Os agricultores do Oeste sentem-se impotentes face aos furtos de que são alvo diariamente, com os prejuízos a subirem aos milhares de euros. A voz desse descontentamento vem de Feliz Alberto Jorge, presidente da Associação de Agricultores do Oeste (AAO) que confessa que os poucos meliantes apanhados, são soltos logo de seguida. “Sabemos, mas não temos quantificados os furtos e roubos. São umas largas dezenas e vários milhões de euros, porque os agricultores ou proprietários agrícolas, tem preconceitos ou receios em falar e denunciar”, afirma Feliz Aberto Jorge. “Há um comportamento anti-social, por parte das forças policiais, onde confundem cidadania, com autoridade sigilo policial, quando interrogam o suspeito, dão-lhe conhecimento da identidade do denunciante, ou no caso de as policias levarem o ladrão a tribunal e o Juiz, não o punir e libertar-lo. Depois surgem as ameaças ou represálias junto do roubado”, descreve o presidente da AAO e também director do Centro Agrícola e Rural do Oeste (CARO). “O Governo e a sociedade, tem de criar condições para criar emprego e proteção social, para quem precisa e merece. O Governo e a Assembleia da República tem de alterar a legislação, de modo a coartar as liberdades de actuação e circulação, a cidadãos nacionais ou em transito, sob vigilância policial, de modo a que a sociedade, exija junto dos juízes um comportamento mais responsável”, acrescenta. Para Feliz Alberto Jorge, estes problemas de furto, “tem que ser vistos ao abrigo de uma análise psicossocial, degradação da sustentação da qualidade de vida de vários segmentos sociais e falta de segurança”, porque segundo ele, “num passado não muito longínquo, por falta de emprego ou rendimentos baixos, o roubo de um saco ou cesta de peras, maçãs, ameixas, laranjas, tomates, batatas, uvas. Algumas vezes para dar de comer à mulher e aos filhos. Roubar numa noite, uma camioneta de perus, frangos, porcos, tratores, alfaias, motores de rega, baterias gigantes, equipamentos de rega, milhares de metros de fios de cobre, condutores de energia eléctrica sem ser eletrocutados, alambiques inteiros depois de destruírem paredes, toneladas de uva ou peras, geradores, agredirem pessoas. Isto é banditismo, bandos organizados, sem medo das autoridades e leis”, denuncia. “Já chegaram a levar dez toneladas só de uma vez”, disse Carlos Fonseca o responsável da Companhia Agrícola do Sanguinhal, sediada no Bombarral, que se viu obrigado a recorrer a vigilantes, evitando que os 3.500 euros de prejuízos sofridos não se avolumassem. “Não houve outra solução. No ano passado, tivemos mesmo de contratar uma pessoa só para guardar as vinhas durante a noite”, numa extensão de 90 hectares. Mas os ladrões não levam apenas uvas, mas também pêras, maças, produtos hortícolas e diverso material agrícola. Nas últimas semanas o número de roubos de milho, cebola, couve ou batata doce em pequenas produções agrícolas tem acontecido e muitos dos lesados nem chegam a apresentar queixa. Também em equipamentos a onda de assaltos não tem poupado os agricultores, desaparecendo motores de rega, alfaias, tractores, sistemas eléctricos, fios eléctricos. “Levam de tudo. Há indícios de que essas coisas vão para o leste da Europa”, afirma um agricultor que prefere não ser identificado. Contactado o comandante do destacamento da GNR, Hugo Carneiro, disse que “não há queixas que se evidenciem perante as outras”, como por exemplo contra património e furtos de cobre, interior de veículo e residência. Por outro lado o capitão aconselha a que os lesados “devem apresentar sempre queixa”, para que haja uma prevenção e uma investigação que culmine na detenção dos meliantes. Carlos Barroso
Agricultores queixam-se de roubos sucessivos
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