Seguiu-se a visita ao atelier-museu António Duarte, que foi reaberto após obras orçadas em cerca de 20 mil euros. Encerrado em 19 de janeiro de 2013, após uma intempérie que danificou a cobertura, foi efetuada uma intervenção em que foram reparados os terraços e claraboias e reorganizado o discurso expositivo.
De acordo com a autarquia, “esta reorganização fazia sentido tendo em conta já terem passado doze anos desde a última vez que o museu sofreu uma modernização”. Durante este período avançou o processo de documentação da coleção e, com isso, um maior conhecimento sobre a vida e obra de António Duarte, que culminou com o lançamento de um livro sobre o artista.
A atualização do museu, para além da nova disposição das obras e inclusão de peças que estavam guardadas, passou também pela melhoria dos suportes de exposição e uma intervenção de fundo em espaços não expositivos, nomeadamente os sanitários e a cafetaria.
Na reabertura do museu foi inaugurada uma exposição gráfica sobre o 15º Simppetra, com a exibição dos processos de candidatura. Este ano houve 123 candidatos, de 46 países, para apenas seis vagas disponíveis. Foram selecionados artistas da Hungria, Turquia, Taiwan, Japão, Alemanha e Brasil.
“É o mais antigo simpósio permanente na área da escultura em Portugal”, referiu Tinta Ferreira. “Em 1986 tivemos o sonho de criar um simpósio de escultura em pedra. Na altura poucos acreditavam que era possível, tendo em conta a exiguidade dos meios. Não tínhamos o equipamento nem a pedra”, recordou a vereadora da cultura, Maria da Conceição.
O Centro de Artes foi transformado num espaço de experimentação e liberdade criativa e ao longo de três semanas – 1 a 22 de julho – apesar do níveis altos de ruído e o levantamento de pó que decorrem do processo criativo da escultura em pedra devido à utilização de ferramentas pesadas, os escultores aplicaram-se para criar uma obra que irá fazer parte do património municipal, para ser colocada em espaços públicos nas Caldas da Rainha.
Os escultores mostram-se encantados com o ambiente. Foram selecionados Gábor Miklya (nascido em 1971), da Hungria, Aynur Öztürk (1985), da Turquia, Chan Shih-Tai (1971), de Taiwan, Kubo Takeshi (1974), do Japão, Susanne Paucker (1977), da Alemanha, e Luciano Lara (1976), do Brasil.
Susanne Paucker declarou ao JORNAL DAS CALDAS, que “participo em vários simpósios, mas este tem a área, a eletricidade, tudo está preparado, se precisamos de algo há pessoas para nos ajudarem, é uma organização bastante profissional”.
Luciano Lara comentou que “estar aqui neste simpósio, que é mundialmente conhecido, é um sonho para todos os escultores. Trabalhando a pedra, entregamo-nos emocionalmente”.
Estudantes de Belas Artes em Portugal ajudaram no trabalho. Um deles, Miguel Santos, relatou que “é bastante bom, porque trabalhamos com máquinas que não existem na faculdade, tendo em conta a dimensão das peças. É enriquecedor”. Os jovens, para além da participação, receberam como prémio uma rebarbadora.
Interligar museus pode contar com fundos comunitários
A ideia é antiga mas nunca foi concretizada: a interligação física dos vários museus – municipais e do Estado, nomeadamente os que constituem o Centro de Artes e os museus da Cerâmica e Malhoa.
Questionado pelo JORNAL DAS CALDAS, o secretário de estado manifestou que “interligar os museus faz todo o sentido, temos toda a disponibilidade para que isso possa acontecer. Há um novo quadro comunitário 2014-2020, os regulamentos estarão brevemente disponibilizados e nessa altura poderemos falar mais concretamente. O Governo tem todo o interesse em colaborar”.
No âmbito desta deslocação às Caldas da Rainha foi ainda visitado o Espaço Concas.
Francisco Gomes









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