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Ação de salvamento a embarcação de pesca desgovernada

Francisco Gomes

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Uma embarcação de pesca matriculada em Peniche esteve quase um dia à deriva com cinco tripulantes a bordo, a 230 quilómetros a Oeste do Cabo de São Vicente, ao largo de Sagres, no Algarve, junto ao banco de pesca do Gorringe. O Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa) coordenou, desde as 12 horas do dia 29 de julho, uma operação de salvamento à embarcação “Cristo Deus”, cujo proprietário e mestre reside em Porto Dinheiro, na Lourinhã, concelho onde moram os restantes quatro tripulantes. Aos pescadores não aconteceu nada. A Marinha esteve sempre em contato com o barco e apurou que os tripulantes aguardavam com calma a chegada dos meios de socorro.
Barco ficou imobilizado a 230 quilómetros da costa (foto Marinha)

A embarcação emitiu um pedido de auxílio para o MRCC Lisboa, depois de ter ficado desgovernada na sequência das artes que utiliza para pescar se terem enrolado acidentalmente nos veios e hélices.

“Após a receção do pedido de assistência e por se suspeitar que do incidente poderia resultar uma entrada de água inadvertida pelo veio da embarcação, situação essa que colocava em risco a salvaguarda da vida humana dos pescadores embarcados, foi empenhado um navio para prestar eventual auxílio e simultaneamente garantir a segurança da navegação junto à área, visto a embarcação se encontrar desgovernada”, revela a Marinha.

A corveta Batista de Andrade chegou ao banco Gorringe às 7h30 da manhã do dia 30. Com recurso à equipa de mergulhadores do navio foi possível verificar que não existia risco de entrada de água pelo veio da embarcação, tendo sido possível soltar o emaranhado dos cabos enrolados na hélice, numa operação demorada e complicada.

Devolvido a capacidade de propulsão, a embarcação imobilizada regressou ao início da tarde do dia seguinte, ao porto de pesca de Sesimbra, onde costuma operar, tendo sido acompanhada pela corveta.

Em Sesimbra, a embarcação foi alvo de uma inspeção técnica pelo perito da Autoridade Marítima local para se confirmar a condição de navegabilidade, garantindo assim que a mesma possa futuramente navegar e prosseguir com a sua atividade de pesca em segurança.

Jerónimo Rato, presidente da Associação dos Armadores da Pesca Local, Costeira e Largo da Zona Oeste, sedeada em Peniche, da qual o mestre da embarcação “Cristo Deus” é associado, comentou sobre o incidente na embarcação que “todos os dias temos participações de cabos presos nas hélices, agora trancar e impossibilitar navegar já não é tão normal acontecer”.

“São coisas que se passam na faina, e o que se tem de fazer, quando é possível, é mergulhar e cortar ou desembaraçar o cabo ou então tentar vir para terra em marcha lentas, mas não se pode forçar porque está sujeito a partir a manga e o veio e o barco ir ao fundo”, descreveu.

“Os tripulantes não sofreram nada porque o barco flutua, mas estando numa zona de passagem de navios, podia ser perigoso por estar uma rota de possível colisão”, vincou.

Francisco Gomes

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