indica, se dedica à divulgação de eventos motorizados. É também diretor e instrutor da escola de condução Caldas. A primeira notícia do Jornal das Caldas que foi comentada foi a que dava conta da queda de um turista espanhol das muralhas de Óbidos. “Em noites de verão passeava nas muralhas e demorava 53 minutos a dar a volta completa. Tem-se uma vista fabulosa da zona circundante de Óbidos e da própria vila. Vale a pena, só que tem de ser feito com cuidado. É um sítio perigoso em que um descuido a queda seria bastante feia”, declarou. “Haveria alguma forma de prevenção desses acidentes sem desvirtuar a muralha?”, interrogou. A Festa das Tasquinhas na Expoeste foi outra notícia escolhida por Raul Gomes. “A adesão do povo foi grande. Pode-se fazer uma semana cultural e se se fizer uma semana de tasquinhas, estas vão bater de longe a semana cultural”, considerou. “É juntar o útil ao agradável. Encontrar os amigos, conviver e ter uma refeição típica, é uma ótima desculpa para sair à noite”, apontou. A detenção nas Caldas de um brasileiro acusado de participar num homicídio no Brasil foi também abordada. “É quase uma história à americana, um CSI. O mais impressionante é o móbil do crime – críticas que a vítima, um jornalista desportivo, fez, por causa de futebol”, disse. O 5º encontro de ferrugentos do Vau, um passeio motard, não podia deixar de ser focado por Raul Gomes. “Estes eventos estão em alta. Todos os anos há vários e reúnem jovens e menos jovens”, indicou. Raul Gomes aproveitou para questionar a autarquia caldense: “Quando é que a Rua Vitorino Fróis (estrada da Foz) será asfaltada? Qualquer dia vou perder peças da moto ou do carro quando passar ali. Falo por muitos utentes dessa estrada”. Como instrutor de condução, confessou que “por mais cuidados que tenhamos, em várias ruas da cidade acabamos por acertar nos buracos”. A notícia de um almoço solidário na Dagorda, Cadaval, para ajudar a comprar uma prótese para a perna que custa 4346 euros, mereceu o comentário: “É sempre de louvar este tipo de iniciativas, que no mundo das motas também se fazem várias vezes. Quando alguém precisa, nós estamos lá, é algo que nos caracteriza”. Oportunidade então para falar da Rádio Motard FM. “Surgiu de crowdfunding [contribuições],os primeiros a ajudar foram os ouvintes, amigos e motoclubes, que têm ajudado a manter este projeto”, revelou. Esta web-radio passa música rock e tem emissão 24 horas por dia, graças à programação de computador, havendo às quintas-feiras, das 22h às 00h, emissão em direto com informações e conversas motards.

Francisco Gomes

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