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Bombeiros podem parar

Carlos Barroso

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Os bombeiros portugueses ameaçam paralisar o transporte de doentes não urgentes se o governo continuar a não ouvir as associações e não alterar as novas regras do serviço.
mais de meio milhar de associações estiveram reunidos em congresso extraordinário/foto Carlos Barroso

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, (LBP) Jaime Marta Soares, disse que os cerca de 500 responsáveis de associações de bombeiros, reunidos em congresso extraordinário, no CCC das Caldas da Rainha, “aprovaram por aclamação e agendaram para 18 de agosto uma concentração de viaturas no Porto, Coimbra, Lisboa e Faro”, com o intuito de protestar contra as novas regras do transporte de doentes não urgentes. “Os bombeiros decidiram que era chegado o momento de fazerem ouvir a sua voz. O Governo empurra-nos para estas medidas porque não nos ouve”, disse. O responsável adiantou que, se os bombeiros continuarem a não ser ouvidos pelo Governo, “vão paralisar totalmente o transporte de doentes não urgentes, com exceção dos doentes de hemodiálise, cancro e agudos. Não vamos permitir mais que continuem a não nos respeitar como tem sido até aqui”, disse. Em causa está a nova lei, que introduziu novas regras e que impede que o transporte seja feito nas habituais ambulâncias de transporte de doentes e passe a poder ser feito em viaturas ligeiras de nove lugares “mais baratas, sem condições e qualidade e sem profissionais qualificados”. Com a quebra previsível nas receitas oriundas desse serviço, Jaime Marta Soares alertou que o socorro em Portugal está comprometido e que as associações de bombeiros podem abrir falência. “Os bombeiros não conseguem pagar mais de metade dos salários a quem trabalha a tempo inteiro nas corporações, combustíveis e reparações de viaturas e, sem o transporte de doentes não urgentes, o socorro fica absolutamente comprometido”, explicou. No congresso, os bombeiros decidiram “reivindicar uma nova lei de financiamento destas associações, em que cada uma receba por ano 10 mil euros”. Questionado sobre a presença de tantos congressistas num fim de semana de grandes incêndios no país, Jaime Soares esclareceu que os participantes foram “na sua maioria membros da direção das associações e alguns quadros de comando”. O presidente da LBP assumiu que “houve críticas de desorganização no combate. Não podem ser assacadas aos bombeiros, que têm uma hierarquia a que obedecem”.

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