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Estufas de morango no Bouro com um milhão de euros de prejuízo

Carlos Barroso

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Cerca de dez hectares de estufas de morango, localizadas na localidade do Bouro, nas Caldas da Rainha, ficaram totalmente destruídas com o vento que assolou todo o território nacional durante o fim de semana.
Técnicos da direção regional fizeram o levantamento dos estragos/foto Carlos Barroso

Os prejuízos, avaliados em mais de um milhão de euros, podem ser maiores tendo em conta que os proprietários não sabem se vão continuar o negócio, que emprega 80 pessoas na época baixa e o dobro na época alta. “Plásticos, ferros, sistemas de rega e de eletricidade, foi tudo pelos ares com o vento e as estufas ficaram completamente destruídas”, explicou Sérgio Constantino. O proprietário estima “um prejuízo de mais de um milhão de euros” nos dez hectares de estufas cobertas, onde no ano passado foram produzidas 800 toneladas de morango. Além disso, ficou inviabilizada a plantação de mais seis hectares de terreno “que estavam a ser preparados e que aumentariam a produção, em 2013, para um milhão e 200 mil toneladas de morango”, acrescentou o empresário agrícola. Sérgio Constantino já pediu a intervenção da Direção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste “para avaliar a situação e ajudar a encontrar uma solução”. “As seguradoras recusam-se a fazer-nos um seguro ou arrastam o processo indefinidamente sem nos darem respostas e ficamos sem qualquer proteção para estas situações”, lamentou. “Isto é uma empresa familiar, feita em sociedade com o meu irmão e, neste momento não sabemos se conseguimos repor o investimento, até porque ainda estamos a pagar parte do empréstimo”, afirmou Sérgio Constantino. A produção da estufa era maioritariamente destinada a grandes superfícies e uma percentagem exportada para França e Holanda. Ao início da tarde de domingo, o diretor regional de agricultura de Santarém visitou a exploração, fazendo o levantamento dos estragos, para apresentar numa reunião. O secretário de Estado da Agricultura também anunciou no domingo o início da avaliação no terreno dos estragos do mau tempo, para depois acionar as medidas de apoio, não se podendo ainda quantificar os valores dos prejuízos. Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, explicou que “os diretores regionais já foram todos ao terreno” e têm estado a acompanhar a situação desde sábado, começando já na segunda-feira o trabalho dos técnicos das mesmas direções regionais para fazer “um diagnóstico mais pormenorizado”. “Vai ser feito um levantamento de todos os prejuízos, de todos os estragos, de uma forma qualitativa e quantitativa, tanto ao nível global regional como ao nível de cada produtor. Após isto temos de ver que tipo de medidas é que se pode pôr em prática para atenuar estes prejuízos”, explicou. Segundo o governante existem “algumas medidas que têm um certo caráter estrutural que permitem intervir”, dando o exemplo do Programa de Desenvolvimento Rural, na qual está incluída “a medida da reposição do potencial produtivo”, utilizada aquando dos incêndios no Algarve no verão de 2012. “Esta medida permite repor o potencial produtivo destruído. Como neste caso dos incidentes que houve, a maioria afeta estufas, penso que poderá ser utilizada. Tem financiamento comunitário e é a medida utilizada neste tipo de situações”, declarou, acrescentando ser a mais adequada uma vez que se tratam de “danos, prejuízos e estragos em estruturas que são permanentes”. A medida da reposição do potencial produtivo permite ainda, segundo o responsável pela tutela, que “os agricultores rapidamente possam comprar e substituir materiais e indemniza os agricultores com apoio público, em cerca de 75%”. Não foi possível quantificar o número de agricultores no Oeste na mesma situação que a exploração do Bouro, mas estima-se que possam chegar à direção regional de agricultura mais pedidos de ajuda.

Carlos Barroso

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