O executivo municipal, perante a chantagem intolerável da tutela, exercida através de pressões inadmissíveis, da desorçamentação e do desinvestimento, embora reconhecendo as malfeitorias praticadas, em vez da mobilização ativa da comunidade na defesa enérgica daquilo que é seu, preferiu assumir uma postura de resignada submissão, conformando-se até, implicitamente, com a desvalorização e a subestimação posta em marcha sobre as virtudes terapêuticas únicas da nossa água termal. Por mais apelos «à coragem» que se lancem e declarações otimistas de que tudo irá correr bem, o que é certo é que há situações em que ceder um pouco nos princípios é capitular em absoluto. Não se trata, como nos acusam alguns, de rigidez dogmática ou da vontade absurda de um qualquer imobilismo. Trata-se tão só da lucidez de reconhecer e identificar a realidade e dela extrair ilações.
A CDU alerta para o facto de o executivo municipal e a sua maioria, ao pactuar com a pretensão governamental de que o Estado se eximisse ao ónus que lhe incumbe, desprezando ostensivamente o Hospital e as Caldas da Rainha, ter aberto a porta não só a pretensões de rendas excessivas por parte do governo como também a ameaças reais que podem desvirtuar e descaracterizar seriamente o entendimento convergente que havia sido alcançado para o funcionamento do Hospital Termal, correndo-se o risco de se virem a verificar formas encapotadas de privatização.
A CDU relembra que sempre defendeu a propriedade e gestão pública do mais antigo Hospital Termal do Mundo, integrado plenamente no SNS, o aumento das suas valências e do caráter preventivo dos tratamentos, a unicidade do património e a urgência de um indispensável maior investimento, admitindo a possibilidade da exploração supletiva da água termal por privados desde que não ponha em causa a condição estruturante do Hospital Termal, de vocação pública como tem sido a sua desde há 5 séculos.
CDU das Caldas da Rainha



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