Rua de lama na Serra do Bouro graças a obras interrompidas
Reconhecendo a gravidade do estado de deterioração da rede pública de abastecimento de água na povoação do Cabeço da Vela (Serra do Bouro) e das dezenas de ruturas na canalização subterrânea que têm afetado os moradores, os Serviços Municipalizados anunciaram a intenção de substituir a canalização. As obras – implicando o rasgar da rua principal de 1600 metros que atravessa de alto a baixo a povoação (a Rua Vasco da Gama) e a colocação das condutas novas – começaram no dia 8 de abril. Começaram no cimo da rua e foram descendo, deixando atrás de si a inevitável destruição do que restava dos vários remendos de alcatrão e valas tapadas com pedras e terra soltas e já não a terra argilosa que melhor resistia à chuva. Ao cabo de três penosas semanas, as obras foram interrompidas. E até hoje, dia 17 de maio, não foram retomadas.
O que ficou para trás, depois de muita poeira no tempo mais seco, foi lama pesada devido à chuva esporádica que tem caído, o alcatrão transformado em terra batida e um piso ainda mais irregular. Nas zonas mais íngremes, os pneus dos carros deslizam e quem se arriscar a pôr pé na rua regressa a casa com uma argamassa feita de lama grossa.
Telefonei na semana passada para os Serviços Municipalizados e, muito candidamente, disseram-me que o empreiteiro “que trabalha com a câmara” tinha sido “deslocado” para outra obra qualquer. O que também é estranho porque, se isto é verdade, o concurso público para as obras foi ganho pelo empreiteiro “que trabalha com a câmara”.
Fora da vista da elite que manda na cidade, os habitantes e as povoações do interior podem viver no meio da lama.
Eis um bom tema que bem poderia interessar aos candidatos das eleições autárquicas…
Pedro Garcia Rosado
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