É um encontro que mistura a componente religiosa com uma outra profana. O festejo que decorreu no cimo de um cabeço, com cerca de 80 metros de altura, serviu para muitos dos participantes fazerem as suas promessas com vista à recuperação de um animal doente, ou pedidos de boas ninhadas. Estas promessas são pagas na casa de esmola ou na sacristia recebendo em troca uma vela enrolada numa fita de nastro cor-de-rosa previamente benzida.
As velas e fitas benzidas, símbolo de promessas do ano anterior, são oferecidas ao Santo e colocadas junto aos pés do mesmo. Já outros devotos optam por queimar as velas no tabuleiro.
Raul Penha, que já pertence à Comissão de Festas do Santo Antão há mais de 30 anos, conta que este ano houve menos afluência porque “ontem choveu muito durante o dia e isso levou a que as pessoas desistissem”. No entanto referiu que “tirando o fato de estar a chover, está a decorrer uma festa normalíssima, com muitos romeiros a conviver e a divertirem-se”.
Quanto às promessas, este responsável revelou houve muitas pessoas a pagar promessas de amigos ou familiares que não vieram. Com a crise que o país está a atravessar, Raul Penha disse que é comum a “devoção e a intercessão aos santos para que tudo corra bem”, adiantando que há muitas pessoas a “voltar ao antigo, ao cultivo das pequenas hortas e criação de alguns animais domésticos”. “Há uns anos os animais domésticos estavam a sobrepor-se aos animais da economia familiar, do porco e da ovelha, e agora com a crise volta-se principalmente ao porco, ovelhas e cabras. Acho que as pessoas, por necessidade, estão a apostar outra vez na criação desses animais”, apontou. Raul Penha revelou ainda que este ano está a haver muitas promessas de pessoas, pelas doenças físicas e a prova são as peças em cera que estão junto à imagem do santo da capela.
Para o festejo compraram cerca de 150 quilos de chouriço e ao meio da tarde faltava vender 30 quilos.
Desde há três anos que o artesão Vítor Palatino, do Bairro da Senhora da Luz, faz canecas alusivas ao evento, que têm sido bastante procuradas pelos romeiros que fazem coleção.
Selene Marques, residente no Bombarral, foi à capela colocar uma vela não para pagar uma promessa, mas para fazer um pedido para ela e para os amigos mais queridos. “Pedi que o ano 2013 seja bom para mim e para as pessoas que mais gosto”, disse, saindo do Santão Antão “mais animada”.
A jovem Ana Miranda, de Óbidos, foi pela primeira vez ao Santo Antão pela “curiosidade de ver como é”. O que gostou mais foi do “convívio” e o que gostou menos foi mesmo da “lama”.
Do lado das vendas não correu muito mal apesar de haver menos afluência. Rui Ferreira já ali vende os chouriços há vários anos. Este ano conseguiu vender 15 quilos. “Não é mau, considerando haver menos pessoas”, disse, acrescentando que “a chuva de ontem assustou as pessoas”.








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