“Não sendo inéditas as acusações de que tenho sido alvo desde que assumi funções, ainda aquando da existência do Centro Hospitalar do Oeste Norte, tomo esta decisão agora porque em meu entender a argumentação utilizada fere gravemente a verdade dos factos, contamina erradamente a opinião pública e atinge igualmente a honra do presidente do Conselho de Administração do CHO, situações que considero inaceitáveis”, sustenta.
“Não estou nas Caldas da Rainha para fazer política, mas sim para gerir o Centro Hospitalar. Sou gestor, sempre trabalhei no setor da saúde, não sou filiado em nenhum partido político e nada tenho contra os que o são”, sublinha.
O administrador explica-se “Na moção fundamenta-se o pedido de demissão do presidente do CA com base em essencialmente dois aspetos: Tentando fazer crer que a atual suspensão da atividade termal, pela Direção-Geral da Saúde, se deve exclusivamente a incúrias cometidas pelo CA nos últimos dois anos; Má gestão do CA e falta de transparência no processo de reorganização hospitalar que está a decorrer. Relativamente à primeira questão, que envolve declarações do delegado regional de Saúde, solicitei ao mesmo que esclarecesse a interpretação que foi feita pelos subscritores da moção, das suas declarações. Assim passo a transcrever a respetiva resposta do delegado de Saúde, autorizada pelo mesmo: O agravamento dos problemas microbiológicos mais recentes não se deve exclusivamente a uma não intervenção técnica nos últimos dois anos”
“É reafirmado no texto da moção: “…Detetou-se um risco de ordem ambiental elevado de natureza microbiológica não só para os utilizadores mas também para os próprios trabalhadores.”; o comentário do delegado de Saúde é o seguinte: “ … em todos os casos recentes e passados de contaminação microbiológica das águas termais houve sempre lugar à suspensão de todos os tratamentos termais, precisamente por existir risco para os utilizadores e trabalhadores”, contrapõe Carlos Sá.
O presidente do CHO contesta também a parte da moção que refere que “não têm sido efetuadas medidas adequadas de manutenção preventiva”, apontando que o comentário do delegado de Saúde é de que “havendo medidas de ação corretiva decorrentes do diagnóstico de situação há que, eventualmente, definir novos procedimentos de desinfeção”.
“Em nenhum momento pelo delegado de Saúde é referido que as medidas até aqui utilizadas pelo Hospital Termal não eram adequadas”, argumenta, frisando que “a atual situação é consequência de decisões tomadas pelo menos na última década e não, como se procurou fazer parecer, exclusivamente nos últimos dois anos”. “Aliás, é também interessante perguntar o motivo pelo qual as anteriores suspensões de atividade (que nalguns casos duraram vários anos) não deram origem, à época, a moções de demissão e agora merecem tal atitude por parte dos partidos políticos”, interroga Carlos Sá.
Relativamente à alegada má gestão e falta de transparência do CA, o administrador aponta, a título de exemplo, os resultados obtidos ao nível da evolução dos custos de funcionamento do Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON) e da evolução do valor da divida a fornecedores externos, nos anos de 2007 a 2009, ou seja nos 3 anos anteriores à sua gestão e no período de 2010 a 2012, já da sua responsabilidade.
“Os custos de funcionamento do CHON, em milhões de euros, cresceram de 55,1 em 2007, para 58,1 em 2008 e 63,9 em 2009. Inverteram essa tendência em 2010, com um valor de 63,7, confirmada em 2011 para um valor de 61,4 e consolidada em 2012 com um valor de 50,3 milhões de euros, equivalente ao do ano de 2005. O valor da dívida a fornecedores externos em 15 de agosto de 2010, o CA por mim dirigido tomou posse a 16, era de 35,8 milhões de euros, tendo sido reduzida para 5,9 milhões de euros em 31 de dezembro de 2012. Trata-se de uma redução muito significativa”, defende.
“Por outro lado, no período de 2010 a 2012, a estratégia de apenas investir em áreas que visam a melhoria da prestação de cuidados, levou à realização de obras de requalificação da urgência de obstetrícia, da triagem da urgência geral, da requalificação do circuito de circulação interno do bloco operatório e aquisição de dois ventiladores para esse mesmo bloco, melhorando significativamente a segurança dos doentes e profissionais. Refira-se ainda o desenvolvimento do pólo de cirurgia de ambulatório no Hospital de Alcobaça e a requalificação do serviço de imagiologia com a aquisição de ecógrafos, mamógrafo e TAC, equipamento este que, pela primeira vez, existirá na esfera pública nas Caldas da Rainha, permitindo diagnósticos mais rápidos aos doentes e evitando deslocações desnecessárias”, faz notar.
“O atual CA do Centro Hospitalar aplicou os recursos que foram colocados à sua disposição exclusivamente em investimentos que visaram garantir a melhoria e a segurança dos cuidados de saúde prestados à população. Realmente não foram feitas obras no património não utilizado na prestação de cuidados e talvez por isso alguns nos achem incapazes de gerir um hospital público… mas deixo ao critério dos cidadãos e dos leitores, na posse destes dados, a correta avaliação sobre conceitos de boa e má gestão”, afirma.
Relativamente às acusações de falta de transparência, “uma vez mais a argumentação é feita com base em alegações distorcidas, que sistematicamente não resistem a trazer o Centro Hospitalar para a arena da guerrilha político-partidária. O atual CA foi o único a organizar reuniões-gerais abertas a todos os trabalhadores, para apresentar os objetivos e resultados do Centro Hospitalar. Igualmente pela primeira vez, e a pedido do presidente do CA, foram feitas reuniões com o executivo camarário, com o mesmo objetivo. O CA implementou desde o primeiro dia uma “política de porta aberta”, estando por isso sempre disponível para responder a qualquer questão que seja colocada relativamente aos seus atos de gestão”.
Quanto ao processo de reorganização em curso, “nos últimos cinco meses foram efetuadas 38 reuniões para discutir esse assunto com os serviços do hospital, com Comissões de Utentes, Câmaras Municipais e com dois grupos de trabalho com quem temos reunido desde janeiro, constituído por representantes das várias profissões existentes no CHO (médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e assistentes administrativos) num total de 10 colaboradores. Estes últimos, na reunião de apresentação do projeto final de reorganização (com exceção de um único elemento), consideraram o projeto equilibrado e sensato. Foi esta a opinião dos profissionais do Centro Hospitalar, na realidade aqueles que melhor o conhecem e que colaboraram com o CA na discussão do projeto”.
“Reunimos igualmente com um grupo externo, constituído por Presidentes de Câmara Municipal, representantes das associações de doentes, corporações de bombeiros e Diretores Executivos dos Agrupamentos de Centros de Saúde. A todos eles apresentámos os dados sobre a atividade do Centro Hospitalar, serviço a serviço, e discutimos a nossa proposta, ouvindo e incorporando inclusivamente algumas das propostas feitas. Nesta medida, não pode o CA deixar de ficar surpreendido com a acusação de falta de transparência, ainda para mais fundamentada em opiniões de entidades que não participaram no processo diretamente”, conclui.
Francisco Gomes



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