Assumindo a realização, António Victorino d’Almeida é também um dos protogonistas, para além de assegurar a música. O elenco da longa-metragem conta com os atores Susana Santos Silva, Miguel Leite, Sara Maria Vaz, Olga Prats, Maria do Céu Stûve, Isolina Peixota, Sara Vaz, Aurelino Costa, Jaime Costa (diretor do JORNAL DAS CALDAS), Manuel Ribeiro da Silva, João Prats, Jorge Quinta, Maria José Azevedo, Inês Azevedo Gomes, Cláudia Canas, Maria de Deus e Miguel Monraia. Joana Niza Braga é a diretora de som, e a montagem e direção de fotografia estão entregues ao caldense Miguel Costa.
Após a exibição do filme, que tem o apoio da Câmara, será servido um cocktail no Sana Silver Coast Hotel.
O “Tempo e as Bruxas” tenta utilizar em diversas situações a linguagem verbal e também simbólica do chamado teatro do absurdo – desde Samuel Beckett a Ionesco ou até mesmo Tardieu.
Tudo gira basicamente em torno de uma família que vive numa pequena terra de província – pessoas que sofrem de muitas maneiras com o facto de não terem uma verdadeira história para contar, para evocar ou mesmo apenas para relembrar.
“Para escapar à banalidade que os sufoca, essas personagens chegam a desenvolver ódios esquizofrénicos a objetos de uso quotidiano ou a defender teorias de severíssima exigência em relação à denominação mais correta que acham dever atribuir ao horário das refeições”, relata o realizador.
“Todas essas personagens procuram escapar aos estigmas da rotina em que decorre a sua vida, criando um mundo absurdo de suspeições e de acusações nunca verdadeiramente comprovadas”, descreve.
António Victorino d’Almeida sustenta que “este fenómeno não é exclusivo dos pequenos meios provincianos, pois há países onde pouco se prova ou esclarece, porquanto talvez pouco lá se passe que seja digno de verdadeira atenção”.
As filmagens decorreram em agosto do ano passado em Vila Nova de Cerveira.
“Este é um filme do universo da personagem com diálogos de enorme interesse e uma narrativa imprevisível que certamente vai prender o público do início ao fim”, sublinhou o diretor de fotografia, convicto de que “algumas destas falas são tão fortes que vão passar a fazer parte da linguagem diária dos espectadores”.
Jaime Costa interpretou a personagem do diretor de um jornal. Considera a longa-metragem completamente “inovadora no mercado cinematográfico”, onde as “cenas sucedem-se de uma forma sempre imprevisível para os espectadores”. “Com este filme, o Maestro Victorino D’Almeida demonstra, mais uma vez, a sua genialidade, porque para além de ser autor do guião teve a seu cargo a direção de atores, a realização e ainda a composição das músicas”, disse.
Como realizador de cinema, Victorino D’Almeida é autor de “A Culpa”, o primeiro filme português a receber um 1º Prémio num Festival Internacional do estrangeiro (Huelva, 1980). A partir daí nunca mais fez um filme, porque as condições técnicas “eram muito mais caras”. “Estive à espera estes anos todos pacientemente, mas com espírito de pantera, e fui acompanhando a evolução técnica, e quando tive a certeza que já havia condições técnicas suficientes para fazer esta proposta a um grupo de pessoas, aí atirei-me de cabeça”, explicou ao JORNAL DAS CALDAS.
Foi o Maestro que escolheu o elenco. “Fui buscar pessoas que nunca foram atores mas que pressenti que todos tinham imenso talento”.
Francisco Gomes/Marlene Sousa



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