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Seleção nacional preparou jogo com a Rússia em Óbidos

Francisco Gomes

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A seleção nacional de futebol esteve na semana passada a estagiar em Óbidos, preparando o jogo com a Rússia, da fase de qualificação para o Mundial 2014, no Brasil, que conseguiria ganhar por 1-0, no Estádio da Luz.
Boa disposição entre os jogadores da seleção/foto Carlos Barroso

Nos quatro dias em que estiveram alojados no hotel Marriott, na Praia d’el Rey, os 25 convocados de Paulo Bento treinaram sempre longe dos olhares dos adeptos, já que apenas os jornalistas podiam assistir, ainda que por quinze minutos, aos aprontos no relvado da unidade hoteleira.

O selecionador Paulo Bento e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pouparam Cristiano Ronaldo à exposição mediática de que habitualmente é alvo e evitaram que fosse confrontado ao longo da semana com as perguntas dos jornalistas. Mas consideraram importante que a voz do capitão da equipa não deixasse de se ouvir, dentro e fora do grupo de trabalho. Por isso foi publicada no site da FPF, na quarta-feira, uma curta entrevista a Cristiano Ronaldo, na qual a comunicação social não participou.

Nessa mensagem de um minuto e meio, o jogador alertava não haver margem de erro e fazia também um apelo à comparência dos adeptos ao Estádio da Luz para o jogo com a Rússia. Dessa forma passou-se a mensagem e evitou-se que Cristiano Ronaldo tivesse de responder à imprensa.

O próprio selecionador minimizou, na conferência de imprensa que deu na quinta-feira em Óbidos, qualquer pergunta relacionada com o jogador, nomeadamente como tinha reagido às declarações de José Mourinho, que disse que Cristiano Ronaldo “pensa que sabe tudo e que nenhum treinador o pode ajudar a crescer mais”.

“Situações que digam respeito a clubes não comento”, retorquiu Paulo Bento, que lá acabou por tecer mais considerações: ”Estou extremamente satisfeito com as respostas do grupo desde que estou na seleção. Os jogadores tentam cumprir as regras que instituímos e as estratégias para cada jogo”.

Questionado sobre uma aparente tristeza de Hugo Almeida nos períodos que antecederam os treinos, o selecionador respondeu que o jogador “tem treinado bem e sem qualquer tipo de problema”.

Sobre as contundentes críticas do Paços de Ferreira sobre a convocatória de André Martins em vez do pacense Josué, que se evidenciou ao longo da temporada, Paulo Bento disse “respeitar a equipa técnica e os jogadores” do clube que terminou a Liga em terceiro lugar. Felicitou o Paços de Ferreira pelo feito e depois disparou: “Não tenho tempo para comentar notícias de Facebook e Twitter. Tenho mais em que pensar”.

“Se a Irina pediu ao Ronaldo para não marcar? Não sei, mas posso perguntar-lhe”

Foi o momento mais hilariante da conferência de imprensa, já na parte final quando foi dada a oportunidade aos dois jornalistas russos de fazerem perguntas a Paulo Bento.

“O vosso número 7 é o melhor jogador, vão jogar no dia 7 e há alguns anos marcaram 7 golos à nossa equipa. Não acha o número 7 mágico para a seleção portuguesa?”, interrogou um dos russos.

Paulo Bento, admirado com pergunta, acabou por responder que “se Cristiano Ronaldo jogasse com outro número seria na mesma importante. A questão da data é pura coincidência e o resultado que alcançámos em Alvalade há alguns anos não terá impacto nenhum no jogo desta sexta-feira”.

“Falei com o seu colega José Couceiro, que disse que a Rússia não tinha Ronaldo mas Portugal não tinha Shirokov, médio russo? Gostava de trocar?”, foi a pergunta do outro jornalista russo: “Se eu queria trocar? Não, não”, retorquiu o selecionador nacional, ainda mais espantado.

A questão que motivou risos de Paulo Bento foi sobre CR7: “Toda a gente sabe que a namorada dele é a russa Irina Shayk. Não receia que ela peça a Ronaldo para não marcar golos?”, questionou o repórter russo. “É uma situação que não sei, mas posso perguntar-lhe agora ao almoço”, brincou o selecionador.

Treinos animados

O JORNAL DAS CALDAS assistiu aos treinos da seleção em Óbidos antes do jogo com a Rússia e num deles viu Cristiano Ronaldo mostrou-se bastante animado e interventivo. O capitão começou por se recriar com a bola, fazendo-a tocar de ombro para ombro, quando estava ao lado de Hugo Almeida, que assistia, divertido, às habilidades do capitão.

Depois, na altura do ‘meinho’ à roda com vários jogadores distribuídos em três grupos, Ronaldo foi exuberante quando conseguiu sucessivos toques sem a bola ser intercetada.

O grupo de Cristiano Ronaldo, onde estavam também Miguel Veloso, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Eduardo e André Martins, foi mesmo o mais barulhento, com os jogadores empolgados como se uma competição se tratasse. O guarda-redes foi até arrojado, esticando a perna por várias vezes para tentar captar a bola, quase tocando nos colegas.

Rui Patrício foi protagonista do pontapé menos certeiro, ao chutar o esférico para bem longe do relvado, na altura em que tentava jogar a dois toques. A bola voltou a sair do campo após um passe transviado de Bruno Alves, que levou algumas palmadas nas costas de Moutinho, Beto, João Pereira e de André Martins, o estreante na seleção que tentou estar sempre envolvido no espírito do grupo.

Muito concentrado para não falhar, o jogador do Sporting até se justificou perante os colegas quando não conseguiu dar seguimento a um passe: “Eu tentei, mas não deu”.

Ainda deu para ver uma monumental queda de Miguel Veloso, que escorregou ao tentar chutar uma bola perdida, acabando por levantar bocados da relva.

Numa outra vez, Cristiano Ronaldo entrou no campo de treinos com uma feição menos emotiva e expressiva, e mudou logo após os primeiros toques, sorrindo e brincando com os colegas, que o contagiaram com a boa disposição.

O capitão da seleção mostrou-se inicialmente mais moderado, entrando no campo de treino com um semblante carregado, que se desfez depois de pegar na bola. “É preciso calma”, disse Ronaldo a Ruben Micael, depois do jogador do Sp. Braga ter chutado na sua direção. Em poucos segundos, já o craque do Real Madrid brincava com Fábio Coentrão, quando o colega de equipa falhou uma receção, o que originou o tradicional “carolo” na cabeça do central por mais do que uma vez.

Beto e Bruno Alves, que foram quem mais deu nas vistas nas primeiras trocas de bola. O guarda-redes efetuou alguns gestos acrobáticos para controlar o esférico ao primeiro toque e mostrou-se entusiasmado: “Capricha! Viste isto? Mexe-te, mano”, gritou para o defesa do Zenit, que retorquiu: “É incrivelmente incrível. I love it”.

Nelson Oliveira chegou ao campo de treinos e integrou-se no grupo onde estavam Beto, Eduardo, Bruno Alves e Vieirinha. Ainda a frio, perdeu a receção de algumas bolas e não escapou à ‘boca’ do guarda-redes: “Tens de entrar logo à campeão”.

O avançado do Deportivo encaixou a provocação e empenhou-se nos lances seguintes.

Vencer a Rússia era o único pensamento

“Disse no início da fase de qualificação que o objetivo era chegar ao Brasil, de preferência em primeiro lugar. Neste momento é um cenário muito complicado de realizar, por isso aquilo com que nos temos de focar é ficar em segundo lugar e disputar o play off. É a mensagem que tem sido passada aos jogadores e temos de encarar a situação com naturalidade”, manifestou Paulo Bento.

O selecionador afirmou que “o conforto que o nosso adversário tem em termos classificativos obriga-nos a ter a iniciativa, mas temos de ter critério nessa iniciativa e jogar com índices de agressividade elevados, do ponto de vista defensivo e ofensivo, não deixando de ter paciência na construção do nosso jogo e saber que tem 90 minutos para ser ganho. Devemos estar o máximo de tempo por cima do adversário, mas não nos deixarmos condicionar por alguma ansiedade que possa haver fruto da nossa classificação e de querer resolver o mais rápido possível. Temos de ser uma equipa equilibrada tática e emocionalmente”.

“Se não ganharmos na sexta-feira, acabou”. O aviso foi deixado por Miguel Veloso. O médio do Dínamo Kiev reconheceu que não esperava que as contas fossem tão complicadas e que agora “a margem de erro é muito menor”. “Esperemos que no final a calculadora seja uma boa amiga”, adiantou.

“Não nos passa pela cabeça não estar no Mundial”, declarou o titular da seleção, que sustentou: “Ninguém pensa em relaxar, repousar, em férias ou nos clubes. O pensamento é só seleção”.

A Rússia “é uma equipa perigosa e temos de estar prevenidos”, alertava Bruno Alves. “Conheço bem a seleção, tem vários jogadores da minha equipa e comparando com a que disputou o último Europeu está melhor organizada, defende bem e tem um bom contra-ataque. Tem jogadores de qualidade de frente e por isso temos de ter preocupação”, comentou o central.

O internacional português, que joga na equipa russa do Zenit, não escondeu o seu fascínio e respeito pelos adversários: “Todos eles jogam de maneira diferente nos clubes e a postura da seleção russa está muito bem orientada, concedendo poucos espaços e oportunidades”. “É perigosa”, repetiu o defesa-central, adiantando que “somos uma equipa que precisa do resultado e vamos estar cima deles, mas temos de saber defender”.

Bruno Alves reconheceu que o jogo era “fundamental para nós, porque sabemos que temos de ganhar para conseguir garantir o apuramento”.

“Não estamos numa posição muito confortável”, admitiu, assegurando que acredita que no apuramento “quer no play-off ou até no primeiro lugar”.

“Sabemos as nossas responsabilidades e estamos a fazer o nosso melhor”, sublinhou o central, que esquivou-se a comentar o anúncio da sua transferência do Zenit, clube que representou três épocas e meia, para o Fenerbahce, tornado público pelos turcos no seu sítio oficial na Internet. Foi, de resto, a primeira pergunta que ouviu numa das conferências de imprensa após o treino matinal. “Neste momento estou concentrado na seleção. O meu futuro será revelado em breve”, respondeu.

Cd de ópera para mãe de Ronaldo

O capitão da seleção foi surpreendido com a oferta de um cd de ópera para a sua mãe, por uma cantora lírica que esperava Ronaldo à entrada do hotel. Foi um amigo da cantora quem chamou por CR7 e lhe entregou o cd, conseguindo que o craque tirasse os auriculares que trazia ao ouvido e escutasse a explicação. “Disse-lhe que sabemos que a pressão do jogo de sexta-feira deixará a mãe dele nervosa e ouvir esta música de ópera poderá servir para relaxar e acalmar. Mesmo que não ouça agora, poderá servir para os jogos futuros. O Ronaldo foi simpático e recebeu o cd, que espero que entregue à mãe”, contou Dinis Silva ao JORNAL DAS CALDAS.

A cantora alemã Ilona Meroth confessou ser “fã de Cristiano Ronaldo” e acabou por posar para a fotografia com o vice-presidente da FPF, Humberto Coelho.

Telemóvel na mão

À chegada à unidade hoteleira após o treino, quase todos os jogadores traziam na mão os seus telemóveis, aparelho que não dispensam nas curtas deslocações até ao campo de estágio. Para além dos familiares, era a forma de estarem contatáveis com os seus agentes, importante para alguns dos craques que ainda não têm a sua situação resolvida para a próxima época.

André Martins praxado

A estreia de André Martins na convocatória de Paulo Bento não deixou de ser assinalada, como é habitual, pelos repetentes na seleção, que acolheram no grupo o jogador do Sporting, de 23 anos.

“Foi praxado, mas a forma como foi faz parte do grupo e fica entre nós”, contou Miguel Veloso aos jornalistas.

Ambulância dos bombeiros

Apareceu no campo de treinos uma ambulância com dois bombeiros de Óbidos, para qualquer eventualidade. Os soldados da paz foram meros espectadores, mas puderam ver mais do que os jornalistas.

Chineses no estágio

O estágio em Óbidos despertou o interesse da maior agência noticiosa chinesa, detida pelo Governo da República Popular da China. Uma jornalista, um fotógrafo e um operador de imagem da agência Xinhua, que tem transmissões em português e representa o canal televisivo CNC, acompanharam os trabalhos da seleção. A agência tem escritório em Lisboa. A estação brasileira TV Record também acompanhou os treinos.

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