Segundo Jorge Mangorrinha, “em Portugal, tem havido uma preocupação grande acerca das questões técnicas e espaciais associadas ao termalismo. Desde há muito tempo que toda uma complexidade de processos técnicos inerentes à especificidade destes edifícios termais foi incorporada na arquitetura, com supervisão das entidades reguladoras oficiais do governo português”.
“Esta arquitetura deu suporte a redes e espaços funcionais e técnicos, com particular incidência a partir do século XIX, de acordo com a conjuntura higiénica e o novo modelo de salubridade decorrente do progresso científico regenerador. A especificidade da arquitetura termal passou a incorporar um conjunto de equipamentos e acessórios terapêuticos que existiram a partir das necessidades prescritas medicamente e que condicionaram a própria conceção dos espaços. O desenho procurou uma maior ergonomia em função das diferentes terapias. De uma forma gradual, a arquitetura dos balneários foi recebendo notório desenvolvimento. Ganhou dimensão e conforto”, indicou.
De acordo com Jorge Mangorrinha, “mais recentemente, em finais da década de 1980, assistimos a uma remodelação progressiva dos equipamentos e instrumentos utilizados nas termas portuguesas, a novas metodologias programáticas, a novas normas de higienização e a novos materiais na arquitetura e nas engenharias associadas (de maior durabilidade e otimização de custos)”.
O especialista sublinhou que desde 2009 que, em Portugal, há um Manual de Boas Práticas destinado aos estabelecimentos termais. “Foi um diploma inovador, procurando responder às exigências relativas à prestação de cuidados de saúde, às tendências de mercado e aos novos fatores de competitividade, com o objetivo de estimular a modernização e requalificação das infraestruturas e equipamentos dos estabelecimentos termais portugueses. Para alcançar este objetivo foi importante adequar a atividade termal às expectativas e exigências dos consumidores, promovendo a qualidade dos serviços que procuram e que lhes são prestados. Hoje em dia, a complexidade e a interdependência dos sistemas e a importância de certos gestos ou decisões, nomeadamente pelos desafios económicos que os acompanham, amplificam as consequências de uma simples disfunção ou de um erro. Por isso, é preciso não só procurar evitar a falta de qualidade, mas também tentar demonstrar aos vários intervenientes nesta atividade que foram tomadas todas as medidas a fim de garantir a melhor qualidade possível”, sustentou.
Para Jorge Mangorrinha, “a otimização de recursos e custos nas instalações termais, tema base deste congresso, é tanto ou mais importante como assegurar, em cada estância, a existência de um sistema termal que incorpore a hidrologeologia, a hidrologia médica, o ritualismo, a arquitetura, o ordenamento do território e o património. Importa que os investimentos acrescentem qualidade a cada uma das partes e, como consequência, ao sistema, que não dispensa qualquer uma daquelas partes”.
Francisco Gomes




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