Aumento do salário mínimo em discussão em “Pontos de Vista”

Francisco Gomes

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A subida do salário mínimo é o tema que tem estado em destaque nos últimos dias. PSD e CDS/PP, os dois partidos que dão suporte à coligação governamental, consideram que faz sentido discutir uma eventual subida do salário mínimo nacional nesta altura, ao contrário do que acontecia há um ano.
José Correia, do BE

As confederações patronais estão disponíveis para discutir o aumento do salário mínimo para 500 euros, depois de o primeiro-ministro ter dado novamente sinal de que o assunto pode ser retomado.

A última vez que o salário mínimo nacional foi aumentado em Portugal foi em 2011, altura em que passou de 475 para 485 euros. É nesse nível que se mantém até este ano.

Há quem defenda que há empresas que podem não conseguir suportar a atualização do salário mínimo. Que consequências pode ter uma alteração? Justifica-se uma mudança? E em que moldes?

A par dos principais temas em destaque na edição do Jornal das Caldas, este é foi um assunto comentado em “Pontos de Vista”, na Mais Oeste Rádio, na passada quarta-feira.

José Correia, do BE, apontou que “Portugal é um dos países da União Europeia com os salários mínimos mais baixos”. “É importante aumentar o salário mínimo para, pelo menos, 515 euros. Já é uma ajuda para combater as desigualdades sociais. Trabalhadores com ordenado mínimo vivem abaixo do limiar da pobreza. O que é viver com menos de 500 euros, sustentar a família, pagar as despesas e chegar a meio do mês sem nada?”, questionou.

“Tem de ser um aumento que se veja e não se inflacione os preços dos produtos”, frisou.

“As entidades patronais conseguem suportar este aumento e se houver mais dinheiro, as pessoas compram mais produtos”, fez notar, criticando “a ideia estapafúrdia e ridícula, há uns meses, de baixar o ordenado mínimo para as empresas poderem contratar mais pessoas”.

José Carlos Abegão, do PS, argumentou que “este aumento já devia ter sido tratado há mais tempo, para as pessoas terem a vida um bocado melhor, mas não pode haver aumento dos preços”.

“Tem de ser urgentemente resolvido, porque temos uma discrepância entre os que têm dinheiro e os que não têm, e assim não pode haver justiça no país”, adiantou.

Edgar Ximenes, do MVC, sublinhou que os principais parceiros sociais estão dispostos a aumentar o salário mínimo. “Mais do que argumentos de ordem económica, há uma questão moral. Isto está no limiar da indecência. Estamos a falar de mais quinze euros e é ridiculamente pouco para quem precisa”, afirmou.

“Isto não repõe qualidade de vida nenhuma”, sustentou, comentando que “não quero um país low-cost”.

Rui Gonçalves, do CDS-PP, declarou que “a troika que nos tem governado quis reduzir o salário mínimo e o Governo conseguiu ir negociando”. “Em maio vamo-nos ver livres deste espartilho e ter espaço para finalmente equilibrar o valor do salário mínimo.500 euros ainda é baixo mas pode ser um princípio”, afirmou.

“Os trabalhadores insatisfeitos e mal pagos não são produtivos. Não existem modelos de desenvolvimento baseados em salários baixos”, referiu.

João Frade, do PSD, disse que “todas as pessoas só podem saudar este aumento do salário mínimo, que já há muito devia ter sido feito, mas o Governo só agora anuncia porque só agora o pode fazer, pois a Troika até queria baixar”.

“Claro que esta subida não resolve os problemas todos, mas temos de ver a realidade da nossa economia e ir aumentando consoante as possibilidades”, frisou.

José Carlos Faria, da CDU, indicou que “isto já foi discutido na concertação social e acordado por todas as partes. Em janeiro de 2011 devia ter entrado em vigor o salário mínimo de 500 euros e estamos em 2014 e não foi aplicado”.

“Algumas confederações patronais, nomeadamente a do comércio, têm chamado a atenção que se houver uma melhoria salarial haverá um aumento do consumo interno. O que existe é um regime de quase escravatura”, manifestou.

Francisco Gomes

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