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Apresentação do Plano Local de Saúde

Suicídio aumentou na região Oeste Norte

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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A apresentação pública do Plano Local de Saúde da Região Oeste Norte, que abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, teve lugar no dia 10 de julho, no auditório da Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo é o primeiro plano de saúde implementado e é composto por seis programas: VIH/SIDA; Saúde Mental; Estilos de Vida - precoce de fatores de risco para a diabetes mellitus e doenças-cérebro cardiovasculares e ainda a Educação para a Saúde em Meio Escolar “Movimento Escola/Cidade dos Afetos”. Neste plano local de saúde, os programas de saúde definidos como prioritários são os que têm um peso mais elevado na população, em termos de morbilidade e mortalidade e que estão associados a um maior consumo de cuidados.
Jorge Nunes, Clara Abrantes, António Tavares e Ana Pisco, na apresentação do plano

“Ir ao encontro das necessidades de saúde das pessoas que os parceiros definiram como importantes e que querem ver minimizados na população”, é o objetivo do plano, disse Jorge Nunes, coordenador da Unidade de Saúde Pública Zé Povinho, que liderou o plano em conjunto, com Inês Campos Matos, médica interna de Saúde Pública. “O estudo tem indicadores de quais os problemas que nestes três anos queremos ver minimizados”, apontou o responsável.

Os problemas que foram mais valorizados foram a SIDA, diabetes e Saúde Mental. Segundo Jorge Nunes, os problemas de saúde mental têm aumentado muito, devido a vários fatores, como a crise. “A taxa de suicídio na Região Oeste Norte tem aumentado e em 2013 foi superior à média nacional”, revelou o coordenador da Unidade de Saúde Pública. Quanto à taxa de suicídio do corrente ano, ainda não tem os dados trabalhados, mas a perceção é que “não diminuiu”.

O Plano Local de Saúde da Região Oeste Norte tem a comunicação social incluída no painel de peritos. “Eu costumo dizer a comunicação social e as autarquias são os melhores parceiros que a saúde deve ter”, afirmou, este responsável que pretende trabalhar com a imprensa local e regional com o intuito de “divulgarem os planos, e de colaborarem na educação para a saúde das pessoas”. “As Câmaras são bons parceiros na criação de condições para as pessoas terem uma vida mais saudável”, adiantou Jorge Nunes.

40% da população convive com fatores de risco

“Em termos gerais quando olhamos para qualquer população num determinado momento, veremos uma carga de doença aguda de 10% e de incapacidade de 10%. Dos restantes 80%, cerca de 40% são saudáveis e os restantes 40% convivem com um ou mais fatores de risco para a saúde (como por exemplo diabetes, tabagismo, obesidade, entre outros)”, disse Ana Maria Pisco, diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte (ACES), que falava na abertura da sessão de apresentação do plano de saúde. Para esta responsável, cabe à saúde pública com a avaliação das necessidades de saúde, definir prioridades e desenvolver estratégias para a intervenção na promoção e prevenção da doença.

Ana Pisco referiu ainda que a longevidade dos cidadãos tem aumentado, sendo este “um indicador influenciado por múltiplos fatores, crendo que o investimento que tem sido feito nos últimos 30 anos, sobretudo nas camadas mais jovens, para a prática de estilos de vida saudáveis, terá também tido o seu papel”.

Para Clara Abrantes, presidente cessante do Conselho da Comunidade e vereadora do Pelouro da Saúde da Câmara de Peniche, o planeamento em saúde é de extrema importância, pois, se por um lado permite um diagnóstico das necessidades reais e sentidas de saúde e a racionalização do uso de recursos com vista a atingir os objetivos fixados na redução/minimização dos problemas de saúde considerados como prioritários, por outro permite a “corresponsabilização dos vários setores socioeconómicos em todas as fases de planeamento”. Salientou ainda que o seu sucesso depende, também, da cooperação articulada dos vários setores que compõem a comunidade.

Na sessão de abertura, António Tavares, delegado de saúde regional de Lisboa e Vale do Tejo, também elogiou o “excelente trabalho desenvolvido pela Unidade de Saúde Pública”, referindo que o Aces Oeste Norte com o seu empenhamento e com o seu esforço indicia que “muito provavelmente neste horizonte 2014/2016, estes objetivos serão atingidos e que os níveis de saúde da população aqui sejam cada vez melhores”.

Os registos dos Cuidados de Saúde Primários mostram que a hipertensão arterial é o problema que mais se destaca.

Sida

Os casos acumulados de infeção por VIH até 2012, na Região Oeste Norte, totalizam uma prevalência de 2.6 casos por cada 1000 habitantes, um número inferior à prevalência nacional de 3.9. No entanto, o concelho de Peniche, com uma prevalência de 5.3, ultrapassa largamente o valor nacional.

Segundo dados do Plano Local de Saúde, a elevada prevalência de infeções por VIH em determinados concelhos da Região Oeste Norte (Peniche e, em menor dimensão, Nazaré) chama a atenção para a necessidade de alterar comportamentos de risco que levam a novas infeções.

O plano pretende lançar as bases para uma intervenção prolongada e sustentável que promova uma diminuição dos comportamentos de risco para a infeção por VIH, começando no concelho de Peniche.

Outro objetivo é implementar nas unidades nas Unidades de Saúde do ACES a realização de testes rápidos VIH para os utentes que o desejem, e fornecer/aumentar os conhecimentos sobre infeção VIH/SIDA, sobretudo os relacionados com a prevenção, aos utentes que procuram a consulta de rastreio.

Este programa já se iniciou, encontrando-se agora na formação de médicos e enfermeiros e outros técnicos.

Saúde Mental

Segundo informação do plano local de saúde, num estudo efetuado no concelho das Caldas da Rainha entre 2009 e 2012, uma amostra de 424 utentes inscritos no ACES respondeu ao questionário General Health Questionnaire. Os resultados mostraram que um terço dos participantes tinha mal-estar significativo, sugestivo de patologia psiquiátrica, as mulheres tinham pior Saúde Mental, sobretudo as de baixa escolaridade e existia uma relação entre a Saúde Mental e acontecimentos de vida perante a conjuntura económica desfavorável, o desemprego e a pobreza

A mortalidade por suicídio nesta região é, desde 2010, mais elevada que a nacional, com cerca de 1,2 mortes por 1.000 habitantes na região em 2012. Por outro lado a patologia mental é frequentemente causa e consequência de episódios de violência, nomeadamente intrafamiliar.

Estilos de vida

Investigação epidemiológica recente mostrou que tanto a Diabetes como as Doenças Cérebro-Cardiovasculares são problemas importantes da população residente na Região Oeste Norte. As elevadas taxas de mortalidade por estas doenças obrigam a refletir e a intervir sobre a sua origem.

Por isso, o programa “Estilos de Vida” procurará lançar as bases para uma intervenção organizada e sustentável que pretende, em última análise, promover a adoção de estilos de vida saudáveis.

Quanto ao programa “Cidade dos Afetos”, no âmbito da Educação para a Saúde em Meio Escolar, é centrado na escola, com a participação ativa de alunos, professores e restante comunidade escolar, tendo na maçã o elemento promotor de bem estar e saúde.

O Plano Local de Saúde da Região Oeste Norte, para o triénio 2014/2016, contou com a participação dos profissionais de saúde de todas as Unidades de Saúde do ACES e de diversos parceiros da comunidade.

Marlene Sousa

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