Segundo Carlos Sá, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON), que gere o Hospital Termal Rainha D. Leonor, “foram já implementadas as medidas para o despiste e correção deste cenário, não sendo, contudo, possível determinar a data precisa de reativação dos tratamentos termais”.
A suspensão da atividade do hospital termal envolve a área de hidrobalneoterapia, mantendo-se em funcionamento as restantes atividades, nomeadamente o internamento de ortopedia, as consultas de psiquiatria e os tratamentos de medicina física e de reabilitação.
No dia 29 de junho os tratamentos tinham sido suspensos “por ter sido detetada uma avaria nos permutadores de calor (que permitem aquecer a água que é colhida por volta dos 34 graus para 50 graus e depois baixar para os 40 graus em que é distribuída)”.
Mesmo com a avaria no sistema de aquecimento e arrefecimento da água foram mantidas as análises, efetuadas no dia 3 de julho. Dois dias depois conheceram-se os resultados e foi decretada a suspensão dos tratamentos.
O presidente do CHON garantiu que “não havia nenhuma suspeita anterior”. “O que parece é que há uma relação direta entre avarias em equipamentos e depois o aparecimento de contaminações”, revelou.
Os tratamentos termais no Hospital Termal também estiveram suspensos entre 5 de janeiro e 27 de fevereiro, para manutenção anual das estruturas técnicas.
Na ocasião a administração do CHON anunciou que iria antecipar a habituais “intervenções corretivas nas infraestruturas técnicas”, por em alguns pontos de utilização terem sido identificados “parâmetros microbiológicos que aconselham as referidas intervenções”, nomeadamente a deteção de legionella nas águas.
PS exige “investigação criteriosa”
O Partido Socialista das Caldas da Rainha exigiu uma “investigação criteriosa” sobre o aparecimento da bactéria no Hospital Termal.
Em comunicado, o PS “levanta várias questões que entende ser da máxima urgência apurar, como o facto da monitorização da descontaminação poder não estar a respeitar o manual de procedimentos existente, bem como a prevenção antes do tempo quente poder não estar a ser realizada”.
“Fomos ainda informados que a equipa responsável pela desinfeção da água, conta agora com menos um elemento, será que isso está a afetar a qualidade do trabalho prestado?”, interrogam os socialistas.
“Em março de 2012, o presidente do CHON assumia que, ao fazer o orçamento, não tinha cabimentado o custo das análises laboratoriais feitas às águas do hospital termal, exigidas por lei, sem as quais o hospital termal não pode funcionar, tendo escrito, na altura, uma carta à Câmara das Caldas, pedindo que suportasse os custos das análises às águas do hospital termal ou a unidade de saúde encerraria”, recordam.
A presidente da comissão política do PS caldense, Catarina Paramos, mostra-se “perplexa” e quer saber se “houve negligência em alguma fase do processo”.
Caso tenha havido negligência “é preciso apurar os responsáveis”, apontando que “é esta a altura do ano que o Hospital Termal regista uma maior procura e um maior número de aquistas”, afirmou a dirigente.
“Só durante o ano de 2012 as termas das Caldas da Rainha já foram encerradas duas vezes, e os caldenses têm o direito de perceber porquê e a quem é que isto interessa. Além disso, que estratégia tem implementado a atual administração do CHON na divulgação e promoção da natureza única e singular das nossas águas, por forma a aumentar o número de termalistas?”, questionou.
Francisco Gomes



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