O juiz Luís Dias esteve até à hora do julgamento ao telefone com o Conselho Superior de Magistratura para tentar que fosse nomeado um substituto, mas aquele órgão considerou que o processo podia aguardar mais trinta dias, até o magistrado regressar e agendar nova data para iniciar as audiências.
“Tem estado demorado mas agora ainda vai atrasar mais, devido à situação do juiz”, lamentou Virgínia Correia, viúva da vítima, que aguarda que “se faça justiça”.
No banco dos réus senta-se Merima Daniela, 39 anos, de nacionalidade romena, motorista da Rodoviária do Tejo há vários anos, que, a 18 de julho de 2012, atropelou Adão Correia, 63 anos.
A condutora não se apercebeu da presença da vítima na altura em que fazia marcha-atrás no terminal de autocarros de Peniche. Adão Correia, que tinha saído do hospital onde tinha ido fazer análises e se preparava para regressar de autocarro à sua residência no Alto Foz, Atouguia da Baleia, foi arrastado e sofreu um traumatismo craniano e múltiplas fraturas. Foi transportado de novo ao hospital, onde acabou por morrer.
Servente de pedreiro reformado, Adão Correia dedicava-se a trabalhos agrícolas, que ajudavam o sustento da casa. A família da vítima pede a condenação da arguida, acusada do crime de homicídio por negligência simples.
“Não matou por querer mas acho que foi falta de cuidado. Quando deu o primeiro impulso para trás, terá dito que sentiu qualquer coisa atrás. Então devia ter ido ver e não continuar a recuar. Foi aí que acabou de o matar”, manifestou Virgínia Correia.
A arguida conta como testemunhas de defesa com alguns colegas da Rodoviária e tentará demonstrar que a vítima poderia não estar no local adequado aos passageiros em espera e que, por isso, não terá havido descuido.
Francisco Gomes




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