O incêndio deflagrou na travessa da Piedade, no dia 7 de fevereiro de 2011 e quase dois anos depois o processo ainda se encontra em instrução. Neste processo desenvolvido pela polícia judiciária de Leiria foi constituída uma arguida, que também seria inquilina no espaço. A mulher, de nacionalidade ucraniana, terá confessado às autoridades que deixou uma vela acesa. “Gosto de velas, mais nada, não era para poupar eletricidade. Estava a descansar e meio a dormir e o incêndio começou quando a vela caiu sem querer. Como havia plástico e esponja, as chamas apareceram num instante”, descreveu na altura à saída do tribunal das Caldas, após ter sido ouvida pelo juiz de instrução criminal. Desse alegado descuido morreram João Francisco Mafra Monteiro, de 51 anos, o seu filho João Dinis Costa Monteiro, de 19 anos, e a antiga companheira, Maria Sameiro Pires Costa, de 41 anos. A única arguida, Diana Kabanchuck, de 32 anos, também ficou ferida com queimaduras no rosto e nos membros e encontra-se com a medida de termo de identidade e residência. As chamas deflagraram pelas 4h40, num dos quartos do primeiro andar e consumiram um sofá-cama e mobília. Este fogo originou muito fumo, que terá vitimado o casal e o filho, que se encontravam num quarto trancado, nas águas furtadas. O relatório preliminar do comandante dos bombeiros sobre o fogo revelou que os detetores de incêndio estavam desativados. Segundo José António, “todos os quartos estavam munidos de detetor de incêndio. Se tivessem funcionado teriam dado o alerta à população à volta”, declarou, na altura. A Câmara Municipal abriu um inquérito e comunicou à ASAE a utilização ilegal do imóvel para alojamentos. O espaço, um rés do chão, primeiro andar e águas furtadas estariam alugados de forma ilegal a quinze pessoas, de acordo com dados recolhidos na ocasião. Fernando Costa, presidente da câmara, revelou que nunca foi pedida vistoria ao edifício para aluguer de quartos, mas apenas para utilização como escritórios, cuja licença também não tinha sido emitida. Recorde-se ainda que os seis feridos e sobreviventes, de origem brasileira e ucraniana, tiveram de fugir saltando para o telhado, varandas ou para prédios vizinhos. O proprietário do espaço ficou ferido ao tentar salvar os inquilinos e nunca prestou declarações à comunicação social.
Carlos Barroso



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