Com início no Covão dos Musaranhos, Vau, concelho de Óbidos, a procissão marítima percorreu as margens da laguna, passando pela Escola de Vela e estrada marginal da Lagoa, em direção ao Cais da Foz do Arelho. Ali, mais de uma centena de cristãos provenientes de toda a região Oeste, em manifestação de fé e devoção acolheram a chegada da imagem peregrina com cânticos de louvor à Mãe protetora. Transportada pelos Bombeiros Voluntários de Caldas da Rainha, a Virgem de Fátima convidou os fiéis à escuta da Palavra de Deus e conduzindo-os em procissão de velas pelas ruas a pé até à Igreja da Vila, que foi remodelada e ampliada no ano passado. Também o anterior prior padre Rui Gregório participou na celebração, acompanhado a comunidade paroquial e agradecendo a Nossa Senhora pelo auxílio no projeto edificado.
João Sá Nogueira, representante da Comissão da Igreja da Foz do Arelho, deu a conhecer ao JORNAL DAS CALDAS a génese e a importância do evento religioso, que teve a sua origem durante a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, em junho de 2000 às paróquias do Coto, de Tornada e da Serra do Bouro, sob o lema “Mãe, que passas… e ficas no nosso coração”. Desde então, as comunidades ribeirinhas da Lagoa de Óbidos (Foz do Arelho, Nadadouro e Vau) “associaram-se a este grande momento de fé, com a realização de uma procissão pelas águas da lagoa, tendo como objetivo pedir a bênção e a proteção de Nossa Senhora para as diversas atividades económicas, culturais e sociais ligadas a este ecossistema”, explicou o responsável. O evento religioso continua a contar com o forte apoio dos pescadores e mariscadores da lagoa, como ainda de muitos proprietários de embarcações de recreio e de desporto que integram a procissão que decorre entre o Covão dos Musaranhos, no Braço do Bom Sucesso, até ao Cais da Foz do Arelho. “A colaboração muito valiosa dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha e da Polícia Marítima continua a assegurar a segurança do cortejo náutico”, salientou João Sá Nogueira reforçando a crescente adesão das centenas de pessoas “que em terra, quer ao longo do percurso, nas margens da Lagoa, quer à chegada ao Cais, se juntam à procissão de velas rumo à Igreja da Foz do Arelho, encerrando o evento com grande religiosidade e manifestação de fé a Nossa Senhora de Fátima”.
A cerimónia de lançamento da primeira pedra da Igreja da Foz do Arelho, com a presença de D. Anacleto de Oliveira, então Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa responsável pela Zona Pastoral Oeste, em 2010, “constituiu um marco muito importante para a comunidade paroquial”, comemorando os 10 anos da primeira iniciativa mariana. Para João Sá Nogueira, foi um momento decisivo para estas obras, realizadas durante 2011, com a concretização de um antigo sonho: “um local mais espaçoso, capaz de corresponder às necessidades de uma comunidade pastoral atual, aberta e integrada na realidade cultural e sociológica da Foz do Arelho, motivo de orgulho e de unidade de toda a população e de todos os amigos que frequentam a vila e as suas praias”.
O membro da comunidade cristã da Foz do Arelho manifestou ainda ao JORNAL DAS CALDAS o impacto da ‘imagem de marca’ deste evento religioso na região Oeste, e apela à sociedade civil para a resolução inadiável das principais preocupações dos que zelam e contemplam a Lagoa de Óbidos. “De um modo especial para a comunidade cristã da região, a Procissão da Lagoa é um momento de partilha de uma grande fé em Nossa Senhora de Fátima, a quem imploram uma bênção especial para todos os que têm a sua atividade ligada, de qualquer forma, a este sistema lagunar. Mas é também um modo de chamar a atenção para os problemas com que a Lagoa se debate e para a urgência em se encontrar uma forma de gestão sustentável da mesma, que trave e inverta a sua atual degradação, recupere o ecossistema natural e permita que as gerações futuras continuem a poder desfrutar dos seus encantos e do seu potencial económico e social, cultural e ambiental”, sustentou.
João Polónia





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