O professor de educação visual e trabalhos manuais na escola Marinhas do Sal, lecionava há 16 anos a disciplina e acompanhava aquela aluna há cerca de dois anos lectivos, sendo que no último, acumulava as funções de diretor de turma e de tutor. A função de professor-tutor tem por objectivo ajudar os alunos mais problemáticos, ou oriundos de famílias carenciadas, a ultrapassar as dificuldades, sejam lectivas ou pessoais. Depois das aulas, e a exemplo do que acontece com outros professores com igual função, e uma vez por semana, o docente encontrava-se com a jovem aluna numa sala específica para esse apoio. A denúncia do caso partiu do pai da criança e da sua mãe, que após a avaria do telemóvel na menor, o progenitor leu uma série de mensagens obscenas e impróprias que levaram às suspeitas que culminaram numa investigação. “No dia 5 de setembro, o meu companheiro, numa visita aos meus filhos, uma vez que trabalha fora de Rio Maior, verificou que o telemóvel da minha filha estava avariado. Ao pegar no telemóvel detetou muitas mensagens inapropriadas, obscenas, com indícios de estar a ocorrer uma situação de abuso sexual. O meu companheiro questionou-me se sabia de quem era o número de telemóvel da troca de mensagens, ao qual verifiquei pertencer ao diretor de turma da minha filha”, disse a mãe da menor. Perante estes factos o progenitor confrontou o professor, que negou qualquer envolvimento, confirmando apenas que mantinha uma relação de professor e aluna. Já a mãe da menor foi ao encontro do docente e presencialmente, o docente voltou a negar qualquer envolvimento sexual. A progenitora confrontou também a filha, que após várias tentativas acabou por confessar o seu envolvimento com o professor, exibindo até uma fotografia dela com o docente numa viagem. A mãe da menor relatou ainda que o professor visitava a filha em casa e foi busca-la algumas vezes, durante as férias de Verão, mas nada que fizesse suspeitar, uma vez que era uma pessoa que ajudava a filha nos trabalhos escolares. Os alegados abusos terão acontecido em casa do professor, mas também num pavilhão da escola ou do complexo desportivo de Rio Maior. O professor acabou por ser detido pela policia judiciária na escola onde estava a dar aulas, e apesar de negar às autoridades qualquer envolvimento, saiu acompanhado pelos agentes da judiciária. Na escola todos ficaram incrédulos com esta situação, uma vez que o docente é tido como uma pessoa correta, até porque era tutor da menor que vem de uma família humilde. Já muitos amigos e colegas do professor suspeitam que esta história será uma fantasia da menor, pelas seus parcos recursos, mas de uma situação o professor nunca mais se libertará, que é da fama de ter no seu processo um caso de abuso, seja ou não culpado. O docente é casado com uma professora que também leciona no mesmo estabelecimento de ensino e está destroçada com toda a história. Na escola ao lado anda um dos dois filhos do casal, um jovem que joga futebol num clube de Rio Maior, onde o pai é também dirigente. A outra filha do casal, encontra-se a estudar na universidade. O suspeito foi ouvido pelo juiz de instrução criminal e pelo delegado do ministério público na comarca de Rio Maior de onde saiu em liberdade, mas impedido de exercer a sua actividade profissional e de se aproximar da menor e da sua família.
Carlos Barroso






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