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Faculdade presta homenagem a estudantes desaparecidas na Madeira

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A Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa esteve de luto académico na passada segunda-feira, prestando homenagem a Delmira Sousa e Mónica Serrão, as duas estudantes do 3º ano que desapareceram na Madeira, arrastadas por uma onda quando se encontravam na praia da Laje com mais dois amigos – um rapaz e uma rapariga, entretanto […]
Faculdade presta homenagem a estudantes desaparecidas na Madeira

A Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa esteve de luto académico na passada segunda-feira, prestando homenagem a Delmira Sousa e Mónica Serrão, as duas estudantes do 3º ano que desapareceram na Madeira, arrastadas por uma onda quando se encontravam na praia da Laje com mais dois amigos – um rapaz e uma rapariga, entretanto resgatados com ferimentos diversos. Segundo Tiago Cabaço, delegado do 3º ano, no dia 21 de Fevereiro decorreu “um conjunto de actividades simples para lembrar e honrar a vida das nossas duas amigas que nos deixaram”. Alunos, professores e funcionários, como forma de homenagem, levaram flores, colocadas no átrio do anfiteatro da Faculdade, num local preparado para o efeito. Também os alunos levaram o seu traje em sinal de luto. Como referido no Código de Praxe, tem uma maneira própria de ser usado nesta situação de luto académico: a capa usa-se pelos ombros, mas sem serem dadas as dobras na gola da capa. Aperta-se apenas pelos colchetes, mas não pode ficar à vista quaisquer outras cores se não o preto. Unem-se as abas da batina e retiram-se os pins das lapelas. Às 12h30 de segunda-feira juntaram-se todos na entrada do Anfiteatro para ser realizado um minuto de silêncio em memória das colegas. Delmira Sousa nasceu nas Caldas da Rainha a 19 de Maio de 1990. Boa aluna, tinha bolsa de estudo e encontrava-se a concluir o curso de Psicologia. Estava a fazer um estágio no Hospital de Santa Maria. Só alguns fins-de-semana ia a casa, na aldeia de Bom Vento, no Bombarral. “Estamos todos em estado de choque”, desabafou uma tia, que presta apoio aos pais de Delmira, que se mostram inconsoláveis com a tragédia. A jovem tem três irmãos, todos mais velhos. “É uma grande dor. Ela era uma miúda sempre sorridente e toda a gente gostava dela”, recorda a vizinha Maria dos Prazeres. Outro vizinho, António Carlos, não contém as lágrimas ao confessar que “é uma coisa muito triste”. Delmira Sousa resolveu ir com alguns colegas à Madeira, onde já tinha estado. A viagem era de poucos dias. Partiram dia 11 e as imagens dos momentos de lazer foram logo publicadas por uma amiga no Facebook. É através da rede social que os amigos e colegas têm manifestado o seu pesar. “Porque é que a vida tem de ser assim. Não consigo compreender”, desabafa Ricardo Andrade. “Tenho muita pena pelo sucedido. A minha homenagem vai ser fazer-lhe um retrato”, declara Ricardo Castro. “Eu ainda não acredito”, lamenta Raquel Poseiro. “Neste momento parece tudo surreal”, manifesta Patrícia Ferreira. Os amigos trocam também informações pelo Facebook. Andreia Aguiar relata que Inês Mendes, a jovem natural de Carnaxide que foi internada no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal e entretanto transferida pela Lisboa, com uma perna partida, “manda um beijinho grande para todos e agradece todo o apoio”. Débora Lopes acrescenta que “a Inês tem de ser operada a perna e tem pequenas feridas”. Ricardo Silva, namorado de Mónica Serrão, foi o outro jovem envolvido na tragédia, tendo conseguido escapar com ferimentos. Foi pela rede social que uma prima de Delmira, Cristina Gomes, a viver em Nova Iorque, soube do seu desaparecimento. Um familiar informou-a que a jovem “estava à beira-mar a tirar fotografias e veio uma onda”. Na altura do acidente estava activo um aviso das autoridades para as condições climatéricas adversas e perigosas, devido a previsões de ondas de noroeste com quatro a cinco metros. As buscas fizeram entretanto mais uma vítima no dia seguinte à ocorrência. Marco Paulo Monteiro da Silva, de 31 anos, casado e com um filho, acabou por morrer depois do semi-rígido que participava nas buscas – onde seguia com um colega – ter embatido nas rochas devido à forte ondulação. Foi socorrido e trazido para terra, mas morreu pouco depois. Filipe Sousa, de 24 anos, o outro socorrista voluntário que seguia no barco, esteve desaparecido. Foi resgatado algumas horas depois, com ferimentos na bacia. Francisco Gomes

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