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Civis voltam a ter a possibilidade de se tornarem sargentos do Exército

Francisco Gomes

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Um curso de formação de sargentos do Exército aberto a civis arrancou na passada segunda-feira, acabando com a exclusividade de acesso por parte dos militares. Vai ser frequentado por 59 homens e 11 mulheres e tem como objetivo, segundo o Exército, “preencher as vagas existentes nos quadros complementares”.
Entrega de diplomas

A formação em regime de voluntariado e contrato terá a duração de 16 semanas e decorrerá na Escola de Sargentos do Exército (ESE), nas Caldas da Rainha. Permitirá aos futuros sargentos desempenharem essas funções ao longo de sete anos, findos os quais o contrato termina.

De acordo com o Exército, terão oportunidade de auferir um “vencimento acima da média”, na ordem dos 1534,60 euros (valor ilíquido sujeito aos descontos associados para a Segurança Social, IRS e Assistência Médica, como segundo-sargentos.

Em paralelo, só para militares, está a decorrer o primeiro de dois anos do 42º Curso de Formação de Sargentos. Tendo concorrido 699 candidatos, é frequentado por 50 alunos, entre os quais uma mulher. 45 são das áreas de armas e serviços (com 12º ano de escolaridade) e cinco do serviço de saúde (já licenciados). Estes últimos têm, fruto da sua habilitação, um percurso formativo de apenas um ano.

O 26º curso de promoção a sargento chefe, com a duração de doze semanas, termina a 6 de dezembro. É frequentado por 51 militares.

Na ESE está a decorrer um curso de promoção a cabo, com a duração de cinco semanas, frequentado por 35 militares, entre os quais duas mulheres.

Estes números foram revelados na passada sexta-feira, à margem da abertura solene do ano letivo 2013/14, cerimónia que decorreu no auditório do CCC das Caldas da Rainha e que foi presidida pelo comandante da instrução e doutrina do Exército, general Rovisco Duarte. Na mesa de honra estiveram também o diretor da formação do Exército, general Nunes de Oliveira, o comandante da ESE, coronel Barros Duarte, o presidente da Assembleia Municipal de Caldas da Rainha, Luís Ribeiro, e o vereador da Educação e da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Alberto Pereira.

O comandante da ESE descreveu que durante o ano letivo passado foi ministrado o primeiro ano do 41.º curso de formação de sargentos, bem como dois cursos de promoção a ajudante e um curso de promoção a chefe, que envolveram 231 militares.

No âmbito do programa-quadro de cooperação técnico-militar com Moçambique, a ESE tem vindo a assegurar a formação de sargentos das forças armadas daquele país com um diretor técnico e um assessor.

A escola realizou um curso de liderança de pequenos grupos a quinze alunos da Escola de Serviço de Saúde Militar, processo formativo que envolveu elementos da Marinha, Exército, Força Aérea e GNR.

No domínio da investigação, sob a coordenação do Centro de Investigação da Academia Militar e envolvendo a Universidade do Porto e o Instituto Politécnico de Leiria, a ESE lançou três projetos de investigação nas temáticas da fisiologia de esforço, prevenção de catástrofes e história, e em colaboração com a Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha submeteu um projeto à Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da Primeira Guerra Mundial.

“Para o ano letivo que agora se inicia, face à imprevisibilidade e às rigorosas contingências orçamentais que nos assolam, estão adstritos novos desafios”, declarou o comandante, apontando a reestruturação dos cursos de sargentos, a implementação do Centro de Línguas do Exército, a formação de suporte de vida, com a colaboração do Centro Hospitalar do Oeste, e o alargamento da abrangência da formação orientada para a liderança de pequenos grupos no seio da instituição militar.

O coronel Barros Duarte falou ainda da relação da escola com os diversos órgãos autárquicos da região, que tem tido o objetivo de “criar melhores condições de vida às populações”. Contudo, reconheceu, “nem sempre as nossas ações são compreendidas e recebemos de alguns, que quero crer ser por desconhecimento, más interpretações”, numa alusão à iniciativa de limpeza de grafitis nas Caldas da Rainha, em que foram disponibilizados militares para o efeito, que acabou por ser criticada por ocorrer na altura da campanha eleitoral.

O diretor de ensino da ESE, tenente-coronel Patrício Álvares, proferiu a lição inaugural subordinada ao tema “A direção e chefia de pequenos grupos no mundo contemporâneo. O papel da Escola de Sargentos do Exército nos desafios à formação de líderes. Uma visão prospetiva”.

O orador chegou a citar o treinador de futebol José Mourinho: “A execução da autoridade vai-se esbatendo com tempo e com a empatia que se cria. Uma pessoa chega e mostra quem é e o que pode fazer, afirma-se e estabelece regras. A liderança toda a gente deve senti-la e ninguém a ver”.

Para o final da sessão ficou a entrega das cartas de curso aos 148 novos Sargentos do Quadro Permanente do Exército pertencentes ao 38.º e 40.º Curso de Formação de Sargentos, e ao 2.º Estágio Técnico-militar de Enfermagem. Os melhores alunos receberam prémios.

A terminar a cerimónia os alunos finalistas subiram ao palco para entoarem o hino da ESE e o Hino Nacional. Neste último foram acompanhados pelos participantes no evento, entre familiares, militares, representantes de instituições e alunos do secundário.

Francisco Gomes

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