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Governador Civil defende novo hospital nas Caldas

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O Governador Civil de Leiria considerou que a solução para a saúde no Oeste passa pela construção de uma nova unidade. Paiva de Carvalho, no final de uma visita às Caldas da Rainha, lamentou-se também aos jornalistas por a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) não consultar o Governo Civil […]
Governador Civil defende novo hospital nas Caldas

O Governador Civil de Leiria considerou que a solução para a saúde no Oeste passa pela construção de uma nova unidade. Paiva de Carvalho, no final de uma visita às Caldas da Rainha, lamentou-se também aos jornalistas por a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) não consultar o Governo Civil no processo da futura unidade e da saúde na região. “A ARS não tem falado com o Governador Civil. Eu já me queixei várias vezes e tem-se borrifado a mim. Mas também não me faz falta esse contacto, porque dou-me bem com a senhora ministra e eles farão o que entenderem. Acho que os profissionais e os doentes merecem melhor. Se for possível fazer de raiz uma coisa melhor, mais espaçosa, que funcionalmente seja como deve para as necessidades, ficarei muito contente. Tudo farei nesse sentido enquanto Governador”, disse. Paiva de Carvalho falava aos jornalistas no final das duas visitas às Caldas, onde esteve no Hospital e nas Faianças Bordalo Pinheiro, onde também declarou que não é tempo de esbanjar dinheiro, comentando desta forma mais obras de ajustamento dos serviços no Hospital das Caldas. “O que eu acho ou não acho eu não posso dizer e apenas o digo onde devo. Não estamos em tempo de estragar dinheiro. Estamos em tempo de investir no futuro. Eu não gosto de remendos, mas quem não tem dinheiro, não tem vícios e necessidades. Não temos recursos financeiros para fazer uma grande obra. Mas também temos de saber o que fazer ao actual edifício. Podemos ter ali serviços de cuidados continuados. O Ministério da Saúde não está vocacionado para gerir um parque e uma mata”, disse. “Não sei se há remendos todos os dias. Mas se fizermos um Hospital novo, maravilha. Ou se complementa com uma parte nova, ou se faz uma estrutura de nova de raiz”, acrescenta. O Governador Civil de Leiria referiu que “teoricamente não está afastada a possibilidade de uma nova unidade para as Caldas, mas na prática, actualmente é impossível. Temos de ser realistas face às actuais condições do país”. Paiva de Carvalho disse que a actual administração vai realizar obras de ampliação do serviço de urgência. “Vão fazer uma ampliação da actual urgência ocupando o serviço de imagiologia e se fizerem agora alguma parte nova será dentro do terreno do Hospital. Não há de maneira nenhuma uma coisa de raiz naquele local para agora”. “O Hospital das Caldas está a cumprir o seu papel, não está no seu limite das suas capacidades, mas está a fazê-lo com grande esforço dos seus profissionais. Temos de agradecer isso e apoiá-los”, declarou Paiva de Carvalho. O Governador Civil de Leiria elogiou o trabalho realizado pelos profissionais de saúde, nomeadamente nos serviços de urgência geral, ortopedia, obstetrícia e de oncologia, pelas condições que tem e pelo trabalho que conseguem realizar. “No serviço de oncologia das Caldas há ali um médico que se entrega de alma e coração com os seus colegas e equipas de enfermagem. É uma área muito sensível que Caldas tem. Há que ajudá-los e modernizar as instalações na medida do possível. Aquela sala merece ser ampliada e ter melhores condições”, disse. No serviço de oncologia, que foi visitada pelo representante do Governador no distrito, foi possível testemunhar que a recepção é feita no corredor, os gabinetes são exíguos e na sala de tratamentos estava cerca de uma dezena de doentes neste dia, apesar de ser normal estarem mais. Segundo apurámos, são atendidas naquele serviço cerca de duas dezenas de pessoas diariamente e cerca de duas centenas de pessoas são admitidas todos os anos. Há ainda muitos doentes que são encaminhados directamente para as unidades centrais e que não fazem ali o seu tratamento, pela falta de capacidade, já que além do médico que está naquele serviço diariamente, só tem a companhia de uma outra clinica de medicina interna a meio tempo, ou seja, apenas durante a manhã. Este serviço dada a organização administrativa não está a receber doentes de Alcobaça, pela falta de capacidade de resposta. O Governador Civil elogia também o trabalho realizado pelo actual conselho de administração, já que conseguiu passar de três para um ano, o atraso dos pagamentos a fornecedores, fruto também de uma injecção de capital, na ordem dos 18 milhões de euros, por parte do Ministério da Saúde. Por último, considerou que a gestão do Centro Hospitalar tem muitos encargos com pessoal, já que mais de 60 por cento do seu orçamento é para pagar honorários com o pessoal clínico, técnico e administrativo. “Este hospital tem um orçamento que não é barato em termos de recursos humanos. Eles queixam-se que cerca de 66 por cento são gastos em recursos humanos. Os contratados encarecem ainda mais este deficit. Os recursos humanos numa unidade hospitalar não devem ser mais do que 50 por cento”, disse. O passivo do Centro Hospitalar Oeste Norte, que engloba os hospitais das Caldas, Alcobaça e Peniche, era de 60 milhões de euros, na altura da criação do novo organismo, sendo que o que tinha mais dívidas era o das Caldas, mas agora não foi dito qual esse valor. Quanto à visita à fábrica Rafael Bordalo Pinheiro, Paiva de Carvalho elogiou o trabalho realizado pela empresa Visabeira na recuperação da unidade. “Este é o Portugal positivo que existe e que temos a obrigação de mostrar”, disse, frisando que “Bordalo Pinheiro não é a memória dos portugueses, é o presente”. Carlos Barroso

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