Contas do Caldas aprovadas pelos sócios
Longe da ribalta de outros tempos, em que havia instabilidade diretiva, cerca de duas dezenas de sócios do Caldas Sport Clube aprovaram o relatório e contas do primeiro semestre de 2011. Se não fosse a capacidade de entrega e de luta, com a complicação das anteriores direções, os atuais diretores do Caldas já tinham desistido, […]
Contas do Caldas aprovadas pelos sócios
Filipe Mateus, vice-presidente para a área financeira, apontou que o clube tem um passivo de 192 mil euros
Longe da ribalta de outros tempos, em que havia instabilidade diretiva, cerca de duas dezenas de sócios do Caldas Sport Clube aprovaram o relatório e contas do primeiro semestre de 2011. Se não fosse a capacidade de entrega e de luta, com a complicação das anteriores direções, os atuais diretores do Caldas já tinham desistido, uma vez que já foram liquidados, desde que entraram, cerca de 300 mil euros. Depois de entrarem para um clube que tinha uma dívida de quase meio milhão de euros, as direções dos presidentes António Ferreira e Vítor Marques já conseguiram liquidar quase tudo, porque à medida que vão encerrando processos, aparecem novas contas e novos credores. Dá a impressão que o clube só gera despesas, o que não é verdade, uma vez que algumas contas não estavam contabilizadas e havia casos negociais pendentes com os credores. Atualmente as dividas às Finanças e Segurança Social estão liquidadas, faltando pagar cerca de 62 mil euros do posto de combustível, mas é um processo em que algumas funcionárias estão implicadas com desvio de verbas. Também recentemente a direção ficou a saber que o clube deve cerca de 50 mil euros de água, consumida ao longo de décadas. Para ajudar a toda esta galopante dívida, existe a sombra do totonegócio, numa verba entre os 30 a 80 mil euros consoante os juros que estão ainda em análise. Na explicação das contas, Vítor Marques, presidente do clube, disse que as dívidas “causam alguns embaraços”, porque existem apoios da Câmara e do Centro de Emprego. Devido a este problema e com a atual conjuntura, tem havido dificuldades de tesouraria, com os atletas com os ordenados em dia, mas só os recebem entre os dias 15 e 20 de cada mês. “São atrasos que não eram habituais”, disse Vítor Marques, que lembra que “as receitas não têm vindo a tempo”. O dirigente revelou ainda que em alguns casos na publicidade contratada “tem havido desistências”, o que dificulta as coisas uma vez que as despesas têm sido as mesmas e em alguns casos aumentam, no caso da manutenção do relvado e canalização. Para contrariar esta tendência, só com publicidade ou mais sócios, uma vez que na bilheteira dos jogos as receitas são diminutas. Vítor Marques comentou também o momento da equipa sénior, descrevendo que a mudança de equipa técnica levou a uma redução de despesa, mostrando-se também no capítulo desportivo satisfeito com a atitude e a forma de trabalhar. Sem fugir à questão, o presidente do Caldas confessou que a mudança de treinadores “gerou alguns problemas”, mas foram assumidos. Já quanto ao atual momento desportivo, disse que “os resultados vão aparecer”, estando mais interessado na formação dos atletas. “Na equipa sénior matematicamente tudo ainda é possível, mas será mais fácil para a direção ter a equipa na terceira divisão do que na segunda. Não vamos baixar os braços, mas enquanto for possível vamos honrar o clube na segunda divisão. Vamos depois ajustar, se descermos, o clube à nossa realidade”, disse. Já Filipe Mateus, vice-presidente para a área financeira, apontou que o clube tem um passivo a curto prazo de 192 mil euros, estando neste momento como principal dívida a água dos serviços municipalizados. O dirigente gostaria de fazer obra, nomeadamente o projeto da mata, mas tudo isso é um sonho na conjuntura atual. Para Filipe Mateus, “os custos são cada vez maiores”, devido ao campeonato onde o Caldas está inserido, com o peso das deslocações e da organização de jogos. “Temos mais de 400 atletas e mais 70 pessoas a trabalhar. Fazemos ginástica com a publicidade a descer e o presidente da câmara a cortar 48 por cento desde 2001 no contrato programa, com as inscrições para a associação de futebol de Leiria a representarem cerca de dez mil euros”, disse. Antes dos trabalhos terem início, por proposta do presidente da assembleia geral, foi prestado um minuto de silêncio em memória dos sócios Joaquim Ferreira, Jaime Graça, Manuel Anacleto e Alberto Francisco. Carlos Barroso
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