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Comentadores de “Pontos de Vista” analisam portaria que retira valências ao hospital das Caldas

Francisco Gomes

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O Governo publicou a portaria 82/2014 de 10 de abril, justificando “estabelecer os critérios que permitem categorizar os serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde, de acordo com a natureza das suas responsabilidades e quadro de valências exercidas, e o seu posicionamento da rede hospitalar e proceder à sua classificação”. A portaria vem colocar o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) no Grupo I. Na prática, é previsível a retirada de valências.
José Carlos Abegão, do PS

O fórum político da Mais Oeste Rádio/Jornal das Caldas “Pontos de Vista” abordou este assunto na última emissão.

Paulo Freitas, do Bloco de Esquerda, comentou que “esta portaria é uma autêntica bomba e uma machadada como nunca ocorreu no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Vem reorganizar todo o quadro hospitalar do país e já estão a haver movimentações noutros centros hospitalares”.

No que diz respeito ao hospital de agudos das Caldas da Rainha, segundo apontou, “perderá imediatamente as seguintes valências: a dermatalogia, a urologia, que apesar de estar considerada, não funcionava por falta de especialista, e a anatomia patológica”.

“Ao ser desclassificado de nível 2 para nível 1, é expresso que apesar de ter serviço de ginecologia, não está previsto que tenha serviço de obstretícia, o que implica a perda da maternidade nas Caldas da Rainha”, indicou.

“O ministro disse que não vai fechar maternidades, mas aquilo que o ministro diz vale o que vale e a população tem de estar atenta à possibilidade de perder a sua maternidade. Certo é que o objetivo desta portaria é concentrar serviços em hospitais de referência e retirar valências do resto dos hospitais do país. E está determinado que há um prazo até 30 de setembro para ser adotada esta portaria à realidade local e chegarem propostas à Administração Central do Sistema de Saúde. Até lá temos oportunidade de fazer ouvir a nossa voz de protesto e não vejo qualquer problema que o presidente da Câmara convoque uma manifestação popular”, declarou.

Outra realidade é que “o Hospital Termal deixa de existir no quadro de referência dos hospitais, o que significa que saiu do SNS”.

Rui Gonçalves, do CDS-PP, começou por dizer que o Hospital Termal “não vai sair do SNS através desta portaria, porque na prática já saiu há muito. Isto é só oficializar”.

“O CHO perde três valências. Só há três ou quatro hospitais que ganham valências. Até 30 de setembro temos um “período de reclamações”, mas não tenhamos ilusões: Todos os hospitais gostariam de ter o máximo de valências, mas não é possível, porque o país não gera recursos suficientes”, manifestou.

José Carlos Faria, da CDU, considerou que “o que está na calha é o redimensionamento do SNS para níveis ínfimos e populações vão ficar privadas de acesso aos cuidados de saúde. Vamos ficar pior do que antes do 25 de abril”. “Acho bem que as pessoas se mobilizem porque o que está em marcha é uma coisa inquietante. Temos uma autarquia gerida pelo PSD e um governo PSD em coligação com o CDS e estamos a assistir ao maior ataque que me lembre a esta região”, sublinhou.

Relativamente ao Hospital Termal “os 500 anos de história é como se nunca tivessem existido”.

José Carlos Abegão, do PS, disse que o hospital passar para o nível é “desastroso e altamente preocupante”. “Temos de protestar muito alto até setembro contra esta perda de valências e espero que a Câmara Municipal tenha força para que junto do partido do Governo consiga que algumas destas coisas voltem atrás”, referiu.

António Cipriano, do PSD, argumentou que “nos últimos temos vindo a assistir à diminuição de alguns serviços do Estado, mas isso acontece porque o país não cresce e deixou de ter receitas para sustentar o estado social e foi obrigado a fazer cortes”.

“É importante que se possa reclamar para minorar o que se irá passar”, declarou.

Emanuel Pontes, do MVC, afirmou estar chocado “com a passividade das populações por algo que lhes interessa”. “É preciso que haja uma iniciativa da comunicação que envolva a população e traduza esta portaria e faça sentir à população as dificuldades que vai ter”, indicou, acrescentando que “espanta-me que o presidente da Câmara apenas responda que não é responsável pela perda de serviços”.

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