Foi no dia 18 de setembro de 1997 que foi exposta em Fátima publicamente o quadro de Salvador Dali, “A Visão do Inferno”, onde esteve até 13 de outubro. Este quadro do excêntrico pintor só foi exposto duas vezes. A outra tinha sido nos Estados Unidos.
A viagem do quadro dos Estados Unidos para Lisboa, foi assegurada pela TAP, e de Lisboa para Fátima por uma empresa de segurança, custando 12.000 dólares.
Esta obra está hoje avaliada em mais de um milhão de dólares e segura na sede da “Lloyds”, Londres.
Robert Descharmes, o melhor perito mundial na análise da obra de Dali, é de opinião que este quadro retrata “Nossa Senhora de Fátima” num ambiente quase apocalíptico, ao gosto do pintor, com garfos de comer caracóis a perfurarem os corpos mutilados que representam as almas penadas, sendo também o último “autorretrato espiritual” do artista, pois nele se “veem” os olhos, o cérebro e as mãos de Dali.
O Castelo de Ourém está representado no chão do quadro, bem como a figurinha de Fátima-Ourena que empunha uma cruz e se vê a caminhar do Castelo de Ourém para a Cova da Iria, onde se dá a visão do Inferno.
Um facto curioso que marca mudança no pintor ateu, está oculto no rosto da Virgem: até à execução deste quadro todos os rostos de Nossa Senhora pintados por Dali tiveram por modelo a sua mulher Gala. Nesta obra ali pintou primeiro o rosto de Gala, mas decidiu pintar outro por cima – o de sua mãe.
Foi no dia 29 de setembro de 1983 que morreu em Lisboa, Mário Botas.
Tinha nascido na Nazaré no dia 23 de dezembro de 1952.
Em 1975 concluiu o curso de Medicina na Universidade de Lisboa. De 1975 a 1980 viveu em Nova Iorque. Pintor neofigurativo, fez exposições individuais em Lisboa nos anos 1973 e 1974. Encontra-se representado no Museu da Fundação Gulbenkian.
No estrangeiro expôs nos EUA, França, Japão e Reino Unido.
A sua pintura transfiguradora procurou que o tempo a ponte entre o amor e a morte.



0 Comentários