“Aida Nuno sofreu a maior e mais brutal perda que alguém pode sentir. No fundo da sua dor, conseguiu força para a enfrentar, elaborar o seu sofrimento, fazer o seu luto. E resolveu, através da escrita, exprimir o doloroso caminho que percorreu e expor-se, na esperança de que o seu testemunho possa ajudar quantos passam pela mesma privação”, relata Maria Adélia Gonçalves, psiquiatra e pedopsiquiatra.
“A saudade pelos nossos filhos permanece e é com esse belo sentimento que temos de partilhar a vida. É essa a fórmula que devemos estimular. A saudade é mais do que uma expressão, é um sentimento grandioso e verdadeiro. Sinto muito amor pelo meu filho ausente. Ele é o filho que amo e que não cresceu. O meu amor é um grito de coragem e de perseverança. É uma constante batalha perante o impossível de o ter de volta e o ilógico de continuar a sofrer. Modificar a dor em saudade doeu, durante muito tempo, depois pedi a mim mesma sabedoria e quis sonhar com dias menos sombrios, dias de esperança. Interroguei-me: Como vou lidar com toda esta amálgama de emoções? Que a minha expressão e a minha intimidade de sentir vos possam ser úteis. Editar este livro foi um ato de vontade, de persistência e de amor”, escreve Aida Nuno.
De raízes minhotas e transmontanas, nasceu em Lisboa em 1942, onde reside. Viúva e mãe de três filhos, em outubro de 2001 editou o livro de poesia “Nascemos Nus”. No triénio de 2003/2006 foi vice-presidente da Associação “A Nossa Âncora – Apoio a Pais em Luto”, onde fez parte da edição de um livro sobre o luto intitulado “Na Curva do Caminho”.
Na apresentação do livro serão lidos alguns excertos da obra pelas alunas do Agrupamento da Escolas Rafael Bordalo Pinheiro.




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