Quando vim há 8 anos para Portugal e escolhi as Caldas para morar, deliberadamente, fiquei a dois minutos do Parque que passei a visitar todos os dias. Conheço-lhe as árvores, os arbustos, as flores, as estações. Na cidade, a magnífica Praça da Fruta com as suas côres, cheiros e amáveis vendedores fizeram de mim uma amiga. Amiga grata também me fizeram as pessoas notáveis, muitas das quais estiveram comigo no Parque. Senti-me privilegiada. Comovida.
A visita guiada deu a volta por baixo ao Lago, onde nos mostraram fotos de senhoras enchapeladas nos barquinhos, ao acolhedor Caramanchão das glicínias odorosas, à Álea dos Plátanos, ao Terreiro de gratas memórias para muitos dos presentes. E acabou no Museu.
Assim se evitou o que estava, decerto, na consciência coletiva daquele grupo de pessoas preocupadas com o seu meio-ambiente. Não foi preciso. O silêncio foi clamoroso.
O grotesco assalto a este Parque secular continua em curso. Buracos enormes perto das raizes da vegetação centenária, cheios de cimento para aguentar os postes de madeira a ladear um corredor imenso para largar touros. Ainda mais buracos e mais cimento para bancadas para assistir a este espetáculo de celebração da cidade que ajudam a destruir.
E não vão ficar por aqui. O extensíssimo Património da Rainha (o Hospital Termal, as Águas, o Parque, a Mata, as Capelas, os Pavilhões, os inúmeros imóveis) vai também ser destruído, abocanhado. Lembro-me dos cantares de protesto do extraordinário Zeca Afonso: “Eles comem tudo…Eles comem tudo…E não deixam nada…”. A largada é, de facto, a dos ‘Vampiros’.
M.Mauperrin



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