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MusicOrba com Kátia Guerreiro no CCC

Carlos Barroso

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O público falhou ao grande espetáculo protagonizado no CCC das Caldas da Rainha pelo MusicOrba, um dueto luso nipónico, que teve como convidada especial a fadista Kátia Guerreiro.
O evento esteve inserido no MusiCaldas/foto Carlos Barroso

Ricardo Vieira e Tomohiro Hatta compõem o MusicOrba, que interpretou obras num piano a quatro mãos, uma formação sublime da música de câmara. Além dos clássicos, este duo assume a divulgação da música contemporânea. Pouco conhecido em Portugal, mas já elevado como o melhor jovem artista 2011 pela revista CapMagellan em Paris, o duo é dos mais proeminentes do panorama musical mundial. Questionado como é que um japonês e um português se conseguem juntar ao piano, Ricardo Vieira apontou que a ligação surge com alguma naturalidade porque os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Japão. “Há sempre influências culturais, semelhantes entre os dois povos. A ligação não é abstrata ou utópica como se pode pensar. A música portuguesa e a música japonesa, que tocamos hoje, apesar de erudita, estão baseadas em música popular e nada melhor do que o fado para representar a tradição popular portuguesa. As músicas interligam-se facilmente sem problema nenhum”, disse. Já Tomohiro Hatta confessou que a adaptação tem sido igual a qualquer outra cultura e “a música tem ajudado muito a essa integração”. A madrinha deste duo no CCC foi Kátia Guerreiro, que se mostrou bastante agradada pela presença, mas queixou-se da preguiça do público. “Eles estiveram comigo no Olympia de Paris e eu vivi momentos de grande comoção. Nós esperamos salas cheias. É verdade que o público é preguiçoso para se deslocar, mas estamos tão perto de Lisboa que me faz confusão como é que as pessoas não se deslocam às Caldas para assistir a concertos, porque quando vou a França, tenho pessoas que no final dizem-me que fizeram 800 quilómetros para assistir a um concerto de fado”, acrescentou Kátia Guerreiro. Sobre o MusiCaldas, festival de música no qual se inseriu este evento, Kátia Guerreiro disse que o evento “não me é desconhecido, porque sou uma pessoa atenta ao que vai acontecendo a nível cultural no país. O MusiCaldas é um projeto em crescendo e que está cada vez mais a ganhar adeptos. Em Lisboa há muitas pessoas a saberem do MusiCaldas. Acho que são sementes que são lançadas de ano para ano e não tenho a menor dúvida que daqui a pouco tempo o MusiCaldas estará mais do que sedimentado e com mais adeptos”. Também Ricardo Vieira e Tomohiro Hatta, apesar de afirmarem desconhecer o MusiCaldas, mostraram-se bastante agradados com a iniciativa. “Achamos muito bem que iniciativas como o MusiCaldas existam, porque em Portugal são escassas as iniciativas culturais. É preciso e faz falta cultivar as pessoas a ouvir música. Estes são os passos essenciais para que isso aconteça”, disseram.

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