Embora tenha sido proposto a sua integração numa escola especial, “a mãe do David não aceitou”, considerando que com esta solução “nunca iria conseguir ter uma linguagem oral”, referiu Margarida Nunes.
Neste processo de integração, a docente destaca o contributo da mãe de David, do Agrupamento, dos professores de educação especial e das próprias crianças que “se empenharam e entusiasmaram pela Língua Gestual Portuguesa, ao ponto de hoje todos conseguirem comunicar através desta língua”.
Em resultado do empenho de todas estas pessoas, quatro anos depois “o David consegue falar, consegue fazer a leitura labial e desenvolveu de uma forma extraordinária a linguagem oral”.
No que diz respeito à reação dos restantes alunos em relação a David, Margarida Nunes refere que foi “muito bem aceite e teve sempre uma grande ajuda por parte dos colegas”.
A título de exemplo, a docente explicou que “no segundo ano, quando íamos à biblioteca ouvir uma história, os colegas, sabendo que o David não conseguia ouvir, tentavam explicar-lhe a narrativa em língua gestual”.
Como sublinhou, “a equipa de médicos que segue o David no Hospital de Santa Maria deu os parabéns ao Agrupamento, porque tem feito coisas inacreditáveis que eles nunca imaginariam que era possível tendo em conta o seu problema de surdez”.
Depois um primeiro ano de experiência, o gosto pela Língua Gestual Portuguesa acabou por chegar a uma outra turma, mas neste caso coube aos próprios alunos da professora Margarida Nunes a tarefa de ensinar os colegas.
Sobre o futuro do projeto, Margarida Nunes afirmou haver interesse por parte de duas turmas, um do pré-escolar e outra do 1º ciclo, em prosseguir com o ensinamento da Língua Gestual Portuguesa. “É uma segunda língua que nunca mais vão esquecer”, concluiu.




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