Na receção aos novos internos nas Caldas da Rainha, na passada quinta-feira, o conceituado psiquiatra Júlio Machado Vaz falou à imprensa local, onde defendeu a humanização da medicina. Apesar de ser a favor das novas tecnologias, afirmou que os médicos “não podem esquecer o diálogo com o doente”. “A cabeceira da cama do doente, são os sítios privilegiados e obrigatórios para fazer um diagnóstico ou planear um tratamento”, afirmou o sexólogo, que fez a sua recruta nas Caldas da Rainha em 1975. Apesar da medicina estar muito avançada em termos tecnológicos, Júlio Machado Vaz diz que é preciso fazer “escolhas”. Exemplificou referindo que os profissionais de saúde têm que “refletir sobre se querem tornar-se todos super especialistas e atingirem uma situação um bocado esotérica que é fazer uma medicina que não é praticada por médico mas por técnicos de saúde”. Para o psiquiatra, que tem um programa na Antena 1, um médico não pode ser só isso. “Nós pecamos por arrogância e às vezes funcionamos de uma maneira em que parece que os antigos meios auxiliares de diagnóstico ocupam o diálogo e nós tornamo-nos auxiliares dos meios auxiliares de diagnóstico. Não pode ser assim”, referiu o médico. Revelou ainda que nos inquéritos feitos a doentes, a principal queixa que apresentam sobre os profissionais de saúde não é a incompetência. “É a maneira como se sentem tratados e, eventualmente, tratados na consulta”. Para o médico humanizar um hospital não é só colocar televisões e flores. “O que não pode acontecer é entrar numa enfermaria e discutir a cirrose da cama sete, porque nessa cama está um homem que tem um nome. Nós não lutamos contra a doença, nós ajudamos pessoas doentes”, sublinhou o psiquiatra. Júlio Machado Vaz foi o orador da conferência “A Medicina nos Cuidados Intermédios?”, que decorreu no passado dia 16 na sede do Conselho Distrital do Oeste da Ordem dos Médicos, nas Caldas. Perante uma plateia de cerca de 50 profissionais de saúde, entre 25 novos internos que estão a trabalhar nos serviços de saúde nas Caldas da Rainha, o psiquiatra refletiu sobre como é que no século XXI se deve pensar a medicina, “partindo daquilo que é o pressuposto básico da medicina – relação médico/doente”. Antes da apresentação do psiquiatra, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, deu as boas vindas aos internos e alertou para as dificuldades no futuro. “No próximo ano vai haver licenciados a mais para o número de vagas de especialidade que conseguimos encontrar nos serviços públicos”, disse, revelando que já existem médicos com dificuldade de empregabilidade. O bastonário referiu que alguns jovens licenciados que não vão conseguir entrar na especialidade “terão que emigrar” para conseguir trabalhar. Marlene Sousa
Peça cerâmica de Mário Reis assinala início de mandato de António José Seguro
O artista cerâmico Mário Reis fez uma peça para assinalar a tomada de posse do novo Presidente da República, a que deu a designação “Segurem-me”.



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