“Ser caloiro é o início de uma nova fase, mas não ter emprego é o medo de qualquer um de nós”, afirmou João Alves, um jovem de 18 anos, de Torres Vedras, do curso de Design Gráfico da ESAD (Escola Superior de Arte e Design) das Caldas da Rainha, que não tem qualquer expectativa de arranjar emprego depois de terminar o curso “se as coisas não melhorarem no país”. Este aluno foi um dos 250 caloiros dos cursos da ESAD que tiveram na passada quarta-feira um dos pontos altos da “Recepção ao Caloiro “2011/2012”, com a “procissão do falo”, que os levou junto ao Hospital Termal para serem baptizados. Os novos alunos fizeram o transporte de um andor com um falo gigante principal, símbolo da cerâmica erótica do concelho das Caldas da Rainha. Lá se vão os tempos em que as principais ruas da cidade se enchiam de caloiros oriundos de outras universidades que existiam na cidade. Com o fecho da Universidade Autónoma e recentemente com o encerramento da Católica, só a ESAD continua a levar a cabo a recepção ao caloiro. Os antigos alunos deram as boas vindas aos novos com a realização das actividades “da praxe”, como não poderia deixar de ser, desde o leilão do caloiro, rally tascas, arraial, procissão do falo, baptismo dos caloiros, tribunal do caloiro, e como já tem vindo a ser hábito, a festa final na ESAD. O objectivo da iniciativa, segundo, Carolina Ribeiro, presidente da Associação de Estudantes, foi dar as boas-vindas aos novos alunos e mostrar-lhes a escola e a cidade que agora os acolhe. “Quis proporcionar aos caloiros a mesma experiência que eu tive quando fui caloira”, disse Carolina Ribeiro, acrescentando que “a praxe serve para ajudar o recém-chegado à ESAD a integrar-se no ambiente universitário e na cidade e a criar amizades”. Segundo esta responsável, todas as actividades desenvolvidas decorreram da melhor forma e “houve um espírito de entreajuda e companheirismo entres todos os estudantes”. Com 18 anos, Sofia Carimbo, também de Torres Vedras, e que entrou no curso de Design de Ambientes, está a gostar muito da ESAD. Lamentou que as praxes estivessem a chegar ao fim, admitindo que esta tem sido “uma óptima experiência, e uma boa forma de nos conhecermos”. Quanto ao mercado de trabalho diz que não tem muitas perspectivas e considera que ainda é cedo para falar no assunto. Ivan Freitas, de 19 anos, da Figueira da Foz, que entrou no curso de Som e imagem, está a gostar muito da recepção ao caloiro. “É uma boa introdução, ao contrário de outras faculdades do país que humilham os alunos, aqui nós não nos sentimos humilhados mas sim acarinhados”, salientou o caloiro. Espera que o “curso corra bem e que não deixe nenhuma disciplina para trás”. Se a situação económica em Portugal não melhorar, Ivan Freitas irá procurar trabalho “noutro país”. Mantém o optimismo e considera que “se não tivesse o curso seria bem pior” Marlene Sousa
Peça cerâmica de Mário Reis assinala início de mandato de António José Seguro
O artista cerâmico Mário Reis fez uma peça para assinalar a tomada de posse do novo Presidente da República, a que deu a designação “Segurem-me”.



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