Assim, na reunião uma parte significativa dos membros da comissão, concordaram que o apoio de um partido a uma candidatura independente, teria que ser externo e posterior à criação de uma carta de princípios, do manifesto eleitoral e até da elaboração de um programa, o que não impedia que alguns elementos do Bloco integrassem a comissão, mas como cidadãos livres das influências e dos “tiques” partidários. Após acesa discussão e saída de alguns elementos, acabou por se agendar outra reunião da comissão, partindo da premissa de que o assunto estava esclarecido. Na reunião seguinte verifiquei imediatamente que o problema se mantinha. Ao serem lidas as atas das reuniões anteriores, as divergências de interpretação eram claras e a recusa dos membros do Bloco à utilização da palavra “Independentes”, fizeram-me perceber que a minha presença ali, só poderia ser um equívoco, daí que abandonei a reunião.
Para mim ser independente é efetivamente dar a cara por um projeto em que se acredita. É ter a coragem de assumir com coerência as nossas ideias e os nossos ideais, livre de amarras ideológicas, partidárias ou de favores na nossa vida pessoal e profissional.
Claro que o conceito de independência pode variar de pessoa para pessoa, e depende com certeza da forma como cada um vê a Vida. Para mim o mais importante são as pessoas e considero que o “Humanismo” tem que se sobrepor a qualquer ideologia, quer se considere de esquerda ou de direita. Como as pessoas vivem nas suas terras, da sua organização, do seu ambiente, dos seus equipamentos e da sua conservação dependem também as suas vidas e a sua felicidade e bem-estar, pelo que se reveste de grande importância a organização Autárquica. Por isso e não obstante considerar que estas eleições podem ser a oportunidade dos Grupos de Cidadãos Independentes, só podem ser a alternativa credível se tiverem um projeto coeso, uma equipa de trabalho capaz de lutar por ideais bem definidos, sem a amarra de ideologias ou interesses partidários ou de outra indule.
Nunca tive medo de desafios, sem falsas modestias, sou consciente das minhas competências e capacidades de trabalho, no entanto enganam-se os que pensam que ambiciono qualquer cargo. Para algumas pessoas, com todo o respeito que me merecem eleitores e eleitos, o importante é o título, a posição social e politica que podem atingir. Para mim um cargo desta natureza seria uma missão em prol do bem comum. Uma missão que no fundo implica sempre o condicionamento da liberdade individual de quem a exerce numa perspetiva de servir e não de ser servido.
Como cidadã continuarei a pugnar e a incentivar à cidadania participativa na sua plenitude, consciente de que a ignorância, a indiferença, a ganância e o egoísmo são a principal causa do estado a que chegou a nossa sociedade. Só pelo conhecimento, pela educação, pela cultura e sobretudo pelo sonho se poderá mudar, não podemos deixar que nos roubem também a capacidade de sonhar, de sonhar livremente, porque só é verdadeiramente livre aquele que se sente livre!
Maria Teresa Serrenho
(Presidente do MVC-Movimento Viver o Concelho)




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