O daltonismo é uma patologia genética da visão que atinge cerca de 10% da população mundial, quase só masculina, e que determina incapacidade de diferenciar algumas cores, não havendo possibilidade de cura.
O jovem português a quem se fica a dever esta mudança tão profunda na vida de tantos seres humanos é Miguel Neiva, designer de comunicação visual. Decorridos seis anos da sua licenciatura, fez uma pós-graduação em Design e Marketing, na Universidade do Minho, polo de Guimarães, vindo a defender aí, com muito brilho, a tese de Mestrado, com a apresentação de um Código gráfico monocromático para comunicar a cor aos daltónicos.
O jovem investigador participou, nestes últimos anos, como orador convidado, em mais de 150 conferências nacionais e internacionais, na área do Design, Design Inclusivo, Marketing, Semiótica, Comunicação e Empreendedorismo Social e Inovação.
Muitas dessas deslocações determinaram a sua ida a diferentes países, entre outros Brasil, Estónia, Austrália, Itália, Inglaterra, Polónia, Espanha. Participou em múltiplas exposições e recebeu vários e significativos prémios.
Entre as distinções recebidas é de realçar que numa sessão solene na Assembleia da República, perante os seus membros e outras destacadas figuras nacionais, lhe foi atribuída a “medalha de Ouro” comemorativa do 50º aniversário da “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, destinada a galardoar personalidades nacionais ou estrangeiras que se mobilizaram na defesa dos direitos humanos.
Recentemente, a Câmara Municipal da cidade do Porto atribuiu-lhe a medalha de grau prata.
O impacto da criação deste Código tornou-se bem visível em curto espaço de tempo.
Em Portugal e noutros países, está já implementado em diversificados setores, tais que transportes, hospitais, marcas de lápis e outros materiais escolares, tintas, cerâmicas, etc.
Para além disto, o Código Miguel Neiva, “ColorAdd”, é reiteradamente citado nas mais prestigiadas publicações científicas e de design e apresentado em congressos e conferências. O “ColorAdd” será uma descoberta para a inclusão social, de enorme valia a curto prazo.
Uma reflexão sobre o tema revela-nos quantas limitações e consequências indesejáveis podem advir do facto de se sofrer de daltonismo. Não se tratando duma patologia grave é, porém, causadora de perda de independência em algumas situações, dificultando uma integração social e até profissional, em pleno.
A partir do aparecimento deste fabuloso trabalho de Miguel Neiva, tudo estará muito mais facilitado.
Um dos factos relevantes para o criador do “ColorAdd” é a possibilidade dos daltónicos, presentes em todas as áreas geográficas mundiais, tanto quanto se sabe, poderem aceder, globalmente, ao referido código, seja na educação (materiais escolares), transportes, manifestações culturais, saúde, indústria (mormente de vestuário e calçado) e até nas novas tecnologias.
A Associação Internacional de Lions Clubes tem como a sua mais emblemática atividade mundial a preservação da visão.
Helen Keller, durante uma Convenção Lions nos Estados Unidos, na qual foi a oradora convidada, lançou um desafio dramático aos Lions para que se tornassem “os paladinos da luta contra a cegueira.”
Assimilado este repto, a Associação Internacional de Lions Clubes não mais cruzou os braços. Iniciando, assim, uma atividade permanente a nível dos Clubes e Distritos Lions, que foi reforçada através da angariação de fundos com as campanhas “Sightfirst 1” e Sightfirst 2”, de grande sucesso e que permitiram uma obtenção vultosa de dinheiro, que a nossa Fundação Internacional tem vindo a aplicar criteriosamente em muitos projetos em prol da visão.
Os resultados obtidos com esse labor intenso e dedicado são dum incalculável impacto, pois contam-se já por milhões os seres humanos que foram submetidos a cirurgias e a tratamentos específicos que lhes permitiram recuperar a visão.
O Código “ColorAdd”, escreveu alguém, é “pioneiro, único, universal, transversal e inclusivo – será um legado que Portugal deixará à Humanidade”. Eu diria antes “que Miguel Neiva legou à Humanidade.”




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