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Lançada a primeira pedra da obra de ampliação da misericórdia das Caldas

Carlos Barroso

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Foi lançada a primeira pedra da obra de ampliação da misericórdia das Caldas da Rainha, que contou com a presença do secretário de estado da solidariedade e da segurança social, Marco António.
Lançamento da primeira pedra/foto Carlos Barroso

O governante, depois de ter sido convidado para a inauguração do novo edifício, daqui a dez meses, só confirmará a sua presença se na placa constar os nomes dos corpos sociais da instituição em vez dos governantes. “Tenho todo o gosto em vir cá, fazer as inaugurações que forem precisas, mas vamos mudar. As placas não devem de ter os nossos nomes, devem ter os nomes das pessoas que nos órgãos sociais tornaram possível a construção deste equipamento. No país temos de começar a mudar este hábito de ter os nomes dos ministros, dos secretários de estado. Nenhum membro do governo dá nada do que é seu. Nós temos confiança pelo voto popular, para gerirmos o dinheiro que é do povo. Temos o dever de retornar o dinheiro que vem dos impostos, com transparência e rigor”, disse. Marco António antes destas palavras que finalizaram a cerimónia, vincou as várias valências da instituição, fazendo votos para que a equipa se mantenha. “As pessoas que aqui hoje estão a trabalhar, que se mantenham a trabalhar depois da obra. A estabilidade das equipas também é muito importante para garantir que não há desmembramento do trabalho que está a ser feito. Nós temos uma ambição. Vamos apresentar em breve o programa Casa, que visa combater problemas muito graves que existem a nível de infância e juventude. Estamos determinados em dar uma resposta muito direta a este problema, porque o relatório da situação nacional é muito preocupante. Existem taxas de reprovação na ordem dos 47 por cento e nós não podemos aceitar isto como normal. Teremos de fazer mais do que aquilo que é feito. Teremos de fazer um trabalho mais próximo das instituições para ajudar que isto não aconteça”, declarou. Outra das novidades apresentadas nas Caldas foi o investimento na qualificação dos equipamentos. “Aqui há uma enorme preocupação para se dar condições a estes jovens e a todos os utentes, mas em outros locais as condições físicas dos edifícios não permitem que seja feito um trabalho adequado. Nós temos de dar prioridade a esse trabalho. Nos próximos anos as prioridades serão a infância e a deficiência, onde existe uma forte ausência de respostas estruturadas”, afirmou. Marco António anunciou ainda que o instituto de segurança social e o instituto de emprego e formação profissional “passaram a ter um mecanismo de tratamento preferencial para jovens que saem das unidades para serem colocados em atividades profissionais, para terem uma oportunidade de começarem as suas vidas. É uma obrigação que o Estado tem e não estava a ter esse cuidado”. Fernando Costa, presidente da câmara das Caldas, lembrou o anterior governo, pelas obras lançadas, mas considerou que o atual tem ainda mais condições para lançar obras no concelho. “Lá para setembro teremos cá o senhor secretário de estado para lançar a obra da residência de apoio ao centro especial Rainha D. Leonor, e vão suceder-se muitas mais obras”, indicou O presidente da câmara lembrou a condição social e económica do país, mas valorizou o trabalho da equipa do ministro da solidariedade social. “Hoje temos o problema dos valores, mas também dos valores humanos, valores sociais e que precisam de ser ressuscitados para que no meio de tantas dificuldades, pelo menos a solidariedade, o conforto seja uma matriz em todo lado e em especial nas Caldas”, concluiu. A obra, orçada em 1,3 milhões de euros foi apresentada por Lalanda Ribeiro, provedor da santa casa, que recordou o desenrolar do processo moroso na aprovação. “Conseguimos concretizar ao fim de dez anos uma ambição que tínhamos de ampliar as nossas instalações. Foi um processo um pouco complicado. Primeiro pela aprovação do projeto, porque temos à nossa frente um chafariz que é uma peça classificada e o IGESPAR levantou várias objeções. Na altura o senhor vereador, arquiteto Jorge Mangorrinha, através do seu dialogo com o IGESPAR conseguiu resolver o problema e que fosse aprovado o projeto. Depois foram os pedidos de financiamento. Fizemos duas candidaturas ao programa Pares que não foram aceites e, finalmente, através do belo programa de regeneração urbana, que obtivemos a verba que nos vai permitir fazer esta obra tão necessária”, descreveu. O futuro edifício vai permitir transferir para as instalações da misericórdia, junto ao Largo da Rainha,

o centro de acolhimento temporário, e renovar o internato feminino. Para a área renovada vão também passar 17 idosos que estão alojados provisoriamente na casa de repouso. Após a remodelação será possível ter a assistência médica da instituição naquela área.

Estas obras têm ainda como objetivo melhorar a capacidade de armazenamento desta instituição, que passará a dispor de uma nova rouparia e de novas câmaras frigoríficas.

A misericórdia das Caldas emprega cerca de 110 pessoas que cuidam de 67 utentes no Lar de Idosos, prestam apoio domiciliário a 60 pessoas, tem um jardim de infância com 75 crianças, um lar de infância e juventude e internato feminino com 15 jovens, uma casa de repouso com 12 pessoas, e um centro de acolhimento de crianças e jovens que funciona desde 1999. O provedor enalteceu de todas as valências e trabalho de integração, pelo facto de várias jovens estarem a estudar e estarem integradas na sociedade e começarem a formar uma vida. “Uma jovem está no internato feminino a terminar o seu curso na escola de hotelaria de turismo de Lisboa e outra está a frequentar o segundo ano na ESAD e mais duas estão a preparar-se para entrarem na universidade e ainda outras duas jovens estão a frequentar escolas técnicas da zona. Estas jovens enchem-nos de orgulho pelo percurso que estão a seguir”, comentou. Lalanda Ribeiro pretende que a psicóloga que presta serviço na instituição ao abrigo de um programa governamental que está prestes a terminar, que seja prolongado. Na mesma linha pediu para que o secretário de estado tivesse em conta outros programas que estão prestes a terminar os seus prazos, mas cujos trabalhos são importantes na globalidade da instituição e das suas valências. O provedor sentiu-se agradado pela assinatura do protocolo com vista à constituição da cantina social para o plano de emergência alimentar. “Continuamos prontos para ajudar o próximo. Procuramos pôr em prática aquilo que a Rainha D. Leonor quis para esta cidade, numa misericórdia que faz esta semana 84 anos”, disse. A empresa que venceu o concurso, a Imosodos, garantiu que o prazo da obra vai ser cumprido e que irá contratar mão de obra local, recorrendo ao centro de emprego. “Queremos começar rapidamente. Durante a próxima semana. Vamos trazer o nosso pessoal, mas iremos também através do centro de emprego recrutar mão de obra durante estes dez meses de obra”, disse Rui Figuinha, administrador da empresa.

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