Reza a história que a arte vem do tempo da rainha D. Leonor. “A lenda que se conta é que a rainha desfez-se das joias para mandar construir o Hospital Termal e as aias, sensibilizadas com o ato da rainha, tentaram bordar-lhe o manto a imitar as joias e é daí que vem o tom aproximado do bordado das Caldas”, descreveu Liseta Pereira.
A bordadeira, que tem a loja Capelista das Termas, reconhece que tem faltado na cidade uma aposta forte nas vendas, o que agora se pretende inverter.
“Vai ser um trabalho feito em conjunto. Cada uma traz a sua ideia. Estamos a tentar inovar em peças de vestuário e noutras áreas onde até agora não tem sido feito, tem sido só para artigos para casa, toalhas, almofadas e coisas desse género”, indicou.
A Câmara Municipal está empenhada na certificação e na promoção deste produto regional, e ao mesmo tempo em dinamizar a sua comercialização.
“Daí que se criasse o núcleo dentro da AIRO para permitir uma ligação ao setor económico mais forte”, frisou o vereador das atividades económicas, Hugo Oliveira.
“A atividade não tem de só se desenvolver de uma forma artesanal, pode evoluir”, sustentou Ana Pacheco, presidente da AIRO.
O Núcleo de Bordadeiras está motivado em dar a conhecer as diversas aplicações do produto, desde uma decoração moderna à roupa do dia a dia ou com maior requinte.
O processo de certificação desta arte está em vias de conclusão. Foi encetado pelo Município das Caldas da Rainha em parceria com a QUALIFICA (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses), visando o valor estratégico e a relevância económica que esta certificação tem para os produtos locais e empresários do setor.
A certificação, promoção e comercialização de produtos regionais abre novas possibilidades de negócio, contribuindo ainda para a sua proteção.
Foi criado um caderno de especificações que determina todos os critérios a que os bordados devem obedecer para serem certificados.
Francisco Gomes









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