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Instrutores caldenses dão formação a nadadores salvadores em Angola

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Rui Cunha e Iuri Oliveira são dois técnicos de natação e instrutores de nadadores salvadores que deram formação em Angola, durante dois meses. Estes dois caldenses estiveram envolvidos num projecto em que os Bombeiros das Caldas e o seu corpo directivo desenvolveram, e que culminou no reconhecimento do Governo português e angolano, uma vez que […]
Instrutores caldenses dão formação a nadadores salvadores em Angola

Rui Cunha e Iuri Oliveira são dois técnicos de natação e instrutores de nadadores salvadores que deram formação em Angola, durante dois meses. Estes dois caldenses estiveram envolvidos num projecto em que os Bombeiros das Caldas e o seu corpo directivo desenvolveram, e que culminou no reconhecimento do Governo português e angolano, uma vez que estiveram presentes no dia do ensaio geral, o ministro da Administração Interna e o ministro do Interior angolano. “Tivemos cerca de 150 homens, dos quais 20 eram bons nadadores, 30 com algumas dificuldades e os restantes não sabiam nadar, mas tinham vontade de serem nadadores salvadores. No final todos ganharam bases de futuro”, disse Rui Cunha. “Não é num mês que se ensina a nadar bem. Este é um processo evolutivo e que nós vamos continuar a acompanhar”, acrescentou. Segundo os técnicos, a formação de nadadores salvadores é uma medida governamental angolana que tem publicitado muito a profissão, para que naquele país se comece a ter uma política de segurança e turismo. “Todas as instituições, bares e empreendimentos turísticos que têm piscinas ou estejam junto à orla costeira vão obrigatoriamente ter nadadores salvadores. Isto é uma forma de terem uma profissão”, indicou Rui Cunha. Para Iuri Oliveira, a realidade angola é muito diferente da portuguesa. “Trabalhar em Angola foi bastante gratificante, mas também foi difícil atingir alguns pontos que para nós são básicos, mas para eles que estão a começar, os ritmos são diferentes. Em Portugal é comum as pessoas verem um nadador salvador e quais são as medidas que devem tomar. Lá, como não há bases, tivemos de fazer tudo do início. A apresentação do material foi um choque e despertou curiosidade”, apontou Iuri Oliveira. Os dois caldenses realizaram muitas sessões de esclarecimento, transmitindo algumas medidas preventivas sobre como salvar uma pessoa, já que em Angola apenas existem nadadores que recuperam os cadáveres afogados. “Fizeram-nos muitas perguntas de como eram os procedimentos em Portugal. Nós transmitimos esse conhecimento e ensinámos a olharem para o mar. O mar em Angola não é muito perigoso em termos de agitação marítima, mas é perigoso pelos chamados fundões e porque muita da população não sabe nadar”, explicou Iuri Oliveira. “Estávamos preparados para uma coisa nova e queríamos que aquele povo começasse a salvar vidas. Não morrerem por coisas mínimas na linha de água, uma vez que o mar não é perigoso, mas tem uma inclinação acentuada. Ao fim de três ou quatro passos perde-se o pé. Para as crianças e adultos que não dominam totalmente a técnica, morrem afogados”, fez notar Rui Cunha. Enquanto os dois estiveram em Angola não fizeram nenhum salvamento, mas acabaram por assistir um polícia que foi vítima de acidente rodoviário, outro dos grandes problemas daquele país. Antes mesmo do regresso foi realizado um simulacro, que comprovou o conhecimento adquirido pelos formandos, onde realizaram salvamentos e utilizaram diversas técnicas adquiridas. Durante este exercício esteve presente o Ministro da Administração Interna português, Miguel Macedo, e o Ministro do Interior angolano. O projecto de quatro anos vai continuar a ser acompanhado por ambos os técnicos caldenses, que irão ocasionalmente a Angola continuar a dar formação e acompanhar o salvamento nos mil e setecentos quilómetros de costa angolana. Carlos Barroso

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