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Livro sobre escravatura em Luanda apresentado no Jardim d’Arte

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“Era o livro que eu gostaria de ler”, contou Isabel Valadão, autora da obra “Loanda – Escravas, Donas e Senhoras”, apresentado no passado sábado no Jardim d’Arte, no Imaginário, nas Caldas da Rainha. Através do retrato de Maria Ortega e Anna de São Miguel, a escritora cruza a História com a ficção, no território de […]
Livro sobre escravatura em Luanda apresentado no Jardim d"Arte

“Era o livro que eu gostaria de ler”, contou Isabel Valadão, autora da obra “Loanda – Escravas, Donas e Senhoras”, apresentado no passado sábado no Jardim d’Arte, no Imaginário, nas Caldas da Rainha. Através do retrato de Maria Ortega e Anna de São Miguel, a escritora cruza a História com a ficção, no território de Luanda do século XVII, de encontro ao percurso, queda e ascensão dos escravos e exilados do reino português. Isabel Valadão nasceu em Lisboa mas foi para Angola em 1951, com seis anos, tendo aí vivido até 1975, pouco antes daquela antiga colónia portuguesa se tornar independente. Acompanhando os pais no seu périplo angolano, passou por diversas regiões, desde o Lobito a Malange, até se fixar em Luanda, cidade onde viveu a adolescência, casou e onde nasceram as suas duas filhas. Com o livro, quis prestar “uma homenagem a Luanda, que ficou para sempre na minha memória”, relatou. “Quando lá vivi, deparei-me com muitos sinais de tempos remotos e como historiadora sempre me despertou grande interesse saber mais sobre aquela cidade, muito importante na altura da escravatura, porque era o depósito de exilados do reino”, referiu. Segundo explicou, “encontrei referências às personagens que aparecem no livro, que existiram de facto. A história que aqui está é que pode não ter acontecido assim, é ficcionada”. Como fez notar Isabel Valadão, sobre a época seiscentista em Angola “não há muita escrita”, contudo, “pesquisando vai-se encontrar coisas incríveis”. “Meti-me na pele destas duas mulheres – Maria Ortega e Anna de São Miguel – uma escrava que foi deportada para Angola e uma dona por direito de nascença. Angola na altura era uma terra maldita, quase todos os europeus que lá chegavam morriam ou ficavam marcados pela doença – paludismo. Era praticamente um mundo só de homens, mas elas conseguiram ser marcantes”, descreveu, sustentando que a obra é também “uma singela homenagem às mulheres que lá viveram”. Depois do lançamento em Maio deste ano, em Lisboa, onde a autora mora, a obra nas Caldas da Rainha foi apresentada pela conservadora assessora do Museu de Cerâmica, Cristina Horta, que disse existir “algo de mágico nesta obra que é comum ao romance histórico para se transmitir uma vivência”. “É difícil não se gostar do livro”, manifestou, considerando ser “difícil perceber a sociedade de Angola do séc. XVII e tudo aquilo que rodeia os conceitos que estão no título”. E por falar no título, Isabel Valadão esclareceu que até ao século XIX ainda havia referências à cidade com grafia “Loanda”. Com a chancela da Editora Bertrand, o livro tem o preço de 14,90 euros. Está em preparação o segundo livro da autora, que “será a sequência”, sendo a história passada no séc. XIX em Luanda. Isabel Valadão tem 66 anos e durante alguns anos foi analista química dos Serviços de Geologia e Minas em Luanda e secretária da revista angolana Notícia. Regressou a Portugal em 1976, depois de uma breve passagem pela África do Sul, onde a sua família se refugiou, na sequência dos graves acontecimentos que antecederam a independência de Angola. Viveu em Macau, regressando definitivamente a Portugal em 1986. Licenciou-se aos 49 anos, em História de Arte, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Dedicou-se à investigação na área da defesa e conservação do património, paralelamente à conservação e restauro de pintura. “Loanda – Escravas, Donas e Senhoras” é o seu primeiro livro. Francisco Gomes

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