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Especialista caldense fala de termalismo em Espanha

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A Sociedade Internacional de Técnicas Hidrotermais e a Organização Mundial do Termalismo realizaram, nas Termas de Cuntis (Espanha), entre 13 a 15 de junho, o 41.º Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Técnicas Hidrotermais, com participações da Europa, América e Ásia. O tema foi o "Termalismo no Segundo Milénio", tendo o especialista caldense Jorge Mangorrinha, a convite da organização, feito uma intervenção.
orge Mangorrinha no 41.º Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Técnicas Hidrotermais

Segundo Jorge Mangorrinha, “em Portugal, tem havido uma preocupação grande acerca das questões técnicas e espaciais associadas ao termalismo. Desde há muito tempo que toda uma complexidade de processos técnicos inerentes à especificidade destes edifícios termais foi incorporada na arquitetura, com supervisão das entidades reguladoras oficiais do governo português”.

“Esta arquitetura deu suporte a redes e espaços funcionais e técnicos, com particular incidência a partir do século XIX, de acordo com a conjuntura higiénica e o novo modelo de salubridade decorrente do progresso científico regenerador. A especificidade da arquitetura termal passou a incorporar um conjunto de equipamentos e acessórios terapêuticos que existiram a partir das necessidades prescritas medicamente e que condicionaram a própria conceção dos espaços. O desenho procurou uma maior ergonomia em função das diferentes terapias. De uma forma gradual, a arquitetura dos balneários foi recebendo notório desenvolvimento. Ganhou dimensão e conforto”, indicou.

De acordo com Jorge Mangorrinha, “mais recentemente, em finais da década de 1980, assistimos a uma remodelação progressiva dos equipamentos e instrumentos utilizados nas termas portuguesas, a novas metodologias programáticas, a novas normas de higienização e a novos materiais na arquitetura e nas engenharias associadas (de maior durabilidade e otimização de custos)”.

O especialista sublinhou que desde 2009 que, em Portugal, há um Manual de Boas Práticas destinado aos estabelecimentos termais. “Foi um diploma inovador, procurando responder às exigências relativas à prestação de cuidados de saúde, às tendências de mercado e aos novos fatores de competitividade, com o objetivo de estimular a modernização e requalificação das infraestruturas e equipamentos dos estabelecimentos termais portugueses. Para alcançar este objetivo foi importante adequar a atividade termal às expectativas e exigências dos consumidores, promovendo a qualidade dos serviços que procuram e que lhes são prestados. Hoje em dia, a complexidade e a interdependência dos sistemas e a importância de certos gestos ou decisões, nomeadamente pelos desafios económicos que os acompanham, amplificam as consequências de uma simples disfunção ou de um erro. Por isso, é preciso não só procurar evitar a falta de qualidade, mas também tentar demonstrar aos vários intervenientes nesta atividade que foram tomadas todas as medidas a fim de garantir a melhor qualidade possível”, sustentou.

Para Jorge Mangorrinha, “a otimização de recursos e custos nas instalações termais, tema base deste congresso, é tanto ou mais importante como assegurar, em cada estância, a existência de um sistema termal que incorpore a hidrologeologia, a hidrologia médica, o ritualismo, a arquitetura, o ordenamento do território e o património. Importa que os investimentos acrescentem qualidade a cada uma das partes e, como consequência, ao sistema, que não dispensa qualquer uma daquelas partes”.

Francisco Gomes

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