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Núcleo de Bordadeiras criado na Expoeste

Francisco Gomes

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Uma sala de jantar contemporânea decorada com Bordados das Caldas assim como peças de vestuário com bordados, são algumas das propostas apresentadas pelo Núcleo de Bordadeiras das Caldas da Rainha, que acaba de ser constituído, tendo inaugurado o seu espaço na Expoeste, incorporado na Associação Industrial da Região Oeste (AIRO). Em 1997 foi organizado um curso de bordados durante um ano. Os trabalhos realizados estavam desde então dentro de caixotes. “Há quinze anos que eu andava a pedir que ao menos colocassem uma vitrina no átrio da Câmara para os bordados se verem, porque era uma pena bordados tão bem feitos estarem metidos dentro de uma caixa sem ninguém ter conhecimento deles”, comentou Manuela Margarido, uma das bordadeiras. Segundo apontou, tem havido um crescente interesse em aprender a fazer o Bordado das Caldas. “Dou aulas no Clube Sénior e na Universidade Sénior e já tive mais de 500 alunas”, revelou. O núcleo integra onze senhoras, com idades entre os 35 e os 68 anos, pretende ser mais do que uma montra dos Bordados das Caldas, e, além de dar continuidade ao trabalho artístico, irá promover cursos e workshops, numa lógica de divulgação e promoção deste produto regional.
O espaço do Núcleo

Reza a história que a arte vem do tempo da rainha D. Leonor. “A lenda que se conta é que a rainha desfez-se das joias para mandar construir o Hospital Termal e as aias, sensibilizadas com o ato da rainha, tentaram bordar-lhe o manto a imitar as joias e é daí que vem o tom aproximado do bordado das Caldas”, descreveu Liseta Pereira.

A bordadeira, que tem a loja Capelista das Termas, reconhece que tem faltado na cidade uma aposta forte nas vendas, o que agora se pretende inverter.

“Vai ser um trabalho feito em conjunto. Cada uma traz a sua ideia. Estamos a tentar inovar em peças de vestuário e noutras áreas onde até agora não tem sido feito, tem sido só para artigos para casa, toalhas, almofadas e coisas desse género”, indicou.

A Câmara Municipal está empenhada na certificação e na promoção deste produto regional, e ao mesmo tempo em dinamizar a sua comercialização.

“Daí que se criasse o núcleo dentro da AIRO para permitir uma ligação ao setor económico mais forte”, frisou o vereador das atividades económicas, Hugo Oliveira.

“A atividade não tem de só se desenvolver de uma forma artesanal, pode evoluir”, sustentou Ana Pacheco, presidente da AIRO.

O Núcleo de Bordadeiras está motivado em dar a conhecer as diversas aplicações do produto, desde uma decoração moderna à roupa do dia a dia ou com maior requinte.

O processo de certificação desta arte está em vias de conclusão. Foi encetado pelo Município das Caldas da Rainha em parceria com a QUALIFICA (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses), visando o valor estratégico e a relevância económica que esta certificação tem para os produtos locais e empresários do setor.

A certificação, promoção e comercialização de produtos regionais abre novas possibilidades de negócio, contribuindo ainda para a sua proteção.

Foi criado um caderno de especificações que determina todos os critérios a que os bordados devem obedecer para serem certificados.

Francisco Gomes

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