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Atraso nas obras de regeneração

PS caldense receia perda de fundos comunitários

Marlene Sousa

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O Partido Socialista das Caldas da Rainha acusa a câmara PSD de ter lançado “o caos” na cidade com a realização simultânea de várias obras de regeneração urbana, que atingiram “um estado de descoordenação e um desmazelo tal que não pode deixar de ser detalhadamente denunciado e conhecido pela população das Caldas da Rainha”. Exige “um ritmo mais acelerado na execução”, não só para que sejam cumpridos os prazos, mas também para minimizar “os avultados prejuízos e transtornos para os comerciantes, residentes, visitantes e para a própria imagem da cidade”. Os vereadores do PS, Rui Correia e Jorge Sobral, que falavam numa conferência de imprensa que decorreu na passada quinta-feira no gabinete da vereação, na câmara municipal, alegam que “a habitual falta de planeamento da autarquia deixou a vida das pessoas e todo o comércio em polvorosa” e criticam “o ritmo lento” a que decorrem as obras que põe em “sério risco a perca de grande parte do dinheiro dos fundos comunitários”. “Previa-se um prazo de 36 meses. Vamos em 59. Todos os prazos foram largamente ultrapassados”, disse Rui Correia, preocupado com “o risco de perder milhões de euros”. “O orçamento deste ano diz com clareza que dos 10.467.158,82€ as Caldas da Rainha ainda só receberam 1,7 em virtude de não haver obra para rececionar”, adiantou Rui Correia.
O Partido Socialista diz que as obras lançaram o caos na cidade

O vereador da oposição diz que a “Câmara vive um estado de absoluto frenesim precisamente porque se considera que depois de todos os adiamentos que a lei foi permitindo que ocorressem e de muitos contatos a pedir o prolongamento desses limites nós estamos neste momento em sério risco de perder grande parte desse dinheiro”.

As obras, que inicialmente se previa estarem concluídas em 2013, foram reprogramadas e o seu prazo de conclusão alargado, decorrendo atualmente, entre outras intervenções, a requalificação da Praça da Fruta e da Avenida 1º de maio e a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na praça 25 de Abril.

A vereação do PS alegou que todos os planos originais da regeneração urbana foram “constante e sucessivamente subvertidos”. “Nada do que ficará feito tem a ver remotamente com o que se pretendia”, manifestou Rui Correia, revelando que as obras estão “muito aquém do que é exigível”, com “gravíssimas consequências para o comércio, turismo, segurança e circulação de pessoas e bens”. Para este responsável o resultado é muito preocupante e não tem dúvida alguma que dentro em breve “será precisa nova regeneração para pagar os erros desta”.

O autarca criticou a notícia de um jornal que dizia que as obras da regeneração urbana estavam “azaradas”. “Quando os erros de desenho obrigam a mudanças de troços rodoviários porque os veículos não conseguem manobrar em algumas curvas, isso não é azar: é incompetência negligente e é fazer tudo em cima do joelho, às pressas”, apontou, acusando “o PSD de brincar às regenerações urbanas”.

Para os vereadores do PS, “o executivo PSD revelou uma incapacidade e impreparação para um projeto mal concebido e pior executado”. Consideram que a Câmara, com 10 milhões de euros, perdeu a oportunidade de ter feito mais, como por exemplo “um novo parque urbano, um novo terminal rodoviário, uma nova circular externa, a estrada para Santa Catarina, recuperação de edifícios patrimoniais emblemáticos e promoção da moribunda vocação termal, novas estruturas e rotinas de manutenção e limpeza da cidade, novos espaços de convívio e reanimação de novos centros para a cidade, promoção de uma cidade inclusiva, rede municipal de ciclovias e um canil municipal digno do nome”.

Qualidade do calcetamento da Praça da Fruta em causa

Na conferência de imprensa os vereadores do PS denunciaram a “gravíssima situação” das obras da praça da fruta, onde se previa a reparação do tabuleiro, “utilizando o empedrado original, o que não está a acontecer”. “O acompanhamento do restauro da praça foi feito por uma equipa de peritos em calcetaria que, depois de muito se procurar, foi finalmente encontrada em Lisboa. Poucos meses depois essa equipa única, tida por devidamente formada e informada da responsabilidade do projeto, é substituída por outra cuja competência nos é totalmente desconhecida”, explicou Rui Correia.

Os vereadores do PS colocam em causa a qualidade e execução do calcetamento e levantam as mesmas apreensões que no passado levaram “à destruição de artérias que foram sujeitas aos mesmos trabalhos como a escadaria empedrada da rua do Largo Rainha D. Leonor. Pedras de tamanhos diferentes, cores diferentes, formas diferentes, uma aplicação deficiente, plena de irregularidades e ondas, contribuirão para um resultado final de medíocre qualidade”.

Para estes autarcas “é frustrante verificar que o cuidado que foi colocado no registo e análise do tabuleiro da Praça da Fruta são agora desaproveitados de forma tão grosseira, aceitando-se a aplicação do novo empedrado por quem quer que esteja disponível, seja qual for a sua competência para o efeito”. Consideram que isso ocorre porque “neste momento nenhuma das pessoas que haviam sido contactadas para coordenar os trabalhos de calcetaria está disponível para o fazer, vivendo-se um impasse no momento em que estes trabalhos se encontram em curso a toda a pressa”.

Recorde-se que os vereadores do PS continuadamente sublinharam que este seria um trabalho de restauro, de reparação e não de substituição. Foi inclusivamente deliberado que alguns dos empedrados da praça seriam conservados exatamente como estavam, por ali se encontrar um verdadeiro manual de técnicas diferentes de calcetaria que, ao longo dos tempos, foram sendo aplicados naquele local. “Não é nada disso que está a acontecer. A atual execução não aproveita nem preserva nenhum do empedrado original”, sublinhou, Rui Correia.

Os socialistas confessaram ainda terem ficado surpreendidos com “as medições rodoviárias desta obra, que foram corrigidas pela população, que percebeu serem impossíveis as manobras de alguns veículos”.

Referiram ainda que houve “entidades estranhas às obras que selaram esgotos de particulares que um dia viram as suas casas inundadas de fezes apenas porque a coordenação da obra é feita sem a cautela e o planeamento indispensáveis, obrigando a trabalhos, demoras e despesas adicionais sem qualquer razão de ser”.

O PS publicou no seu blogue um histórico daquela que tem sido “a ação dos vereadores do PS ao longo dos últimos quatro anos em relação às irregularidades e erros cometidos por esta administração PSD”. Sustenta que os vereadores do PS “estão disponíveis para ajudar porque foram eleitos e têm a responsabilidade perante os eleitores”. “Nós não nos entendemos como um grupo contestatário. Não temos poder executivo mas estávamos disponíveis para o ter porque esta cidade não pode continuar a ser gerida por três pessoas”, referiu Jorge Sobral, apontando que é através da denúncia pública que conseguem pressionar o executivo da Câmara. Mostrou-se também preocupado com a cedência do património do Hospital Termal para a Câmara, comentando que “ninguém sabe quem vai gerir”. Revelou ainda a sua discordância com o fato de haver alguns espaços, como o Museu do Hospital, que não faz parte do património que vai ser cedido à autarquia caldense.

Marlene Sousa

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