Não esqueçamos que deveria estar há muito instituído e já com profundas raizes e tradição no povo (como o 15 agosto) uma corrida de toiros pelas festas desta cidade secularmente aficionada.
Não foi essa a finalidade deste espetáculo, sendo sim o objetivo homenagear o ganadeiro José Rodrigues Vaz Monteiro. Saídos à arena, muito equilibrados entre os 480 e os 520 Kg, os toiros Vaz Monteiro não deslumbraram nem desiludiram, faltando uma investida mais raçuda e selvagem.
Cavaleiros
O cartel, sem ser uma parada de estrelas, estava bem equilibrado, com Rui Salvador, primeiríssima figura, Francisco Cortes com traquejo de filho de toureiro e dos anos 90 leva de alternativa, e o jovem promissor praticante Salgueiro da Costa. Diligente e honesto no que organiza e propõe ao público, o empresário da praça, Paulo Pessoa, não se livra aqui de uma crítica por sistemática discriminação de há anos não contratar o cavaleiro Marco José – toureiro da terra. Mas adiante. Não há demérito nem intenção depreciativa por na apreciação artística me ficar por poucas palavras.
Rui Salvador, entre eles o mais consagrado, foi como sempre um toureiro generoso e empenhado, tirou partido da sua sábia experiência para com alguns ferros de emoção colocar as suas duas lides numa bitola muito aceitável.
Menos praceado, Francisco Cortes entrou pouco exuberante nos ferros compridos, para depois sim, numa atuação de menos a mais ser aplaudido com algum calor nos curtos. Rematou cortes as duas lides com rosas de palmo de belo feito.
Por último, o praticante Salgueiro da Costa, que vai ser no futuro e a curto prazo um valor inquestionável.
Montado numa égua pequenota e super leve, foi só aquele que melhor mexeu no toiro, que fez a melhor lide, que foi o melhor toureiro. Depois, no último da tarde, um toiro que cedo começou a refugiar-se em tábuas, o jovem Salgueiro voltou a atuar em bom plano e tecnicamente perfeito-em-sortes a sêsgo e outras cambeadas com emoção.
Forcados
Foi uma tarde perfeita para moços dos forcados, os de Montemor e das Caldas da Rainha, com seis pegas limpas toda na primeira tentativa, a revelar não só a eficácia dos dois grupos, mas também a investida franca leal e sem grandes derrotes por toiros Vaz Monteiro.
Para que conste, não passou sem registo o brinde de uma pega por parte dos rapazes das Caldas, ao aficionadíssimo Padre Vítor Melícias. O diretor de Serviço dirigiu a corrida a preceito, sendo esta abrilhantada pela nossa banda de música, cujos solistas de trompete nos deliciaram uma vez mais.
Em julho, agosto e setembro vêm aí mais corridas, espera-se cartaz e apetitosos e atrativos, com público a encher as bancadas da Praça.








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