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Negócio da compra da Expoeste pela Câmara discutido em “Pontos de Vista”

Francisco Gomes

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O programa “Pontos de Vista” (uma parceria Mais Oeste Rádio/Jornal das Caldas) da passada quarta-feira, abordou a deliberação da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha que aprovou a aquisição da Expoeste para impedir a penhora do equipamento, que acumula quase 400 mil euros de dívidas.
Emanuel Pontes, MVC

A compra, no valor de 340 mil euros, foi justificada pelo presidente da câmara, Tinta Ferreira, que alega que se tivesse transferido verbas para o funcionamento da ADIO, como acontece com o Museu do Ciclismo ou o CCC, não havia passivo. E agora um particular que tiver a iniciativa de penhorar a Expoeste pode fazê-lo.

A construção do centro de feiras e exposições foi co-financiada pela autarquia há vinte anos. Em conjunto foi feita uma candidatura e feita a obra, paga com o dinheiro da Câmara e com fundos comunitários. Foi constituída uma associação com a Câmara, a associação industrial, a associação comercial e juntas de freguesia – a ADIO – para gerir o espaço.

A deliberação da Assembleia Municipal estipula ainda que após a venda a Expoeste continue a ser gerida pela ADIO e que a autarquia passe a subsidiar os custos de funcionamento em três mil euros mensais.

José Carlos Abegão, do PS, considerou a ADIO “uma empresa municipal mascarada”, embora admita que se tenha chegado ao ponto de haver dívidas acumuladas por falta de apoio da Câmara.

“Como vai ser o futuro? Temos aqui um elefante branco”, manifestou.

Vítor Fernandes, da CDU, apontou ser “uma segunda compra do mesmo equipamento”. “De quem é a responsabilidade da má gestão? Tem de ser apurada”, comentou.

“A Câmara vai comprar para quê? Que plano existe de funcionamento deste equipamento? Quem vai gerir? Os mesmos que levaram a esta situação?”, interrogou, questionando “porque é que vai ser a Câmara a pagar as dívidas de entidades privadas, como a Associação Comercial e a Associação Industrial, que fazem parte da ADIO”.

O comunista criticou também a maneira como o assunto foi discutido e votado na Assembleia Municipal, “depois da uma da noite e sem se apresentar um projeto, uma forma de trabalhar herdada do passado”.

Emanuel Pontes, do MVC, contestou “a forma como as coisas são feitas”, ou seja, “vai comprar-se uma casa sem se ter um projeto de viabilidade”.

“Porque é que não se pede responsabilidade da gestão?”, interrogou.

“Neste momento os 340 mil euros da compra dá para cobrir as despesas a pagar, uma vez que há dívidas que prescreveram”, revelou António Cipriano, do PSD.

“A ADIO ao longo destes anos trouxe mais valia para o concelho ou é uma instituição que devia desaparecer?”, perguntou, defendendo que têm sido importantes prestados, mas para isso “é preciso um subsídio e a ADIO não pode ser discriminada”.

“Quando se recompra um edifício que já é da Câmara, porque foi comprado com dinheiros municipais e fundos europeus, há qualquer coisa que não está bem”, declarou Francisco Matos, do BE.

“A ADIO é uma das falsas associações que são geridas pela Câmara. É uma empresa municipal disfarçada de associação que levou à falência da Expoeste e que vai continuar a gerir a instituição. Não me parece que tenha credibilidade nem condições para o fazer”, fez notar.

Rui Gonçalves, do CDS-PP, disse que lhe faz “confusão” como é que Associação Industrial e a Associação Comercial “vão nesta conversa” de venderem a Expoeste por 340 mil euros, uma vez que o imóvel poderia ser vendido no mercado por, no mínimo, dois milhões de euros, sustentou.

“Porque é que vai ser uma venda direta à Câmara e não se vê quem dá mais? E a que propósito a ADIO fica a gerir o espaço? Se a Câmara tem eventos para fazer, que meta lá funcionários e passa a gerir”, interrogou.

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