Francisco Leitão, conhecido por ‘Rei Ghob’, o sucateiro da Carqueja, Lourinhã, que está a ser julgado no Tribunal de Torres Vedras por quatro homicídios, ocultação de cadáver, falsificação de documentos e detenção de arma proibida, foi constituído arguido em pelo menos mais seis crimes, um dos quais um homicídio. Segundo o Ministério Público do Tribunal da Lourinhã, Francisco Leitão foi constituído arguido num processo que se encontra em investigação, em que é suspeito de homicídio de Luís Paulo, um jovem de 16 anos com quem o arguido trabalhava e com quem terá tido relações sexuais. A pista foi dada durante o interrogatório no decorrer da instrução do processo, por uma testemunha, Mara Pires, amiga do arguido. A última vez que viu Luís Paulo, este estava “cheio de sangue”, “inanimado, amarrado pelos pulsos e pelos pés” e poderá ter sido morto, depois de terminado o envolvimento amoroso, revelou à Lusa fonte judicial. Francisco Leitão foi também constituído arguido num caso de rapto de Mara Pires, praticado em coautoria com outra testemunha do processo do quádruplo homicídio. Os dois crimes terão sido cometidos para fazer calar as vítimas do que observavam na casa-castelo, pertencente ao arguido. Na comarca onde reside, corre também um outro processo, em segredo de justiça e a ser investigado, em que o sucateiro é suspeito do crime de abuso sexual de 18 menores, os ‘gnomos’ que frequentavam o “castelo” e um dos sobrinhos da irmã com quem partilha a casa. De acordo com a referida acusação, a Polícia Judiciária encontrou fármacos na residência que seriam utilizados pelo arguido para drogar as crianças e levá-las a praticar relações sexuais, o que levou o Ministério Público a extrair certidão para vir a acusá-lo de tráfico de estupefacientes no mesmo processo. Ainda na comarca da Lourinhã, Francisco Leitão foi também constituído arguido em dois crimes de falsas declarações, abertos em 2010 e 2011,e outro de fraude fiscal, relativo a 2009. O arguido consta da lista dos principais devedores publicados no site do Ministério das Finanças e deve ao Estado mais de um milhão de euros. “Rei Ghob” estará indiciado de outros crimes de simulação, como quando fingia ser encarnado por entidades para causar receio nos menores, fazia montagens nos vídeos que publicava no Youtube ou enviava em nome das vítimas mensagens escritas dos seus telemóveis para as respetivas famílias para lhes fazer crer que estavam vivas. O Ministério Público mandou também investigar o arguido por suspeitas dos crimes de profanação de lugar fúnebre, incêndio e violência doméstica. No que diz respeito ao julgamento em curso no Tribunal de Torres Vedras, o Ministério Público e os advogados das famílias das quatro vítimas de Francisco Leitão acreditam que as provas dos homicídios vão surgir em julgamento, mesmo sem o aparecimento dos corpos. Segundo fonte judicial, citada pela Lusa, a Acusação “está na expectativa de que possam surgir esclarecimentos que sirvam como provas” para sustentar o despacho final do Ministério Público, que acusa Francisco Leitão de quatro crimes de homicídio e de ocultação de cadáver de três jovens com quem se relacionava e de um sem-abrigo, na Lourinhã. Na passada segunda-feira, a sessão ficou marcada pela confirmação, por parte dos pais de Joana Correia (uma das vítimas, de 16 anos), de que o alegado homicida enviou mensagens escritas do telemóvel, fazendo-se passar pela jovem que já estaria morta. O computador do arguido, apreendido pela PJ, continha fotografias de Joana. A mãe de Ivo Delgado, outra das vítimas, também referiu que duvidou dos contactos que recebera do filho, de 22 anos. Desconfiaram da autoria dessas sms porque eram utilizadas palavras que não coincidiam com a forma como Joana se expressava: “okey”, em vez de “ok”, por exemplo. Ao lerem essas mensagens, acharam que teriam sido escritas por uma terceira pessoa. O arguido não deverá prestar declarações.
“Rei Ghob” envolvido em mais um homicídio
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