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Morreu o último oleiro tradicional das Caldas

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Dezenas de pessoas despediram-se do último oleiro tradicional das Caldas da Rainha. Armindo Reis foi a enterrar na passada sexta-feira. Presentes na cerimónia fúnebre estiveram familiares, amigos, colegas de trabalho, ceramistas e representantes da autarquia, do Museu de Cerâmica, Cencal e outras entidades por onde o oleiro passou. Armindo Reis nasceu a 10 de julho […]
Morreu o último oleiro tradicional das Caldas

Dezenas de pessoas despediram-se do último oleiro tradicional das Caldas da Rainha. Armindo Reis foi a enterrar na passada sexta-feira. Presentes na cerimónia fúnebre estiveram familiares, amigos, colegas de trabalho, ceramistas e representantes da autarquia, do Museu de Cerâmica, Cencal e outras entidades por onde o oleiro passou. Armindo Reis nasceu a 10 de julho de 1926, nas Caldas da Rainha, herdando o ofício da família, já que também o seu avô e pai tinham braço do barro. Deu a conhecer o seu saber em muitos locais e mesmo fora de instituições de formação não deixava de privar com aqueles que queriam saber da profissão. Armindo Reis ao longo da sua vida viu muitas olarias da cidade encerrar, ficando apenas a sua. A evolução e globalização deixou pouco espaço para os oleiros e ceramistas tradicionais e a velhice de muitos levou a que a oficina no Bairro da Ponte encerrasse. Mesmo assim nunca deixou de trabalhar em casa, em menor escala. Quem o conhecia, sabe que só se sentia bem na roda. Mesmo quando o coração apertava, só a roda e o barro entre as mãos lhe tiravam as dores. Num livro escrito sobre a olaria, o seu sobrinho, Mário Reis, testemunha que a vida do seu tio “não era fácil”, fazendo questão de lembrar que Armindo Reis era “o último oleiro tradicional e o último de uma família de oleiros em que pelo menos cinco gerações deram vida a essa arte”. Na mesma obra o seu irmão, Renato Reis, lembrou que o oleiro começou essa profissão “aos dez anos”, tendo sido “obrigado a desenvolver uma grande perfeição técnica”. Numa outra obra, Armindo Reis é destacado pela sua perfeição na execução das peças e pela sua passagem no Cencal como formador e de vendedor tradicional na praça da fruta. Armindo Reis partiu e deixou património. Foi o último dos oleiros tradicionais. Resta aos novos ceramistas e futuros oleiros conhecerem a sua obra e dignificar a olaria e cerâmica da cidade. Carlos Barroso

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