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Corrida de touros a favor da Cruz Vermelha gera polémica

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Uma corrida de touros organizada a favor da delegação do Cadaval da Cruz Vermelha motivou um coro de protestos, que se fizeram sentir no concelho e no mural do Facebook da delegação. Foi criado um movimento de “protesto e boicote” pela “beneficência custeada pela crueldade”. “Uma organização de carácter solidário e humanitário não deverá organizar […]
Corrida de touros a favor da Cruz Vermelha gera polémica

Uma corrida de touros organizada a favor da delegação do Cadaval da Cruz Vermelha motivou um coro de protestos, que se fizeram sentir no concelho e no mural do Facebook da delegação. Foi criado um movimento de “protesto e boicote” pela “beneficência custeada pela crueldade”. “Uma organização de carácter solidário e humanitário não deverá organizar ou aceitar quaisquer receitas vindas da tortura de seres sencientes, humanos ou não humanos. A Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação do Cadaval poderia ter optado por concertos de música, peças de teatro, espectáculos vários e éticos, mas preferiu uma tourada”, refere uma das notas de protesto. “Que princípios são esses que dizem defender? Como pode uma organização de carácter humanitário, espalhada pelo mundo, participar num espectáculo que tortura que maltrata cruelmente animais?”, interrogam os contestatários. A Cruz Vermelha do Cadaval esclarece que não tomou a iniciativa para fazer esta corrida e que foi proposta por um grupo de jovens aficionados que se dispuseram a organizar a corrida e oferecer os possíveis lucros à delegação. “Dada a necessidade premente de apoios financeiros para ajudar pessoas necessitadas, e embora para a direcção da Cruz Vermelha este não fosse obviamente o espectáculo que escolheríamos para nosso benefício, e a aceitação do mesmo não tenha sido de forma nenhuma pacífica, o que acabou por prevalecer foi os possíveis benefícios que poderiam advir deste evento para os mais necessitados do nosso concelho”, aponta. “É muito fácil ser moralista de barriga cheia, em casa dos papás a jogar em consolas que custam mais do que famílias inteiras têm para comer durante meses. Quem quer que seja que se arroga o direito de ser moralista para com uma instituição com a Cruz Vermelha, devia em primeiro lugar olhar para espelho e perguntar a si próprio o que é que já fez para minorar o sofrimento dos seus vizinhos que passam fome, do que é que já prescindiu para dar de comer a alguém ou comprar um medicamento que pode fazer a diferença entre a vida e morte de um idoso, de quanto do seu tempo é que já prescindiu para fazer voluntariado”, refere João Reis, vice-presidente da delegação do Cadaval. “Não posso deixar de lastimar que há mais de um ano que estamos no Facebook e nunca tivemos tanto manifesto ou comentários como estamos a ter agora, só lamento isto. Tanta ajuda por aqui tem sido pedida, tantos apoios, tantas publicações sobre necessidades monetárias ou humana, mas raramente reacções obtivemos ou qualquer tipo de respostas”, manifesta Cláudio Neves, o outro vice-presidente. O coro de protestos, contudo, aumentou, sem que estas declarações conseguissem amenizar a contestação. Francisco Gomes

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