Para esta parceria, os autarcas das juntas convidaram os presidentes dos Municípios de Óbidos e Caldas.
As quatro juntas comprometeram-se a “auxiliar” os respetivos municípios na promoção de iniciativas e “na elaboração e gestão de planos comuns” com vista à preservação da Lagoa. Acordaram ainda realizar reuniões trimestrais para acompanhamento do cumprimento do protocolo.
“Queremos ouvir as associações, pescadores e todas as pessoas que de alguma forma estão ligadas à Lagoa”, disse o presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, Fernando Sousa, que lembrou que na última intervenção foram os populares, nomeadamente ele próprio, que ajudaram a solucionar a reposição da aberta, canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar, de uma forma mais barata e rápida.
Fernando Sousa adiantou ainda que a parceria com as quatro juntas foi um dos seus compromissos quando ganhou as eleições à Junta pelo Movimento Viver o Concelho.
Humberto Marques, presidente da Câmara de Óbidos, recordou que a Lagoa de Óbidos não tem fronteiras administrativas naquilo que toca à defesa de um ecossistema. “Esta iniciativa vem corporizar aquilo que a Câmara Municipal de Óbidos e Caldas já levaram à aprovação nas suas reuniões, que é um acordo estratégico na defesa e valorização da Lagoa”, disse o autarca.
O desassoreamento da Lagoa de Óbidos continua a ser para Humberto Marques uma prioridade, não só para sobrevivência do ecossistema mas do ponto de vista social e económico, tendo em conta que já teve mais de 250 famílias a viver dos seus produtos, nomeadamente da pesca e apanha de bivalves.
Quanto ao estudo já existente que previa a construção de um muro guia no meio do areal para fixar a “aberta”, o autarca de Óbidos afirmou que as duas câmaras discordam da solução defendida pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil e uniram-se em defesa de outras soluções.
“Lutar em conjunto para que haja dragagens na Lagoa”, é o nosso objetivo, afirmou, o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, acrescentando que “vamos fazer tudo para que o governo cumpra aquilo que o secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, confirmou”, que é que se avance este ano e no próximo com uma dragagem de fundo nos braços da lagoa, num investimento de cinco milhões de euros para retirar 735 mil metros cúbicos de areia daquele ecossistema.
Adquirir em conjunto uma draga
Tinta Ferreira anunciou ainda que as duas autarquias “estão disponíveis para adquirir em conjunto uma draga (estimada entre os 350 mil e o 400 mil euros), e efetuar dragagens de manutenção na Lagoa de Óbidos que evitem que a embocadura volte a fechar e que tenham que ser feitas grandes dragagens que custam muitos milhões”.
A intenção foi confirmada pelo presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques, que validou a intenção de em conjunto com a autarquia das Caldas da Rainha suportar os custos da draga mas sublinhou que “a administração central não se pode demitir de comparticipar os custos daquelas dragagens que serão seguramente mais baratas do que fazerem intervenções de fundo de 20 em 20 anos”.
Entre os esforços comuns para resolver o assoreamento da lagoa, os autarcas lembraram o acordo dos dois municípios quanto à alteração do local da deposição temporária dos dragados, repartindo o total pelos dois municípios, quando antes se previa apenas a deposição em Óbidos.
No concelho de Óbidos, a deposição temporária será concretizada na margem esquerda do rio Real, no limite da Lagoa de Óbidos, com deposição final dos dragados na área da pedreira da Saibrais. No concelho das Caldas, a deposição temporária a concretizar será na margem direita do rio da Cal e no limite do braço da Barosa, com deposição final em pedreira.
Depois de vários anos sem concordância sobre o local de deposição das areias, este acordo será finalmente, assinado no dia 7 de março, com a presença do secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos.




0 Comentários