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Célia Antunes recebeu prémio Soroptimist International Teresa Rosmaninho

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Célia Antunes recebeu, no passado domingo, o prémio Soroptimist International Teresa Rosmaninho, atribuído à mentora do Projeto Olha-Te, sedeado nas Caldas da Rainha, que através de atividades expressivas e artísticas ajuda doentes oncológicos e seus familiares. A cerimónia de entrega do prémio teve lugar no Sana Silver Coast Hotel, durante um jantar de gala, que serviu também para assinalar o dia da União de Portugal do movimento soroptimista, uma organização mundial de mulheres profissionais e de negócios, que desenvolve projetos de serviço em benefício de mulheres e meninas, e que se dedica à promoção dos direitos humanos e do estatuto da mulher.
Célia Antunes com elementos do movimento soroptimista

A União de Portugal, criada a 18 de maio de 1996, inclui oito clubes: Caldas da Rainha, Estoril Cascais, Évora, Lisboa Caravela, Lisboa Fundador, Lisboa Sete Colinas, Porto Invicta e Setúbal. Criou o prémio Teresa Rosmaninho, em homenagem à defensora intransigente dos direitos das mulheres e que dedicou grande parte da sua vida no combate à violência de género. Psicóloga clínica de formação, Teresa Rosmaninho, que foi presidente da Soroptimist International União de Portugal e fundadora e primeira presidente do clube do Porto Invicta, fundou em 1994 o “Porto d’ Abrigo”, casa de apoio para acolher vítimas de violência doméstica. Faleceu em 2011, vítima de cancro, aos 56 anos.

O prémio em sua honra distingue assim mulheres que se tenham destacado na vida cívica e comunitária, tendo o júri, formado pelos cinco elementos da direção da União de Portugal, analisado o currículo e percurso de cinco candidatas “que tão bem argumentam em prol do papel ativo e nobre da mulher na sociedade portuguesa e no mundo” e chegado à conclusão de que Célia Antunes “representa em 2014 os ideais soroptimistas e de Teresa Rosmaninho”.

Natural da Marinha Grande mas desde a infância nas Caldas da Rainha, Célia Antunes, de 40 anos, após ultrapassar um problema oncológico criou nas Caldas o projeto Olha-Te, que visa o bem-estar de doentes oncológicos e respetivos companheiros de luta, num convite para olhar para si próprio através de atividades expressivas e lúdicas.

Aos 30 anos, foi diagnosticado cancro a Célia Antunes, que travou uma batalha contra o tumor ao longo de sete anos, sentindo e compreendendo a necessidade de desenvolver uma plataforma de apoio àqueles que da mesma forma lutam contra esta doença.

É um projeto de cariz social, baseado no bem-estar e na esperança de uma melhoria de vida das pessoas carenciadas pelas circunstâncias da sua enfermidade, levando a praticar no dia a dia atividades artísticas e trabalhos manuais e despertando a sensibilidade artística. Procura, deste modo, “dar vida às pessoas que estejam doentes com cancro mantendo-as ativas, de forma a devolver-lhes o entusiasmo necessário a um quotidiano sustentável, física e emocionalmente estável e assim, se vejam apoiadas no processo de recuperação da doença”, dando-lhes “autênticas injeções de vida”.

Um projeto de reconhecido interesse social que tem vindo a crescer e que tem sede na associação Recreio Club, junto ao Parque D. Carlos I.

Homenagem em jantar de gala

No jantar, em que estiveram 120 pessoas, marcaram presença vários clubes soroptimistas, Márcia Brito, vice-presidente da União de Portugal, a filha de Teresa Rosmaninho, Catarina Corte Real, e a soroptimista ativa com mais sapiente, Lourdes Bettencourt, de 95 anos, primeira presidente do primeiro clube fundador.

Entre amigos e presenças institucionais, com destaque para o presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira, o presidente da Assembleia Municipal de Óbidos, Tinta Ferreira, e o presidente da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, Vítor Marques, Margarida Rodrigues, presidente do clube Soroptimist International de Caldas da Rainha, começou por anunciar a entrada de sete novos membros e revelou que tem trabalhado em projetos “de ajuda à comunidade no ideal soroptimista”.

“Os nossos projetos foram a entrega de telealarmes à Santa Casa da Misericórdia de Alfeizerão, a nomeação das Capuchinhas de Serra de Montemuro-Castro d’Aire (tecelãs) que receberam o prémio de empreendedorismo de mulheres em meio rural, atribuição de uma bolsa de mil euros a uma estudante da ESAD.CR com um quadro sobre o tema “A mulher e a água” e doação de alcofas para prematuros à maternidade do hospital das Caldas da Rainha “, indicou, regozijando-se com a atribuição do prémio a Célia Antunes após proposta do clube caldense.

Lembrou que Teresa Rosmaninho “em setembro de 2007 esteve presente na festa de inauguração” do clube das Caldas da Rainha e “foi uma mulher que protegeu e continua a proteger a vida de muitas mulheres vítimas de violência doméstica”.

Márcia Brito leu uma mensagem em nome da presidente da União de Portugal, Maria Carrilho, que não pôde estar presente. “Gostaria de realçar o trabalho de organização do clube das Caldas da Rainha e temos de salientar que os nossos clubes se têm empenhado em concretizar muitas ações dignas de relevo”, constava da mensagem.

Sobre Teresa Rosmaninho, a presidente disse que “fascinou-me a sua vontade de pensar no melhor para as mulheres e crianças”, e acerca da premiada descreveu que Célia Antunes “tem demonstrado ser um veículo de transmissão de esperança, de alegria, visando o bem-estar físico e emocional.

Catarina Corte Real apresentou um trabalho sobre a vida da sua mãe, que comprovou os elogios antes recebidos.

Antes da entrega do prémio, a psicóloga Marisa Lourenço, do Olha-Te, relatou os momentos mais marcantes da vida de Célia Antunes, tendo nessa altura sido exibido um vídeo repleto de testemunhos sobre a premiada.

“A Célia continua a abranger transversalmente pessoas de vários grupos, várias idades, várias crenças, diferentes valores. Muitas dessas pessoas tornam-se muito próximas e, do nada, podem surgir as amizades mais profundas, como se a Célia conseguisse descongelar qualquer distância. Muito do crescimento do projeto Olha-Te deve-se a esta sua capacidade de comunicar, de estar com o outro e olhá-lo no seu melhor, sabendo reconhecer e sua vocação e de respeitar as dádivas que cada um traz para dar ao mundo”, declarou Marisa Lourenço.

“Pelas suas qualidades humanas, pelo bem que tem feito às pessoas da comunidade que de si se aproximam, pela vasta obra social levada a efeito no dia a dia, pelas injeções de vida que tem proporcionado aos doentes oncológicos e seus familiares, vai receber o prémio”, vincou Margarida Rodrigues, na altura da distinção.

“É com emoção e com um orgulho muito grande que recebo este prémio. É uma honra e valida o meu percurso de vida, aumenta a minha autoestima e é para mim uma injeção de vida”, declarou Célia Antunes, confessando que “o segredo são as pessoas que me rodeiam”, pelo que chamou para perto de si todos aqueles que consigo têm colaborado.

O presidente da Câmara das Caldas resumiu o espírito da noite: “Ouviram-se intervenções muito emocionadas, porque a Célia dá de si aos outros e contagia-os, e as Caldas têm a Célia no coração”.

Francisco Gomes

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